Passagem ao Nível 2 de confinamento impulsionará a recuperação da economia sul-africana

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 Após dados publicados na penúltima semana a confirmarem um possível colapso histórico do PIB em 2020, as notícias de restrições atenuadas e a passagem do nível 3 para 2, são uma boa notícia para a economia sul-africana.

  Além da flexibilização das restrições de ‘lockdown’, o presidente Cyril Ramaphosa também anunciou que o governo está a trabalhar com parceiros num programa urgente de recuperação económica que coloca a protecção e a criação de empregos em primeiro lugar.

  No entanto, o Bureau of Economic Research (BER), da Universidade de Stellenbosch, levantou agora a preocupação de que o governo esteja a hesitar sobre os méritos de uma infinidade de propostas de recuperação económica, com pouca acção.

  Um mês inteiro depois de o ANC e um grande grupo empresarial divulgarem seus respectivos planos de recuperação económica a 10 de Julho, uma equipa de trabalho da Nedlac/National Economic Development and Labour Council  está agora a avaliar as propostas e traçar um conjunto de acções prioritárias para a reconstrução económica.

  O BER disse que o tempo é essencial à medida que mais pessoas perdem os seus meios de subsistência e quanto mais o país espera para implementar reformas que estimulem o crescimento, maior será o buraco do qual o país precisará para se livrar.

  “Esta aparente falta de urgência para implementar propostas de política de recuperação é outra razão pela qual, nesta fase, infelizmente esperamos uma recuperação muito prolongada da contracção mais profunda do PIB  desde a depressão dos anos 1930”, disse.

  O grupo desdobrou ainda mais as novas restrições e o que elas significarão para a economia.

 

* RESTRIÇÕES

 

  Todas as restrições às viagens interprovinciais foram suspensas. Isso é importante por uma série de razões, mas especialmente para o sector de restauração duramente atingido. Muitos hotéis, parques de jogos, etc., dependem de turistas de fora de sua província natal.

  De facto, o SANParks/Parques Nacionais da África do Sul, escreveu na sua página de internet, na manhã de domingo, que o seu sistema de reservas online estava a passar por grandes dificuldades técnicas com o aumento, sem precedentes das reservas após o levantamento da proibição interprovincial.

  Mesmo assim, o ambiente ainda estará longe do normal para esses estabelecimentos, pois a proibição de viagens internacionais permanece em vigor.

  Os pontos de venda de bebidas alcoólicas só podem vender para o consumo fora das instalações, de segunda a quinta-feira, das 09h00 às 17h00;

    Restaurantes, bares e tavernas podem operar e vender bebidas alcoólicas para o consumo no local. Porém, isso será com um número restrito e até às 22h00;

  O recolher obrigatório nacional das 22h00 às 04h00 também vai continuar;

  A proibição do tabaco foi igualmente suspensa;

  Reuniões de mais de 50 pessoas ainda são proibidas;

  Visitas familiares e sociais são permitidas, mas não são incentivadas;

  Eventos desportivos são permitidos, mas sem espectadores. Ginásios e centros de ‘fitness’ são autorizados.

 

* SALTO NOTÁVEL DO PIB

 

O maior relaxamento das restrições aumenta a visão de que o terceiro trimestre provavelmente terá um salto notável do PIB após a queda do se-gundo trimestre, de acordo o BER.

  No entanto, há uma visão de que a recuperação do terceiro trimestre não chegará perto de melhorar a produção perdida no segundo trimestre de 2020.

  Além disso, os atrasos administrativos na indenização de indivíduos por perda de renda são outro problema, sublinhou o BER. O período para o qual as pessoas podiam reivindicar o apoio no âmbito do plano Empregador Temporá-rio / Esquema de Auxílio ao Empregado (TERS), terminou no penúltimo sábado.

 

* INDÚSTRIA DO TURISMO

 

 

  Dados publicados pela Statistics South Africa na segunda-feira (17 de Agosto) mostram que a indústria do turismo foi dizimada pelo ‘lockdown’.

 Em termos nominais, o rendimento total da indústria de alojamento turístico diminuiu 95,3% em Junho de 2020 em comparação com o ano anterior.

  Os rendimentos de alojamento diminuíram 94,5% em termos homólogos em Junho de 2020 – resultado da diminuição de 92,3% do número de dormidas reservadas e de uma diminuição de 29,5% do rendimento médio por noite reservada.

  Os principais contribuintes para a redução homóloga de 94,5% no rendimento do alojamento foram:

    Hotéis (-93,9% e contribuindo com -61,9 pontos percentuais); e ‘outras’ acomodações

(-95,2%, contribuindo com -27,3 pontos percentuais).

  A Associação da Cerveja da África do Sul (BASA) disse que a remoção da proibição de venda de álcool foi um acto positivo, mas observou que muitas empresas do sector vão levar tempo para recuperar o período de proibição posta em vigor de 27 de Março a 31 de Maio e 13 de Julho a 18 de Agosto.

  O grupo sublinhou que cerca de 8.000 tavernas licenciadas e 30% das cervejarias artesanais foram à falência durante este período. Acrescentou que a segunda proibição, que entrou em vigor a 13 de Julho, forçou a um adicional de 15% das cervejarias artesanais e milhares de outras tavernas a fecharem definitivamente.

  Além da perda de empregos, as proibições forçaram as cervejarias a cancelar R2,5 bilhões em actualizações de capital e infraestrutura neste ano financeiro; actualmente, está a prever um gasto de R2,1 biliões em 2021.

  A Heineken África do Sul também interrompeu os planos de expansão de 6 biliões de randes em KwaZulu Natal, o que teria criado 400 novos postos de trabalho.

 

* BASA QUEIXA-SE DE PROIBIÇÃO IMEDIATA

 

  “Portanto, é fundamental que nunca tenhamos uma repetição da situação que tivemos a 12 de Julho de 2020, onde foi anunciada uma proibição imediata do comércio legal de álcool – sem que a indústria recebesse qualquer aviso prévio ou oportunidade de se envolver”, Disse BASA.

  “Isso representou grandes desafios logísticos e operacionais para fabricantes e distribuidores de cerveja. O anúncio repentino também colocou uma enorme pressão financeira sobre as empresas que compraram acções, as quais foram impedidas de vender, que tiveram de ser posteriormente descartadas por estar fora do prazo”.