OMS nega conflito de interesses na gestão da pandemia da gripe A

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Organização Mundial de Saúde

Organização Mundial de SaúdeA Organização Mundial de Saúde (OMS) negou, em comunicado, a existência de um conflito de interesses na gestão da pandemia da gripe A (H1N1), garantindo que o organismo não sofreu “uma influência imprópria” por parte das farmacêuticas.

A posição da OMS foi divulgada na véspera de uma audição pública sobre o assunto, realizada à margem da assembleia parlamentar do Conselho Europeu, em Estrasburgo.
 Nas últimas semanas, a OMS tem recebido fortes críticas de diversos sectores, que alegam que a entidade sanitária mundial exagerou na gestão da pandemia.

 A 14 de Janeiro, o presidente da comissão de Saúde da assembleia parlamentar do Conselho da Europa, Wolfgang Wodarg, apresentou uma moção para investigar a eventual existência de conflito de interesses entre a Organização Mundial de Saúde (OMS) e as farmacêuticas.
 Wodarg declarou na altura que se assistiu “ao maior escândalo médico do século” e acusou a OMS de ter “relações impróprias” com as empresas do sector farmacêutico.

 No comunicado, ora divulgado, a OMS assegurou que as suas decisões “não sofreram uma influência imprópria por parte da indústria farmacêutica”.
 “Existem numerosos mecanismos de vigilância para gerir os conflitos de interesses entre os membros dos grupos consultivos da OMS e os especialistas dos comités”, esclareceu o organismo.
 A OMS explicou ainda que “os assessores entregam uma declaração de interesses na qual descrevem detalhadamente qualquer interesse profissional ou financeiro que possa afectar a imparcialidade dos respectivos conselhos”.

 Na mesma nota, a organização precisou que a declaração da pandemia foi sustentada, entre outros factores, em análises laboratoriais, que mostraram na altura que o vírus H1N1 era muito diferente dos outros vírus gripais e podia provocar sintomas graves ou a morte.
 A entidade destacou ainda que a propagação do vírus foi “excepcionalmente rápida”, um sinal claro de que “o mundo estava a atravessar uma verdadeira pandemia”.

 Nesse sentido, a OMS considerou as acusações sobre a veracidade da pandemia erradas e irresponsáveis, mostrando-se disponível para um processo de avaliação de desempenho.
 A ideia de uma avaliação já tinha sido mencionada anteriormente pela OMS, mas os responsáveis pela organização nunca especificaram os pormenores do processo.
 A gripe A (H1N1) provocou a morte de 14.142 pessoas em todo o mundo desde que surgiu no México em Março/Abril de 2009, indicou o último balanço da OMS, divulgado sexta-feira.