Passos Coelho diz que União Europeia não pode ser vista como “inimigo externo” pelo Governo

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Passos Coelho

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, rejeitou sábado um discurso que encare as instituições europeias como um adversário e salientou, pelo contrário, que ter contas em ordem é essencial para exigir soluções a Bruxelas.

 “Não é invulgar ouvirmos, nos órgãos de comunicação social, a ideia de que pode haver sanções contra Portugal, agora, por causa das discussões orçamentais; de que pode haver penalizações, confrontação; no seio da maioria diz-se: ‘É preciso resistir a Bruxelas’. O que está a fazer Bruxelas em relação a Portugal que mereça resistência? Pedir que tenha contas em ordem?”, questionou o presidente do Partido Social Democrata (PSD), no encerramento da conferência do partido sobre os “30 anos de Portugal na Europa”.

 O anterior primeiro-ministro realçou, por outro lado, que, “ter contas em ordem é importante para qualquer país eu-ropeu, e a Europa no seu conjunto valerá menos” se todos os Estados não se preocupa-rem com essa componente.

 

* Passos Coelho diz que maioria está a “hipotecar a qualidade das políticas públicas”

 

 O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, acusou a maioria que suporta o Governo de ter uma "atitude arrogante e sobranceira", e de estar a "hipotecar a qualidade das políticas públicas".

 "Hoje, a maioria que decide o destino do país não exibe sinais de tolerância, de pluralismo, de respeito pela liberdade (…). E é por isso que o país precisa muito do PSD", referiu Pedro Passos Coelho durante o jantar que assinala, na Alfandega do Porto, o 42.º aniversário do PSD.

 "Nós estaremos na primeira linha na denúncia desta atitude política arrogante e sobranceira que, em nome do dinheiro público, em nome do Estado, no fundo, o que está a hipotecar é a qualidade das políticas públicas e a possibi-lidade de cada um escolher o que é melhor para si próprio", acrescentou.

 Pedro Passos Coelho vincou por várias vezes, ao longo do seu discurso, que o PSD está "disponível" para todos os portugueses, "independentemente da sua orientação programática ou ideológica".

 "Contarão sempre connosco. Não somos daqueles que amuamos nem fazemos fitinhas. Vi disso durante quatro anos, muitas vezes, no plano político e parlamentar. Nós nunca amuámos quando tivemos a responsabilidade de governar e hoje, que não te-mos, estamos ao serviço dos portugueses, estamos ao serviço de Portugal", disse o também ex-primeiro-ministro.

 Perante algumas centenas de convidados, Passos Coelho voltou a comentar a polé-mica à volta do fim dos contratos de associação com os colégios privados, para reite-rar que a atitude do Governo é "retrógrada".

 "Acham que, desta maneira, estão a beneficiar a política pública e estão a defender o dinheiro dos contribuintes. Nada mais errado. Que forma tão retrograda de ver a política pública e o papel do Es-tado (…). Quem é que tem hoje ainda esta noção arcaica de que as políticas públicas só podem ser prosseguidas por entidades que estejam no perímetro do Estado?", questionou.

 Para Passos Coelho, "só a cegueira ideológica da maioria" explica a medida, pelo que concluiu que esta questão "chega a ser paradoxal, para quem defende o interes-se público".

 Ainda a propósito deste tema, ao referir-se ao ministro da Educação, o líder do PSD ironizou sobre a pasta de Tiago Brandão Rodrigues: "Formalmente ministro da Educação, porque, na prática, começamos a ter dúvidas que seja mesmo ministro da Educa-ção", disse.

 Passos Coelho apontou que "são os alunos mais carenciados que vão pagar a factura", uma vez que esses, disse, "não podem ir para as escolas privadas a quem o Estado poderia pagar um preço mais favorável que aquele que gasta na escola do Estado".

 "Se são os alunos mais carenciados, aqueles que mais podem ser prejudicados, aonde está a justiça social desta decisão? Ver a esquerda radical a ofender os interesses dos mais carenciados, não pode deixar de representar uma ironia que, no entanto, não nos dá grande prazer constatar", referiu.

 Já na recta final de um discurso com recados ao PS, PCP e Bloco de Esquerda, e sempre focado na mensagem de que o PSD está disponível para analisar as políticas públicas, o líder dos sociais-democratas defendeu que "há hoje forças políticas que acham que, em nome das políticas públicas, se pode fazer engolir pela goela abaixo a so-lução que é fabricada por um determinado Governo ou Ministério".

 "Não são os políticos que escolhem pelas pessoas. É cada um de nós que tem o direito a poder escolher o que melhor prefere", vincou.

 

* Cristas diz que o PS está capturado pela agenda da esquerda radical na educação

 

 A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, disse sábado que o PS está “capturado pela agenda ideológica da esquerda radical” que “ameaça” o ensino particular e cooperativo, perguntando quem manda no Ministério da Educação.

 “O que vemos hoje é que o PS se está a deixar levar pela agenda da esquerda radical. Vale a pena perguntar quem é que manda no Ministério da Educação, se é Mário Nogueira, se o PCP, o BE, ou o PS, que sempre teve uma visão mais moderada e conciliadora nesta matéria e sempre reconheceu o serviço público de educação prestado por escolas não estatais”, disse a líder do CDS aos jornalistas, du-rante uma visita à feira quinzenal de Vale de Cambra.

Assunção Cristas reafirmou a preocupação do partido com a “inquietude e ameaça aos contratos de associação ao ensino particular e cooperativo, que presta um serviço público de grande qualidade, em benefício das famílias portuguesas”.

 “Estamos a falar de cerca de 17 mil alunos e 1125 professores que podem ser atingidos por despedimento colectivo e de muitas famílias que não sabem se para o ano vão poder continuar com os filhos na mesma escola”, disse.