Político português é o novo embaixador da União Europeia na Índia

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Político português é o novo embaixador da União Europeia na Índia

O reforço da componente política da parceria estratégica UE-Índia, até agora centrada nos aspectos comerciais, é a prioridade do embaixador da União Europeia, o português João Gomes Cravinho, que na quinta-feira apresentou credenciais à presidente Pratibha Patil.

 “Aquilo que tenho como missão é reforçar, dar mais conteúdo e sustentabilidade à parceria estratégica” que existe entre o bloco europeu e a Índia desde 2004, disse Gomes Cravinho, antigo secretário de Estado português dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.
 Essa parceria, considerou, “até agora não realizou plenamente as ambições com que foi pensada e assinada”, sendo “excessivamente tributária da relação comercial”.

 “O relacionamento comercial é extraordinariamente importante (…), mas a UE, especialmente depois do Tratado de Lisboa, tem competências novas em domínios de importância geopolítica e geoestratégica” que devem ser incorporadas na relação com a Índia. O embaixador deu como exemplo a segurança mundial, designadamente a luta contra o terrorismo e a
luta contra a pirataria, como áreas em que a cooperação pode ser mutuamente benéfica.
 No plano económico, e sendo a Índia “uma grande potência emergente”, Cravinho falou de “um conjunto alargado de áreas” em que a cooperação UE-Índia deve ser desenvolvida, destacando a ciência e tecnologia.

 Questionado sobre os efeitos da actual crise na zona euro no relacionamento da UE com países terceiros, o embaixador admitiu que ela “afecta a capacidade económica da UE em todas as suas dimensões”, mas disse-se convicto de que “o alto nível de escolarização da população” e a sua “capacidade em matéria de investigação e desenvolvimento” vão permitir que “a UE volte a crescer com vigor”.

 Em relação à Índia em concreto, Cravinho considerou que o comércio não tem sido afectado, tendo mesmo crescido em 2010 e 2011, e que esses efeitos se notam especialmente na área do investimento, em que “pode haver alguma retração”, provocada apenas em parte pela crise na zona euro.
 “No investimento pode haver alguma retração, mas isso também está relacionado com o próprio ambiente na Índia (…) onde a legislação é muito limitadora do investimento”, não permitindo uma participação estrangeira superior a 49 por cento no sector do re-talho.

 João Gomes Cravinho foi escolhido em Agosto passado pela chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, para chefiar a representação da União Europeia na Índia, uma delegação de cerca de 90 pessoas.
 O ex-secretário de Estado socialista chegou a Nova Deli a 6 de Dezembro e apresentou quinta-feira credenciais à presidente indiana.