Portugal deixou o valor da sua língua em África, na América do Sul e no Oriente

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E o interesse é tanto que países africanos não falantes português, estão a tentar oficializar o português, a fim de se poderem juntar e participar na CPLP, como ultimamente aconteceu com a Guiné Equatorial.

 Em África o Português é língua oficial de trabalho da Organização de Unidade Africana, (OUA) e de países como Cabo Verde, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique, na América do Sul pelo populoso Brasil, e no Oriente, por muita população de Goa, Damão e Diu, Macau e Timor, daí e olhando à sua importância, ser hoje classificada como a quinta mais falada no mundo, isto a seguir à inglesa, francesa, chinesa e árabe, tornando-se com isso cada vez mais vitalizada.

 Há várias redes de ensino de português nas comunidades lusas radicadas em países, como a África do Sul, a América do Norte, os Estados Unidos e o Canadá, na Venezuela e na Europa, com exames específicos para cada país, concebidos pelo Ministério da Educação, juntamente com o Instituto Camões, em Lisboa, válidos a vários níveis, com o Governo Português a fazer um grande esforço financeiro, para continuar a manter o número de professores pagos por Portugal, para todas as nossas comunidades e não só, poderem beneficiar.

 Nos últimos cinco anos foram assinados protocolos com quatro universidades sul-africanas, a Tuks em Pretória, a Wits em Joanesburgo, a de Durban e a de Cape Town, com negociações para a de Mpumalanga em Nelspruit, e com isto a poder criar, cada vez mais licenciados em língua portuguesa, para no futuro e com a formação desses luso-descendentes, o português possa ser ensinado com muito mais facilidade, como uma língua por opção nos currículos das escolas da África do Sul, com os professores a manifestar interesse por isso, e os próprios sul-africanos cada vez mais interessados em aprender a nossa língua, e com isso a justificar este nos-so esforço.

 Enquanto o Português, há mais de quarenta anos a ser ensinado por assim dizer em etapas na África do Sul, anteriormente e depois das horas normais escolares, em asso-ciações da nossa comunida-de, e com isso uma sobrecarga para os alunos, passou de-pois mais facilitado, a ser mi-nistrado nas escolas primárias e secundárias sul-africanas, para além de actividades como desportivas, musicais e outras, e mais tarde dado o importante passo que faltava, fazer do Português um curso em si mesmo, no ensino universitário, o que não deixa de ser prestigiante para Portugal, e pelo valor da nossa língua, todos nos podermos sentir orgulhosos.

 A conjugação de esforços surge cada vez mais como es-sencial, não só por uma ques-tão de princípios – nenhum país é dono da língua, a sua defesa é interesse de todos -, como também para fazer face à agressiva política externa de promoção da língua de outros países ex-coloniais em África.

 Para a maior parte das pessoas, não está em causa o ensino e promoção doutras línguas nos países lusófonos, desde que elas surjam como um valor acrescentado, e não em substituição do português.

O problema da defesa da língua nos países africanos lusófonos coloca-se ainda, em muitas zonas, a um nível primário, o do próprio ensino. É que, apesar de ser língua oficial, o Português não é, de facto, a única língua falada por todas essas populações, uma vez que os dialectos usados nas diferentes regiões, não deixam de ser também consideradas línguas nacionais. O Português além de língua de ensino e de comunicação, é muitas vezes também factor de unidade nacional.

 Portugal tem responsabilidades especiais nesta área, não só porque a cooperação a nível do ensino faz parte das suas competências dentro da política de ajuda pública ao desenvolvimento, como também porque a promoção e defesa da língua estão consagradas como princípios básicos da política externa portuguesa.

 No ensino do Português a nível dos programas educativos normais estão envolvidos, na parte portuguesa, a Direcção-Geral de Cooperação do Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Ministério da Educação, bem como universidades e institutos superiores de educação, assim como universidades e institutos superiores de educação. A Fundação Gulbenkian tem tido também, uma acção de destaque nesta área, nomeadamente na formação de professores e feitura de manuais escolares, tal como também na preparação de professores o Instituto Camões, o mesmo acontecendo com alguns não-governamentais, em que se enquadram os centros cultu-rais portugueses e o Instituto Nacional da Biblioteca e do Li-vro, na dependência da Se-cretaria de Estado da Cultura, no apoio a estruturas paralelas ao ensino.

 Só é pena que nem todos os luso-descendentes tenham aproveitado essas facilidades, daí uma grande parte não falar o português, infelizmente com tendência a aumentar, na medida em que muitos casais, não obstante alguns deles falarem a nossa língua, não a procuram transmitir a seus filhos, dado em suas casas apenas se dialogar em inglês.

 A esse respeito, honras lhe sejam feitas, têm sido os embaixadores e coordenadores de ensino de Português na África do Sul, nas homenagens que em cada ano, por ocasião do “Dia de Portugal”, prestam nos jardins da embaixada a luso-descendentes com funções de liderança nas escolas que frequentam, assim como a alunos de outras nacionalidades que escolhem o português como língua de opção, aos quais fazem entrega dos respectivos certificados, iniciativa digna dos maiores elogios, incansáveis nos apelos a essa juventude para que falem português, e tenham orgulho nas suas origens.

 Nós que anualmente temos acompanhado essas homenagens, podemos afirmar serem as palavras dos embaixadores que têm passado pela África do Sul, dirigidas a es-ses jovens, de incentivo à aprendizagem de Português, exortando-os a falarem com os seus amigos, sempre e em todo o lado, a nossa língua, e dada a sua importância, com toda a vantagem em oportunidades profissionais, especialmente aqueles, em ramo de actividades ligados aos países vizinhos de Angola e Moçambique, onde o Português é língua oficial, a todos desejando sempre uma vida de sucesso, e que continuem a sentir como valor acrescentado, orgulho das suas origens. 

 Neste prisma, e como complemento a reforçar o orgulho de ser português, a digna atitude de heróis que no passado deram testemunho do seu patriotismo, Ricoca Freire leu para os jovens alunos homenageados na embaixada em Junho do ano passado, alto e em bom som, o poema intitulado “O Mostrengo”, alusivo ao alto sentido patriótico dos nossos antepassados na época dos descobrimentos, quando nesse tempo, isto há mais de quinhentos anos, o mar era um mistério, extraído do livro “A Mensagem”, de Fernando Pessoa, que estudou em Durban, do seguinte teor:

 O Mostrengo que está no fundo do mar,

Na noite de breu ergueu-se a voar,

À roda da nau voou três vezes, três vezes voou a chiar, dizendo,

Quem é que ousou entrar nas minhas cavernas que não desvendo,

Meus tectos negros do fim do mundo?

E o homem do leme disse, tremendo:

“El-Rei Don João Segundo”

 

De quem são as velas onde me roço, e as quilhas que vejo e ouço?

Disse o Mostrengo, e rodou três vezes,

Três vezes rodou imundo e grosso,

Quem vem poder o que só eu posso,

Que moro onde nunca ninguém me visse,

E escorro o medo dos mares sem fundo?

E o homem do leme tremeu, e disse:

“El-Rei Don João Segundo”

 

Três vezes do leme as mãos ergueu,

Três vezes ao leme as prendeu e disse no fim de tremer três vezes,

“Aqui ao leme eu sou mais do que eu,

Sou um povo que quer o mar que é teu,

E mais que o mostrengo que me a alma treme,

E roda nas trevas do fim do mundo,

Manda a vontade que me ata ao leme,

De “El-Rei Don João Segundo”.