Portugal e Espanha criam grupo de trabalho

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Portugal e Espanha criam grupo de trabalho

Os governos de Portugal e Espanha acordaram criar um grupo de trabalho que vai pre-parar uma estratégia de longo prazo para os fundos comunitários após 2020, reportando esse grupo directamente aos respectivos chefes de executivo.

 Falando na terça-feira em conferência de imprensa no final da cimeira ibérica, o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, referiu que esse grupo de trabalho estudará o "pós-2020" e irá procurar assegurar a máxima eficiência e eficácia dos investimentos a efectuar.

 "É um grupo de trabalho para o horizonte pós-2020 no quadro das novas perspectivas financeiras da União Europeia", vincou António Costa, falando em Vila Real, no fim da cimeira ibérica, e ladeado pelo presidente do executivo espanhol, Mariano Rajoy.

 Logo no arranque da sua intervenção o chefe do Go-verno reiterou o "objectivo muito ambicioso", que a cimeira de Vila Real pretendeu acentuar, de utilizar a fronteira entre Portugal e Espanha "como uma linha de união entre países e povos" e não uma linha de separação.

 Na sua intervenção, o líder do Governo espanhol, Mariano Rajoy destacou precisamente a criação deste grupo de trabalho que tem como objetivo definir, claramente, os projectos a desenvolver para “actuar de maneira rápida e, sobretudo, de maneira conjunta”.

 “Será uma coisa pensada e bem trabalhada e creio que, sem dúvida, pode ser muito útil”, frisou.

 Rajoy falou ainda sobre as infraestruturas e os esforços em matéria das ferrovias: “são três corredores muito importantes e onde se vai reduzir muito o tempo para os viajantes e, ao mesmo tempo, o tempo para as mercadorias, no qual vamos ganhar também competitividade”, salientou.

 O presidente do Governo de Espanha elencou também a associação às comemorações dos 500 anos da viagem de circumnavegação iniciada por Fernão Magalhães, que Portugal está a preparar.

 A 29.ª cimeira bilateral entre Portugal e Espanha teve lugar em Vila Real, com os executivos de ambos os países a assegurarem reforço da coo-peração transfronteiriça em áreas como energia, infraes-truturas e ambiente.

 As cimeiras ibéricas são reuniões anuais bilaterais lideradas pelo chefe do Governo de Espanha e pelo primeiro-ministro de Portugal e nas quais se discutem questões de interesse para ambos os executivos e projectos de cooperação entre os dois países.

 Esta foi a primeira reunião do género com António Costa como chefe do Governo de Portugal, já que em 2016 não decorreu a cimeira devido à conjuntura política de Espanha, na altura com um executivo de gestão.

  O primeiro-ministro, António Costa, sublinhou as relações "muito fortes e integradas" entre Portugal e Espanha, sustentando que a fronteira entre os dois países deve ser um "ponto de união" e não uma "linha de separação".

 "O objetivo é fazer da fronteira, que era uma linha de separação, um ponto de união entre os nossos países, povos e economias. Para esta união o papel das empresas é absolutamente essencial", defendeu António Costa.

 No final da cimeira empresarial luso-espanhola, que decorreu em paralelo com a cimeira entre os executivos dos dois países, Costa lembrou a necessidade de se trabalhar "dia após dia em conjunto", valorizando a relação económica "muito forte" entre Portugal e Espanha.

 "Para termos uma noção, a Espanha exporta para Portugal mais do que exporta para toda a América Latina. E Portugal exporta só para Espanha mais do que exporta para a Alemanha e França no seu conjunto", declarou.

 O chefe do executivo português disse ser necessário "transformar esta força" de proximidade "numa capacidade crescente" de ambos os países serem "mais fortes em conjunto no mercado europeu e global".

 Depois, António Costa lembrou que a cimeira entre os dois executivos decorre em Vila Real, no interior do país, e centra-se na cooperação transfronteiriça, numa "nova visão" sobre o território de ambos os países.

 "Se queremos ter maior coesão territorial e queremos desenvolver o que está por desenvolver, é nestas regiões que temos de priorizar o esforço de desenvolvimento", realçou.

 

Portugal e Espanha defendem “novo impulso” na convergência económica na UE

 

 Portugal e Espanha reiteraram, no final da cimeira entre ambos os países, o "pleno compromisso" com a Europa, mas defenderam que a convergência económica na União Europeia deve ter um "novo impulso".

 "Ambos os Governos entenderam que a UE deve nortear a sua ação pelos valores da solidariedade e da coesão, atentos sobretudo os anseios e as preocupações dos cidadãos. Nesse sentido, as liberdades que são indissociáveis do mercado interno devem ser respeitadas ao máximo, em particular a livre circulação de trabalhadores. A convergência económica entre os Estados-membros deve igualmente merecer um novo impulso", lê-se na declaração conjunta subscrita por Portugal e Espanha.

 A referência ao espaço europeu é um dos destaques da declaração conjunta que marca o fim de dois dias de trabalho em Vila Real entre Portugal e Espanha, cujas delegações foram lideradas pelos respetivos chefes de governo, António Costa e Mariano Rajoy.

 Ainda no plano europeu, Portugal e Espanha advogam que é numa UE "forte e unida" que reside a resposta aos problemas dos cidadãos e que as cimeiras dos países do sul do continente têm sido palco para a proposta de "soluções concretas para os problemas comuns à União e para o debate fundamental sobre o futuro do projecto eu-ropeu".

 É ainda sublinhado pelos dois países o "compromisso com políticas orçamentais responsáveis e sustentáveis, que visem promover o crescimento, o investimento, a criação de emprego e a coesão social".

 "Há que promover uma verdadeira orientação europeia para as políticas fiscais que permita avançar rumo a uma maior integração fiscal e, em última instância, à criação de uma verdadeira capacidade orçamental para a área do euro", é também referido na declaração final conjunta.

 Igualmente no campo internacional, Lisboa e Madrid sublinham o agrado pela eleição de António Guterres para secretário-geral das Nações Unidas.