Penáltis derrotam Benfica em mais uma final europeia

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Penáltis derrotam Benfica em mais uma final europeia

O Benfica pagou caro, com uma nova derrota em final europeia de futebol, a incapacidade de se assumir  como favorito frente a um Sevilha que levou a decisão para as grandes penalidades e foi mais lúcido.

 Os "encarnados" disputaram a décima final europeia da sua história, a segunda consecutiva na Liga Europa, e cumpriram, uma vez mais, um destino que se repete desde 1963, quando entraram num ciclo de várias derrotas nas finais da Europa.

 Com um nulo no prolongamento, foi nas grandes penalidades que tudo se decidiu. O guarda-redes do Sevilha, Beto, defendeu os "penáltis" apontados por Cardozo (o segundo) e Rodrigo (o terceiro).

 Os dois avançados mostraram-se muito hesitantes na hora de partir para a marca de grande penalidade e Beto evitou os golos, quando Lima já tinha marcado para o Benfica.

 Luisão ainda marcou a quarta grande penalidade, mas tudo se decidiu a seguir.

 Foi Kevin Gameiro que apontou a quarta penalidade, depois de Bacca, Mbia e Coke já terem convertido as respectivas grandes penalidades, numa decisão que ficou 4-2 para o Sevilha.

 No jogo, e com o Sevilha como o novo vencedor da Liga Europa, o troféu de melhor jogador coube ao croata Ivan Rakitic.

 O Benfica entrou com Oblak na baliza, Maxi, Luisão, Garay e Siqueira formaram o quarteto defensivo e no meio-campo Jesus colocou Ruben Amorim e André Gomes, a ter o papel de substituir o influente Enzo Pérez, castigado.

 Nas alas, Gaitán esteve no seu "habitat", no lado esquerdo, e Sulejmani foi a aposta para o lado direito, quer pela ausência de Markovic, como de Sálvio. Na frente, Lima e Rodrigo tinham a missão de "incomodar" o guarda-redes Beto.

 A estratégia de Jorge Jesus sofreu logo um revés, aos 25 minutos, com Sulejmani a ter que sair. Parece que o sérvio não estava destinado a jogar esta final, depois de ter sofrido uma entrada dura de Moreno, logo aos 12 minutos.

 No Sevilha, Unai Emery foi fiel ao seu esquema. Beto na baliza, Coke na direita, os centrais Fazio e Pareja e no lado esquerdo optou por Moreno, mais atacante e capaz de dar profundidade, em detrimento de Navarro, no banco.

 No meio, o português Carriço com Mbia, nas alas Reyes e Vitolo, que chegou a estar em dúvida e com indicações para durante o jogo de trocarem de alas, mais Rakitic, o capitão e "estrela", nas costas de Bacca.

 O Benfica entrou apático no jogo, sem capacidade de circular a bola e com demasiados perdas a meio-campo, sem linhas de passe ou capacidade para explorar os corredores laterais, com um Sevilha também expectante, mas atento ao contra-golpe.

 A primeira oportunidade pertenceu aos espanhóis, logo aos sete minutos, com Siqueira a tirar a bola de zona perigosa, com vários homens da equipa da Andaluzia em boa posição para alvejarem a baliza de Oblak.

 Era um Benfica ansioso, quiçá a sentir a falta de Enzo Pérez, o argentino que quase sempre determina as acções e o ritmo que as "águias" impõem no seu jogo.

 A lesão de Sulejmani obrigou Jesus a mexer, com o técnico a fazer Maxi Pereira regressar aos seus tempos de médio direito e André Almeida a entrar para o lado direito da defesa, num jogo muito incaracterístico e faltoso até à meia-hora de jogo.

 A equipa espanhola esperou sempre que fosse o Benfica a tomar as rédeas da partida, para poder explorar o erro "encarnado" e partir em contra-ataque. Foi assim que, aos 37 minutos, Reyes encontrou espaço para servir Moreno, com defesa segura de Oblak.

 O Benfica respondeu por Rodrigo, aos 40, mas foi já nos descontos que teve a melhor oportunidade do primeiro tempo: Maxi, assistido por Ruben Amorim, surgiu na cara de Beto, para uma defesa por instinto do internacional português.

 Pouco depois e antes de o alemão Felix Brych apitar para o intervalo, Gaitán ficou a reclamar uma grande penalidade, de uma suposta falta de Fazio. Lima queixar-se-ia do mesmo, aos 57 minutos, por falta de Moreno, mas desta vez com aparente razão.

 Os últimos minutos foram um tónico para o início da segunda parte, com três oportunidades flagrantes no mesmo minuto.

 Aos 48, Lima rematou cruzado e Pareja tirou em cima da linha, e depois o mesmo Lima e a seguir Rodrigo não aproveitaram, sozinhos, as sobras, e voltaram a falhar. Um lance a que o Sevilha respondeu com Reyes a atirar junto ao poste direito.

 A segunda metade começou por mostrar um Benfica mais acutilante, mas nem por isso mais esclarecido, enquanto os espanhóis voltaram a viver do contra-golpe, frente a um Oblak muito seguro entre os postes e a mostrar porque, aos 21 anos, é o titular.

 Ao Benfica faltava calma no momento da decisão, exemplo do que sucedeu aos 72 minutos, num lance conduzido pelo trio Gaitan, Lima e Rodrigo, a bola terminou nos pés de Maxi e este serviu Lima, que, desenquadrado, não foi capaz de rematar.

 O relógio avançava sem que as "águias" fossem capazes de dar expressão ao marca-dor e o Sevilha dava a ideia de ser uma equipa cínica, pronta para estragar os pla-nos do Benfica, à procura de terminar um longo jejum de troféus europeus (de 52 anos).

 Já sem Reyes em campo, por troca com Marin (78 minutos), o Benfica intensificou os ata-ques à baliza de Beto, primeiro por Rodrigo (80), depois por Lima (84), que rematou para a defesa da noite de Beto, e ainda por Garay (85), remate de cabeça por cima da barra.

 Com dois minutos de compensação, Garay ainda voltou a atirar por cima, aos 90+2, antes de se esgotar o tempo regulamentar e entrar-se nas contas do prolongamento.

 Jesus mexeu na equipa aos 99 minutos. Cardozo entrou para reforçar o ataque e nova mudança no "xadrez": André Almeida assumiu o lado esquerdo da defesa, com a saída de Siqueira, Maxi voltou ao lado direito e Rodrigo derivou mais para a ala.

 O Sevilha voltou a avisar, num lance em que Ruben Amorim, em desequilíbrio, fa-lhou o corte e Bacca, lançado em correria, rematou com força por cima da barra da baliza "encarnada".

 Poucos minutos depois (104), Emery fez entrar Kevin Gameiro para o lugar de Marin e, aos 109, Diogo Figueiras para o lugar de Vitolo.

 Com o avançar dos minutos no relógio, o Benfica mostrava pouca clarividência na hora de decidir e Jesus ainda apostou em Ivan Cavaleiro para o lugar do "apagado" Gaitán (aos 118), mas tudo se encaminhou para as grandes penalidades.