Portugal colocou 1,75 biliões de euros em Bilhetes do Tesouro às taxas mais baixas de sempre

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Portugal colocou na quinta-feira 1.750 milhões de euros, montante máximo anunciado, em Bilhetes do Tesouro a seis e a 12 meses às taxas de juro mais baixas de sempre, novamente mais negativas do que as dos anteriores leilões comparáveis.

 Segundo a página da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) na agência Bloomberg, a 12 meses foram colocados 1.250 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (BT) à taxa de juro média de -0,398%, de novo negativa e inferior à registada em 15 de novembro de 2017, quando foram colocados 1.100 milhões de euros a uma taxa de juro média de

-0,349%.

 A seis meses foram colocados 500 milhões de euros em BT à taxa média de -0,425%, mais negativa do que a verificada também em 15 de novembro, quando foram colocados 400 milhões de euros a -0,4%.

 A procura atingiu 2.130 milhões de euros para os BT a 12 meses, 1,70 vezes superior ao montante colocado, e 1.095 milhões de euros para os BT a seis meses, 2,19 vezes o montante colocado.

 Num comunicado divulgado na semana passada, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) anunciou a realização dos dois leilões das linhas de Bilhetes do Tesouro com maturidades em 20 de julho de 2018 (seis meses) e 18 de janeiro de 2019 (12 meses), com um montante indicativo global de entre 1.500 milhões de euros e 1.750 milhões de euros.

 Esta foi a primeira ida ao mercado do ano para emitir dívida a curto prazo, sendo que, neste primeiro trimestre o IGCP conta realizar mais dois duplos leilões de Bilhetes do Tesouro, um em fevereiro e outro em março, procurando arrecadar mais 2.750 milhões de euros.

 

* Conselho de Finanças Públicas prevê défice abaixo de 1,4%

 

 O Conselho de Finanças Públicas (CFP) acredita que o défice orçamental de 2017 será inferior a 1,4% do PIB, devido ao aumento da receita com impostos e à menor despesa com juros, alinhando com as previsões do Governo.

 No relatório ‘Evolução orçamental até ao final do terceiro trimestre de 2017’, o CFP tem em consideração os resultados dos primeiros nove meses do ano (divulgados pelo INE) e a informação já conhecida sobre o último trimestre e antecipa “um défice interior a 1,4% do PIB no conjunto de 2017”.

 Para o Governo, é já ponto assente que o défice orçamental do ano passado será inferior à meta que foi revista com o Orçamento do Estado para 2018 (OE2018), de 1,5% para 1,4%, sendo que, na semana passada, o primeiro-ministro, António Costa, disse esperar que ronde os 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

 Na quarta-feira, o CFP alinha com a estimativa do Governo, ao dizer que o défice fica abaixo dos 1,4% do PIB, sem indicar valores, e sublinha que esta estimativa exclui o eventual impacto da operação de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), que ainda está a ser avaliado pelas autoridades estatísticas nacionais e europeias.

 A entidade liderada por Teodora Cardoso justifica que o “fecho do ano melhor do que o estimado” se deve a um desempenho da receita fiscal e contributiva acima do esperado pelo Ministério das Finanças e a menor despesa com juros.

 Recorde-se que, no final de setembro, o CFP projectou que o défice orçamental de 2017 representasse 1,4% do PIB. Em outubro, quando apresentou o OE2018, o Governo melhorou também a sua estimativa para esse valor.

 No entanto, afirma o CFP, o montante em concreto do défice do conjunto do ano, “só poderá ser estimado com mais precisão uma vez clarificada a incerteza ainda existente quanto ao impacto orçamental do apoio financeiro do Estado aos lesados do BES/ GES, bem como em relação à classificação em contas nacionais de despesas relacionadas com os incêndios florestais”.

 Ainda assim, a entidade liderada por Teodora Cardoso, admite que o desempenho da receita fiscal e contributiva acima do esperado pelo Ministério das Finanças e a menor despesa com juros “sugerem margens capazes de acomodar eventuais desvios ao nível da receita não fiscal e não contributiva e da despesa primária, incluindo o impacto do diferente perfil de pagamento do subsídio de Natal”.

 Em 2017, metade do subsídio de Natal da Administração Pública foi pago em duodécimos e a restante metade em novembro, pelo que esse impacto só será conhecido quando forem apuradas as contas do quarto trimestre.

 A entidade tem em consideração também a “recuperação parcial” da garantia do Banco Privado Português, com a qual o Governo estimava reaver 450 milhões de euros. O Estado recuperou apenas 73 milhões de euros – até ao terceiro trimestre – um valor “distante” do total previsto inicialmente, e, por isso, o CFP afirma que a meta do défice “será obtida com um contributo significativamente menor de receitas temporárias”.