Portugal e Espanha juntos numa exposição sobre Fernão Magalhães que vai correr mundo

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Portugal e Espanha vão apresentar uma exposição conjunta sobre os 500 anos da Viagem de Circum-Navegação, que se iniciou em 1519, capitaneada por Fernão Magalhães, e apresentá-la no mundo, disseram os ministros da Cultura dos dois países.

 Os dois ministros, José Guirao, de Espanha, e Luís Castro Mendes, de Portugal, falavam em Lisboa, no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), na inauguração da “Obra Convidada”, desta vez no âmbito de uma parceria que existe desde 2013, com o Museu do Prado, em Madrid.

 A obra escolhida é “A Rendição do Eleitor da Saxónia perante Carlos V”, de Luca Giordano, que, na realidade, como disse o ministro espanhol, “bem podia ser considerado lisboeta”, pois faz parte do acervo decorativo do Palácio da Palhavã, na capitalportuguesa, residência oficial do embaixador de Espanha em Portugal.

 “A Rendição…” sofreu aliás os “ímpetos revolucionários”, como disse Castro Mendes, quando o palácio foi assaltado e incendiado por populares, em 27 de Setembro de 1975, num protesto contra o fuzilamento de militantes da Euskadi Ta Askatasuna (ETA) e da Frente Revolucionária Antifascista e Patriota (FRAP), nos últimos dias da ditadura de Francisco Franco.

 O assalto foi “um acto que o Governo português sempre repudiou”, sublinhou Castro Mendes que, na época, era terceiro secretário na carreira diplomática, e trabalhava diretamente com o então ministro dos Negócios Estrangeiros, Ernesto Melo Antunes.

 “Lembro-me de, que eu, como era o mais novo, uma cara menos conhecida, ter ido ver o que se passava”, recordou o actual ministro da Cultura portuguesa, Luís Castro Mendes, numa nota pessoal.

 Sobre as celebrações dos 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães, iniciada em 1519, em Sevilha, e efectuada pelo navegador português ao serviço da coroa de Espanha, o ministro do Desporto e Cultura de Madrid, José Guirao Cabrera, disse aos jornalistas que abordou a questão com Luís Filipe de Castro Mendes, naquele que foi o primeiro encontro entre os dois governantes.

 “Cada país tem a sua respectiva comissão, que já se reuniram, e cada um está a elaborar o seu programa, justamente, falámos disso, que as duas grandes exposições que se vão fazer em Espanha e Portugal [se fundem] numa só ex-posição, e que essa exposição conjunta hispano-portuguesa seja a que viaje pelo mundo, para dar essa ideia de unidade, a par de outras actividades que se podem fazer conjuntamente e que estamos a começar a falar”, disse o ministro espanhol.

 A exposição conjunta acontecerá no final do programa comemorativo de cada um dos países, “e viajará pelo mundo”, acrescentou o ministro português.

 Questionado sobre o projecto de ampliação do MNAA, Luís Castro Mendes disse que está previsto no plano nacional de investimentos que “se enquadrará no quadro europeu 20/30”, não tendo adiantado qualquer data de início.

 O ministro disse que é “um projecto grande, de extensão com implicações financeiras grandes”, acrescentando que “o projecto não foi esquecido”.

 A tela de Luca Giordano (1634-1705), datada de cerca de 1700, está patente na última sala da galeria de pintura europeia do museu, na qual se encontram, entre outros, os retratos de D. Isabel de Portugal, de autor desconhecido do século XVI, de Leonor de Áustria (1590), por Joos van Cleve, de Alessandro de Medici (1500), por Jacopo da Pontanno, de Margherita Gonzaga (1553), de Jacopo Ligozz, e de D. Mariana d’Áustria (1650), que foi rainha de Portugal, de Juan Bautista del Mazo, e Lucas, o Velho (1630), por Anton von Dyck.

 A tela testemunha, no âmbito das lutas entre Católicos e Prostestantes, a rendição do João Frederico, eleitor da Saxónia, líder dos protestantes, a Carlos de Habsburgo, que liderava os reinos católicos.

 Da colecção permanente do MNAA faz parte uma das principais obras de Luca Giordano, “Êxtase de São Francisco”.

 O director do MNAA, António Filipe Pimentel, por seu turno, realçou “as relações excelentes” com o Museu do Prado, onde vários técnicos se deslocam para participarem em vá-rias actividades, e anunciou a inauguração a 6 de Dezembro, de uma exposição de Joaquín Sorolla (1863-1923), fruto do relacionamento com o museu madrileno dedicado ao pintor, criado em 1925, por iniciativa da sua viúva, Clotilde García del Castillo. Esta mostra conta já com 110 peças, adiantou Pimentel.

 O ministro José Guirao, por seu turno, vaticinou que 2019 será “o ano de Sorolla”, pois a National Gallery de Londres vai dedicar-lhe uma exposição antológica.