Política orçamental de Moçambique faz perigar notação de risco da dívida pública

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Política orçamental de Moçambique faz perigar notação de risco da dívida pública

O défice orçamental de Moçambique deve atingir este ano 12% do Produto Interno Bruto, o que é negativo para a notação de risco da dívida soberana, afirmou a agência Moody’s.

 No documento, os analistas da Moody’s lembram que o défice orçamental previsto é “o mais elevado desde o final da guerra civil”, o que levanta problemas relativamente à sustentabilidade da trajectória da dívida pública, principalmente quando “este aumento surge depois de uma década de défices moderados, em média de 3,7% entre 2003 e 2012.”

 Na nota de comentário, que serve apenas para sinalizar uma preocupação, não tendo efeito imediato na avaliação do país (“B1” com perspectiva de evolução estável), a Moody’s acrescenta como outro factor de preocupação a realização das eleições em Outubro, atendendo à “escalada significativa do conflito entre a Renamo e o partido do governo.”

 Ainda assim, mais grave, diz a Moody’s, seria “se a médio prazo os confrontos tivessem um impacto negativo nos projectos de recursos naturais de que o país está fortemente dependente em termos de crescimento e de fluxos de receitas” para o Estado.

 De acordo com as previsões da Moody’s, Moçambique deverá registar défices primários (excluindo o pagamento de juros) à volta de 4% ou 5% nos próximos cinco anos “devido aos limitados fluxos de receita e às grandes necessidades de (projectos de) desenvolvimento.”

 A agência antecipa ainda que a dívida pública em percentagem do Produto Interno Bruto deverá aumentar para 47% este ano e 50% em 2015.