Parceria euro-africana defendida em Tripoli como chave para o futuro pelo presidente da UE

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Parceria euro-africana defendida em Tripoli como chave para o futuro pelo presidente da UE

Parceria euro-africana defendida em Tripoli como chave para o futuro pelo presidente da UEA parceria euro-africana constitui a chave para o futuro, uma oportunidade para o aproveitamento das oportunidades que se abrem ao potencial combinado dos blocos europeu e africano, defendeu a semana passada em Tripoli o presidente da União Europeia (EU).

 “A cimeira de Tripoli é um sinal forte para que a Europa e África colaborem e aproveitem as oportunidades que se lhes oferece, o enorme potencial combinado”, disse Herman Van Rompuy, que intervinha na sessão de abertura de trabalhos da III Cimeira UE/África.
 No mesmo sentido se pronunciou igualmente na oca-sião o presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, que apelou às duas par-tes para que se empenhem em “restabelecer o justo equilíbrio entre a dimensão política e a dimensão ‘desenvolvimento’ na busca e execução de uma estratégia comum”.

 Todavia, importa antes “abolir em definitivo os bloqueios existentes, como os Acordos de Parceria Económica”, que
Jean Ping considerou como “uma questão vital que deve ser removida rapidamente em nome do interesse mútuo”.
 Os Acordos de Parceria Económica foram estabelecidos para substituir o regime comercial que vigorava entre as antigas potências coloniais e considerado incompatível com as regras internacionais ditadas pela Organização Mundial do Comércio.
 Ao longo dos dois dias de trabalhos, seis grandes temas foram debatidos à porta fechada: integração regional, energia e alterações climáticas, agricultura, paz e segurança, governação e direitos humanos e migração e emprego, que deverão integrar um plano de acção (2011-2012) e que define as parcerias prioritárias.

* Parceria euro-africana pode ajudar a combater  crise económica e financeira – Durão Barroso

 A crise económica e financeira a nível global pode ser combatida pela parceria euro-africana, defendeu em Tripoli o presidente da Comissão Europeia.
 José Manuel Durão Barroso, que intervinha na sessão de abertura de trabalhos da III Cimeira UE/África, salientou que a parceria deverá ser feita de acordo com o compromisso assumido na II Cimeira, realizada em 2007 em Lisboa: promover as relações entre África e a Europa, elevando-as para um novo patamar.

 “Nessa ocasião, decidimos ir para além de uma mera relação doador-recipiente, assen-te em conceitos já ultrapassados, e decidimos lançar uma parceria moderna, assente na solidariedade, na igualdade e em interesses comuns”, afirmou.
 A este propósito, Durão Barroso destacou que a parceria euro-africana deve passar pelo “diálogo político que vá além da tradicional questão de apoio ao desenvolvimento”.
 “Nenhum país em desenvolvimento alguma vez se tornou num país desenvolvido somente por via da ajuda externa”, vincou.
 Para concretizar essa parceria, o presidente da Comissão Europeia chamou a atenção para três aspetos: crescimento económico, investimento e criação de emprego.

 Durão Barroso relevou, aliás, o crescimento económico do continente africano, que classificou como “impressionante”, recordando que o rendimento “per capita” cresceu anualmente 6 por cento, entre 2006 e 2008, enquanto que o Investimento Estrangeiro Directo tem vindo a registar “fortes aumentos” desde 2002.
 “A prioridade mais importante para a UE, tal como está definido na nossa estratégia de reforma da Europa 2020, é o crescimento. Esta estratégia refere-se especificamente às relações da Europa com África, e a como podemos traduzir os nossos objectivos políticos em acções concretas durante a próxima década”, frisou.

 Assim, a cimeira de Tripoli ajudou a “identificar soluções sustentáveis para os desafios de hoje”, na perspectiva de, a longo prazo, poder vir a ser criada uma zona económica euro-africana, que integrará 2,5 mil milhões de pessoas em 2050.
 “A nossa relação, a nossa história, os nossos povos e as novas gerações exigem-nos isso. Temos uma responsabilidade colectiva a cumprir”, defendeu.

 Durão Barroso, que interveio em português, inglês e fran-cês, antes de concluir o discurso citou um antigo provérbio africano: “Se queres ir de-pressa, vai sozinho, mas se queres chegar longe, deves marchar juntamente com
outros”.
 “Vamos trabalhar em conjunto pela paz, a democracia e o desenvolvimento”, concluiu.