Portugal condecorou o Contra-almirante sul-africano Jacobus Everhardus Louw

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PortugalEm cerimónia que teve lugar na passada quarta-feira, dia 31 de Março, na Embaixada de Portugal, em Pretória, foi o Contra-almirante Jacobus Everhardus Louw, da Armada Sul-Africana, actualmente a comandar a base naval de Simonstown, agraciado com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, condecoração que lhe foi entregue pelo embaixador dr. João Ramos Pinto.

  Segundo ali soubémos, esta condecoração tem a ver com os serviços que o Contra-almirante Louw tem prestado ao Estado Português, nomeadamente na organização da visita à África do Sul da fragata Álvares Cabral, que aqui veio integrado nas Forças da Nato em 2007, da visita do navio-escola Sagres a Cape Town, Port Elizabeth e Simonstown em 2008, e mais recentemente na ajuda que nos concedeu na preparação da visita do Chefe da Armada, Melo Gomes, em 2009, para além de ter sido desde 1980 a 1983 adido militar da África do Sul em Portugal.

  Desde então o Contra-almirante Louw tem mantido um relacionamento muito estreito com a comunidade lusa radicada na África do Sul, e com Portugal, tornando-se um grande promotor da história marítima e da cultura portuguesa, sendo por todas essas razões, não obstante de se tratar de cidadão estrangeiro tão apaixonado por Portugal, decidido pelo Presidente da República Portuguesa condecorá-lo com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique.

  No acto da entrega da distinção, o embaixador Ramos Pinto, que se fazia acompanhar do secretário de embaixada, dr. Pedro de Almeida, fez questão de se dirigir ao agraciado e convidados ali presentes, entre os quais o Chefe do Estado Maior da Armada Sul-Africana, Vice-almirante Johanness Mudimu; o director dos planos marítimos, Almirante Júnior Grade; e o comandante Prince Tshabalala, que, com os embaixadores do Brasil e da Alemanha tomaram parte, a seguir, no almoço oferecido pela nossa Embaixada.

  O diplomata português começou a sua intervenção com estas significativas palavras: “É  um facto bem estabelecido historicamente que os Portugueses foram os primeiros a navegar à volta do Cabo das Tormentas, mais  conhecido, em Portugal, como o Cabo da Boa Esperança,  enquanto pretendiam chegar à India por  mar. Assim, o primeiro contacto entre os nossos dois povos foi feito através  do mar.
 Os nossos países estão distantes um do outro (Portugal no fim da Europa e a África do Sul no fim de África), mas é a distância e o mar entre nós que une Portugal e a África do Sul em objectivos comuns.

  Somos ambos países marítimos. Portugal atribui importância especial à sua relação com a África do Sul e com a região da África Austral. A cooperação  com a África do Sul e com esta região é uma prioridade estratégica para o meu país. Portugal acredita que a cooperação com África, devido a esta complexidade e dimensão, requer for-te cooperação com as organizações regionais e internacionais, tais como a SADC, as Nações Unidas, e, em primeiro lugar, com a União Africana.

  A Armada Sul-Africana desempenha um papel re levante na Manutenção da Paz em África. Quando assisti ao “Prestige Gala Evening” em Outubro do ano passado,  tomei conhecimento na mensagem de boas vindas de S. Exa. o Chefe da Marinha Sul-Africana, que cito: “Membros da Marinha da África do Sul estão também colocados em não menos de cinco países africanos (só em 2009) em diversas Operações de Apoio à Paz”.

  Como sabem, Portugal e outros 31 países virão à África do Sul para  o Mundial de Futebol, e a Marinha Sul-Africana irá desempenhar um papel  crucial  para  garantir a segurança das cidades portuárias em apoio à Copa da FIFA2010. Portugal irá jogar em três cidades litorâneas, pelo que, desde já agradeço, em nome do meu Presidente, por todo o apoio  que a Armada Sul-Africana irá dar ao evento”.

  Em seguida, o representante oficial de Portugal na RSA destacou a contribuição de sucesso por parte do agraciado na visita à África do Sul da fragata Álvares Cabral integrada na força da NATO em 2007, na visita do navio-escola Sagres a Cape Town, Port Elizabeth e Simonstown em 2008, bem como na ajuda que deu na organização da visita do Chefe da Marinha Portuguesa, Almirante Melo Gomes, em 2009.
  O orador destacou ainda que “o Contra-almirante Jacobus Low prestou relevantes serviços a Portugal e continua a manter laços estreitos com a Comunidade Portuguesa que vive na África do Sul e promove o conhecimento e divulgação da cultura e história portuguesas.

  Também contribuiu para a excelência das relações existentes entre os nossos dois países. Esse relacionamento tem todas as condições para ser reforçado, já que ambos os nossos países estão envolvidos em missões de manutenção da paz das Nações Unidas, e partilham os mesmos valores, princípios e objectivos. Partilhando as nossas experiências, irá – estou certo – contribuir para futuramente reforçar a capacidade de ambas as nossas Forças Armadas para promover a Paz e Segurança no Mundo.

  Por todas estas razões  e pelo seu valor e mérito, como marinheiro e como homem, o Presidente da República de Portugal decidiu distinguir o Contra-almirante Louw com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique.
 É uma honra e prazer fazer-lhe a entrega, Contra-almirante Jacobus Louw, da Ordem de Henrique o Navegador”.

  A seguir foi o Almirante Johannes Mudimu a usar da palavra, para na qualidade de Chefe do Estado Maior da Marinha Sul-Africana, realçar as qualidades do agraciado, tecer elogios às boas relações entre Portugal e a África do Sul, aproveitando para no seu improviso se referir ao valor da Comunidade Portuguesa aqui radicada no seu país, por quem disse ter grande admiração, à importância dos países vizinhos de Angola e Moçambique falarem a língua portuguesa, deixando para último o agradecimento a Portugal pela condecoração atribuída ao Contra-almirante Louw, a quem pediu para que sempre saiba respeitar e estimar essa distinção. 

 Honrado com tal distinção, o Contra-almirante Jacobus Louw, exteriorizou o grande sentimento que o liga aos portugueses, confessando o seu respeito pelo valor da nossa língua, cultura e tradições, além do seu reconhecimento à hospitalidade portuguesa, daí o prazer que sentia, não só pelo agraciamento que vai lembrar em todos os dias da sua vida, mas pelo facto de lhe ser atribuído por um país que muito admira e respeita.