Pistorius sai com fiança de 1 milhão de randes

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Pistorius sai com fiança de 1 milhão de randes

O atleta olímpico e paralímpico sul-africano Oscar Pistorius, acusado de matar a namorada a tiro, vai aguardar julgamento em liberdade, segundo decisão de sexta-feira do Tribunal de Pretória.

 A justiça decidiu não manter o atleta detido até ao julgamento pelo homicídio de Reeva Steenkamp. “Cheguei à conclusão de que o acusado apresentou um dossier que permite a libertação sob caução”, disse o juiz Desmond Nair.

 O magistrado entende que não há risco de fuga para o estrangeiro, mas o  atleta não poderá deslocar-se à casa onde ocorreu o crime, deve evitar contactar testemunhas e tem de entregar o passaporte. A fiança foi fixada em um milhão de randes (85 mil euros) e Pistorius tem de se apresentar duas vezes por semana (às segundas e sextas-feiras) na Esquadra Policial de Brooklyn. Também não poderá beber álcool. O caso volta a tribunal no dia 4 de Junho.

 A decisão não tem a ver com o julgamento da morte de Re-eva Stenkamp. Os quatro dias de audiências que chegaram ao fim na sexta-feira destinaram-se apenas a permitir ao juiz Desmond Nair deliberar sobre o pedido de libertação sob fiança. Tratou-se apenas de uma decisão sobre a situação em que Pistorius deve aguardar o julgamento: na pri-são ou em liberdade.

 

* Defesa mantém que morte foi accidental

 

 O procurador responsável pelo caso alegou que a morte de Reeva Steenkamp, atingida por três dos quatro tiros disparados pelo atleta quando estava fechada na casa de banho da mansão do corredor, nos arredores de Pretória, foi um assassínio preme-ditado e disse haver testemunhas que ouviram discussão entre o casal e gritos no intervalo entre os disparos.

 A defesa sustentou a tese de morte acidental, argumentando que Pistorius matou a namorada por engano, pensando estar a disparar contra um ladrão. Procurou também fra-gilizar a investigação, explorando contradições no depoimento do detective-chefe do caso, Hilton Botha.

 Na quinta-feira, a direcção da polícia sul-africana viu-se obrigada a substituir Botha, depois de ter sido revelado que é acusado de tentativas de homicídio, por, em 2009, ter disparado, alegadamente alcoolizado, contra um veículo que transportava sete pessoas, durante a perseguição a um suspeito de assassínio.

 Logo no início da sessão de sexta-feira, o procurador Gerrie Nel manifestou a convic-ção de que Pistorius será condenado com pena pesada. Afirmou que houve intenção de matar, mesmo que pensasse estar a disparar contra um ladrão. O advogado de Pis-torius, Barry Roux, questionou como teria outra pessoa qualquer actuado nas mesmas circunstâncias. Gerrie Nel entende que o atleta paralímpico “deve saber que deverá ser condenado. Deve estar consciente de que uma longa pena de prisão está praticamente garantida.” E considerou também que as lágrimas do atleta em alguns momentos dos últimos dias foram mais de pena de si próprio do que de remorso.

 O julgamento deverá começar nos próximos meses. Caso o atleta seja condenado por assassínio premeditado, incorre em pena de prisão perpétua. Se a condenação for por homicídio voluntário, poderá ser condenado a 15 anos de prisão. É nesta última possibilidade que a defesa parece estar a trabalhar. “Porque agiu para além do que qualquer pessoa teria feito, arrisca-se a ser condenado por homicídio voluntário”, dis-se o advogado Barry Roux, citado pela AFP.

 

* Pistorius quer falar com a família da namorada

 

 Oscar Pistorius quer entrar em contacto com a família de Reeva Steenkamp, a modelo com quem namorava e que já admitiu ter alvejado mortalmente, disse no sábado um tio do velocista, que o levou até  à casa depois de na sexta-feira ter sido libertado sob fiança.

 “Não queremos colocá-lo sob pressão mas quando estávamos no carro foi isso que ele disse”, contou Arnold Pistorius à estação televisiva sul-africana eNews Channel Africa. “Está sempre a pensar na família de Reeva e o objectivo dele era ser parte da família no futuro.”

 Resta saber se a família está disposta a ouvi-lo. Até agora, a família de Reeva Steen-kamp, modelo que foi alvejada mortalmente por Oscar Pistorius, só tinha pedido res-postas para a sua morte, mas no sábado o discurso endureceu. O pai de Reeva, Barry Steenkamp, apela ao atleta para que diga a verdade: “Se (o crime) não aconteceu como ele o tem descrito, então terá de sofrer”.

 Em declarações ao jornal sul-africano Beeld, Barry Ste-enkamp não poupou nas pala-vras. “Não importa quanto di-nheiro tem ou quão bons são os seus advogados, ele terá de viver com a sua consciência se permitir aos advogados que mintam por ele”, afirmou, citado pelo The Telegraph.

 “Terá de viver com a sua consciência, mas se falar verda-de, talvez um dia consiga perdoá-lo. Se (o crime) não aconteceu como ele o tem des-crito, então terá de sofrer", continuou o pai da modelo. que foi atingida com quatro ti-ros através da porta da casa de banho.

 Os pais de Reeva, que moram em Port Elizabeth (a casa de Pistorius, “Silver Woods” fica nos arredores de Pretória), parecem desiludidos com as respostas que o atleta olímpico e paralímpico tem dado até agora sobre a noite do crime. “Foi-lhe tirado tudo de forma tão violenta… Só queremos saber a verdade”, insiste June Steemkamp, mãe da vítima.