Papa Francisco fala em terceira guerra mundial e apela à paz para travar loucura bélica

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Papa Francisco fala em terceira guerra mundial e apela à paz para travar loucura bélica

O Papa Francisco afirmou sábado que se pode falar de uma terceira Guerra Mundial na actualidade, que se desenvolve “por partes” entre “crimes, massacres e destruições”, apelando à paz para travar a “loucura bélica”.

 As afirmações foram feitas no cemitério militar de Fogliano Redipuglia, no norte de Itália, onde o Papa se deslocou na manhã de sábado para recordar os mortos da Primeira Guerra Mundial, quando se cumprem 100 anos desde o seu início.

 “Hoje, depois do segundo fracasso de uma guerra mundial, podemos falar de uma guerra combatida por partes, com crimes, massacres e destrui-ções”, afirmou.

 No local, a poucos quilómetros da fronteira com a Áustria e a Eslovénia, encontram-se sepultados 14.550 soldados dos Aliados, dos quais apenas 2.550 estão identificados.

 O Papa Francisco acedeu ao local pela porta principal, onde pode ler-se “Unidos na vi-da e na morte”, tendo rezado uma oração, em privado, em frente ao monumento de ho-menagem aos mortos na Primeira Guerra Mundial, antes de fazer uma deposição de flores para assinalar a data.

 À saída do cemitério, e apesar da chuva, o Papa parou para falar uns minutos com um grupo de crianças que chamavam por ele.

 Depois da visita ao cemitério austro-húngaro seguiu-se uma missa no complexo militar funerário de Redipuglia, onde estão sepultados 100.000 soldados italianos mortos durante o mesmo conflito.

 No local, esperavam-no mi-lhares de pessoas abrigadas com guarda-chuvas, bem co-mo os cardeais de Viena, Christoph Schönborn, e de Zagreb, Josip Bozanic, e bispos da Eslovénia, Áustria, Hungria e Croácia.

coligação internacional contra o Estado Islâmico

O Presidente da República afirmou na sexta-feira que Portugal não deixará de apoiar a coligação internacional contra o Estado Islâmico, mas não é de prever que des-taque forças militares.

 “Portugal não deixará de apoiar essa coligação internacional”, disse Cavaco Silva, em Santarém, onde inaugurou o Museu Diocesano, notando, contudo, que “não há nenhuma decisão neste momento sobre qualquer participação”.

 O Chefe de Estado sublinhou que “Portugal é a favor das situações de paz e de segurança internacional e, portanto, haverá, com certeza, um diálogo” entre os parceiros do país.

 “Mas esses assuntos come-çam sempre por passar pelo Conselho Superior de Defesa Nacional e não estou a prever que Portugal venha a desta-car forças militares para participar nessa coligação”, adiantou, acrescentando que “é um assunto que não está, neste momento, sobre a me-sa”.

 Cavaco Silva considerou que é uma "situação extremamente complexa e grave" a que ocorre "no espaço da Síria e do Iraque, onde têm sido cometidos crimes horríveis”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, afirmou na quinta-feira que Portugal ainda não tomou uma decisão sobre pertencer a uma coligação internacional de combate ao autoproclamado Estado Islâmico, mas garantiu que o Governo apoia uma eventual intervenção.

 "Uma coligação tem o apoio do Estado português, porque concordamos que este tipo de terrorismo não se pode combater apenas com meios militares, mas eles têm que ser utilizados. Sempre que conquistam uma cidade matam civis e violam mulheres. A contenção imediata não se pode fazer com diálogo", disse o ministro, durante uma visita ao Montijo.

O governante referiu ainda este é um "género de terrorismo complexo e difícil de combater".

 "Compreende-se que o presidente Obama tenha, nestas circunstâncias muito especiais, pedido uma coligação para encontrar as formas de combate mais adequadas. Portugal está de acordo, apesar de não ter ainda nenhuma decisão, até porque não temos meios que facilmente vão tão distantes", salientou.

 Rui Machete referiu que é importante analisar as condições: "Não temos nenhuma decisão tomada, mas estamos de acordo. Temos que ver as condições em que as operações se processam, mas estamos de acordo porque isso é do nosso interesse e do interesse da humanidade".

 O chefe da diplomacia disse ainda que o autoproclamado Estado Islâmico representa um tipo de terrorismo novo, que não pretende destruir Estados, mas constituir-se ele próprio num Estado.