Passos recusa “usar dinheiro dos contribuintes para pagar falta de ética”

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Passos recusa “usar dinheiro dos contribuintes para pagar falta de ética”

O primeiro-ministro e líder do PSD desafiou  o PS a firmar uma reforma da Segurança Social antes das eleições de 2015, que tenha também o "contributo dos socialistas".

 "Está na altura de dizer ao PS que estamos disponíveis antes das eleições para firmar uma reforma da Segurança Social que tenha o contributo do PS, dado que este é um problema nacional", desafiou Passos Coelho na festa do PSD no Pontal, em Quarteira.

 Garantindo que até às eleições legislativas de 2015 o Governo não avançará com mais propostas para a reforma da Segurança Social, Pas-sos Coelho propôs: "Ganhe quem ganhar as eleições, a seguir a 2015 faremos a reforma da Segurança Social que pudermos acordar daqui até às eleições".

 "Os pensionistas não merecem que todos os anos se esteja a tentar fazer o que os outros não deixam ou não consentem que se faça", frisou Pedro Passos Coelho, que falava na Festa do Pontal, em Quarteira, um dia depois do ‘chumbo’ do Tribunal Constitucional à contribuição de sustentabilidade.

 Sem nunca se pronunciar directamente sobre essa decisão, Passos Coelho lembrou, contudo, que nos últimos anos o executivo de maioria PSD/CDS-PP tentou fazer "várias coisas seguindo orientações definidas por quem tem a capacidade de interpretar a justeza constitucional das lei", nomeadamente o aumento da idade da reforma, a convergência das pensões do setor público para o regime geral da Segurança Social ou a proposta de que uma parte da receita da Segurança So-cial pudesse advir "de um pequeno aumento da TSU e de um pequeno aumento do IVA".

 "Apresentámos uma reforma bastante lata de compromisso, em que aqueles que estão aposentados perderiam uma pequena parte da sua pensão e aqueles que não são pensionistas pagariam a outra parte, entre aqueles que vivem hoje e aqueles que vivam no futuro", recordou.

 Contudo, acrescentou, "há quem diga que isso não é uma verdadeira reforma, há quem pense que só há verdadeiras reformas" se não se mexer nos direitos adquiridos, apenas naqueles que estão em formação.

 "Ou seja, só os jovens e aqueles que estão hoje a começar a sua vida é que podem perder direitos, os outros não podem. É uma estranha forma de ver a equidade, é uma estranha forma de ver a solidariedade", declarou.

 Ainda sobre o desafio que deixou ao PS para um acordo sobre a reforma da Segurança Social, o primeiro-ministro e líder do PSD lembrou os sucessivos apelos do Presidente da República para que os partidos do ‘arco da governação’ cheguem a entendimentos sobre questões de interes-se nacional.

 "O PS no meio da disputa interna em que se encontra, por certo irá encontrar tempo e oportunidade para dizer o que pensa", referiu.

Ao longo do seu discurso na Festa do Pontal, que marca a ‘rentrée’ política dos sociais-democratas, Pedro Passos Coelho em momento algum se referiu o ‘chumbo’ do Tribunal Constitucional aos cortes dos salários do setor público para o período entre 2016 e 2018.