“Os portugueses são sempre bem-vindos” – diz novo cardeal luxemburguês

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 O arcebispo do Luxemburgo, país onde vivem 95 mil portugueses, disse que estes “são sempre bem-vindos” e defendeu que a Europa, “instrumento de paz”, deve dar mais atenção ao impacto da sua economia no ambiente.

 “Os portugueses são sempre bem-vindos, fazem parte da minha Igreja”, afirmou Jean-Claude Höllerich aos jornalistas no Vaticano, onde criado cardeal, numa lista de 13 onde figura o português Tolentino Mendonça.

 A comunidade estrangeira mais numerosa do Luxemburgo é a portuguesa. Dados de Janeiro de 2019 indicam que cerca de 95 mil portugueses, cerca de 15% da população total, residem no Grão-Ducado.

 Questionado sobre uma eventual visita do Papa Francisco ao país, Jean-Claude Höllerich lembrou que o Luxemburgo, onde residem cerca de 600 mil pessoas, “não é exatamente uma periferia”.

 “Há muitos outros sítios onde o Papa deverá ir, em primeiro lugar”, declarou o arcebispo e o actual presidente da Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia.

 Quanto à União Europeia, que se prepara para a saída de um dos seus Estados-membros, o Reino Unido, Jean-Claude Höllerich entende que o seu futuro está de-pendente da capacidade de “salvaguardar a democracia”, pois, caso contrário, “os popu-lismos e as suas falsas promessas irão voltar”.

 O arcebispo do Luxemburgo defendeu, por outro lado, maior atenção ao impacto que a economia europeia produz, em termos ambientais, no resto do mundo, perguntando que consequências tem o dinheiro da Europa.

 “Agora vamos ter um Sínodo para a Amazónia. A Europa é muito idealista, mas as finanças da União Europeia, o di-nheiro da Europa, onde estão? O que provocam no mundo?” – questionou.

 O Papa Francisco anunciou um sínodo especial sobre a Amazónia a 15 de Outubro de 2017, que arrancou no penúll

timo domingo e termina no dia 27. Tem como tema “Amazónia: Novos caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral”.

 Em Janeiro seguinte, o pontífice argentino, de 82 anos, vi-sitou Puerto Maldonado, no sudeste do Peru, cercado pela selva amazónica, onde criticou “a forte pressão dos principais interesses económicos, que cobiçavam petróleo, gás, madeira, ouro, monoculturas agroindustriais”.

 Antes, na sua encíclica “Laudato si”, “Sobre o Cuidado da Casa Comum” (Maio de 2015), Francisco refere-se à Amazónia como um dos pulmões do planeta repletos de biodiversidade, considerando que a importância deste e de outros lugares “para o conjunto do planeta e para o futuro da humanidade não se pode ignorar

 A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.

 Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

 Em Agosto foi fustigada por numerosos incêndios, tendo o Papa se manifestado “inquieto” com a situação, considerando que esta floresta é “um pulmão vital” para o planeta.