Passos Coelho sugere a emigração aos professores desempregados

0
53
Passos Coelho sugere a emigração aos professores desempregados

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, admitiu ontem, em entrevista ao Correio da Manhã, que os professores portugueses podem olhar para o “mercado da língua portuguesa” como uma alternativa ao desemprego que afecta a classe em Portugal.

 “Em Angola e não só, o Brasil também tem uma grande necessidade, ao nível do ensino básico e secundário, de mão de obra qualificada”, respondeu o primeiro-ministro quando questionado se aconselharia os professores excedentários em Portugal a abandonar a sua zona de conforto e procurar emprego noutro sítio.

 “Sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação. E o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos. Estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem, e portanto nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma, ou consegue, nessa área, fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se, sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa encontrar aí uma alternativa”, disse.

 Se o Estado pode ajudar neste caminho, Passos Coelho respondeu que em “certa medida sim”, referindo os projectos de cooperação, sobretudo ao nível da língua portuguesa, seja em Timor, em Angola, Moçambique ou outros países.
 Estes programas, revelou, podem ser alargados, sobretudo em países com mais recursos disponíveis para os financiar, como o Brasil, Angola, Moçambique ou Timor.

* Líder do PS “chocado” com afirmações de Passos Coelho sobre docents desempregados

 O secretário-geral do PS, António José Seguro, mostrou-se “profundamente chocado” com afirmações do primeiro-ministro no sentido de os professores desempregados emigrarem, considerando Passos Coelho “um primeiro-ministro demissionário”.
 “Significa que é um primeiro-ministro que está demissio-nário, que está passivo e de braços caídos”, disse o líder socialista aos jornalistas em Maiorca, concelho da Figueira da Foz, onde participou num almoço de Natal com militantes.

 António José Seguro frisou que “já não é a primeira vez que o Governo diz que a solução para os desempregados em Portugal é emigrar”.
 Primeiro, “foi um secretário de Estado que o disse”, recordou numa alusão ao secretário de Estado da Juventude, que também sugeriu aos jovens desempregados para procurarem trabalho no estrangeiro.
 “Estamos a falar de professores, jovens nos quais o Estado investiu bastante na sua qualificação. Gente qualificada, com inteligência, que está disponível para dar o seu melhor ao país”, acrescentou.