Portugal é pioneiro na aplicação de técnicas para detecção e combate do cancro

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Portugal é pioneiro na aplicação de técnicas para detecção e combate do cancro

Portugal é “pioneiro” na investigação da aplicação de nanotecnologia na prevenção e combate do cancro com o desenvolvimento de um sistema de diagnóstico local que permitirá “poupar tempo e dinheiro” no tratamento da doença e “elaborar” tratamentos personalizados.

 No dia em que na semana passada se assinalava a luta contra o cancro, o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), em Braga, promoveu um “encontro” com especialistas da área, inserido numa iniciativa de âmbito europeu promovida pela European Techonology Platform.

  Da prevenção ao tratamento, passando pelo diagnóstico, a nanotecnologia tem “muito a dizer” no combate a doenças cancerígenas, concordaram investigadores e clínicos.

  Numa pequena caixa de metal estão “centenas de horas de investigação, muito dinheiro aplicado”, mas também “a esperança” para a prevenção e detecção “imediata” de doenças cancerígenas através da análise de biomarcadores.

“É um sistema de diagnóstico local que permite ao clínico determinar, no seu consultório, se existe um determinado tipo de patologia quando faz uma análise de sangue, saliva, ou urina”, explicou Paulo Freitas, investigador do INL.

 O procedimento começa com a recolha de uma amostra do fluído do paciente.

 “Depois, põe-se uma gotinha em cima de um chip que, ao inserir na caixinha, irá determinar exatamente o número ou de moléculas, ou de fragmentos de DNA e saber se a amostra contem um número que seja considerado já como patologia”, explanou.

A “caixinha” é electrónica, mas o “chip” é “todo ele nanotecnologia”, afirmou o investigador, e transforma a combinação “num sistema que permite fazer o que normalmente é uma análise clínica em tempo real, entre 10, 20 ou 30 minutos”.

 A importância deste sistema é que permitirá “poupar imenso dinheiro no tratamento de uma doença eventual “ podendo também “ajudar o clínico no tratamento porque vai permitir de uma maneira quantificada e personalizada de ajustar o medicamento”.

 Portugal, apontou Paulo Frei-tas, “é um dos pioneiros na produção deste sistema que, não sendo o único existente, tem tecnologia portuguesa que exportamos para outros centros de investigação”.

 Mas não é apenas nesta “caixinha” que os caminhos da nanotecnologia e do combate ao cancro se cruzam. A aplicação de tecnologias nano podem ainda alterar o paradigma do tratamento do cancro.

 “Usando uma imagem militar, a quimioterapia clássica, com medicamentos que servem para destruir células, oncológicas ou outras, não é seletiva. Nesse contexto, do ponto de vista militar é Napalm”, comparou o também investigador Rogério Gaspar, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

 “O que se pretende fazer com os sistemas de base nanotecnológica é diminuir a toxidade aumentando a seletividade. D ponto de vista militar é como se tivesse um míssil guiado por laser que vai para um target específico”, apontou.

 Mas, ressalvou, “tudo isto é um cenário de ficção científica porque, na prática, a geração de medicamentos desenvolvidos até hoje, e que são nanomedicamentos, ainda não são bem uma bomba guiada a laser, mas uma bomba guiada em função dos caudais de evento, que vai aproveitando da própria estrutura anatomofisiológica da doença”.

 Mas o futuro é já ali.

“A geração de novos medicamentos que estão a ser estudados e desenvolvido, esses, sim, são as bombas guiadas a laser com moléculas específicas colocadas à superfície e dirigidas para álbuns muito específicos”, afirmou.