Old Mutual regressa à Bolsa de Joanesburgo com o ramo de negócios financeiros no valor de onze biliões de dólares

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 A multinacional financeira anglo-sul-africana Old Mutual Plc anunciou o regresso à África do Sul ao listar na bolsa de valores de Joanesburgo o seu ramo de negócios financeiros em África no valor de 11 biliões de dólares americanos, numa iniciativa que visa completar uma mega reestruturação da empresa.

 O grupo, com um historial de 173 anos desde a sua fundação em 17 de Maio de 1845 no Cabo, África do Sul, tem vindo a simplificar a estrutura de conglomerado criada na sequência de uma série de aquisições que envolveu a transferência de sede para Londres, em 1999, onde se listou na bolsa de valores da capital britânica.

 O director-geral Bruce Hemphill iniciou o processo de reestruturação em 2016 afirmando que os quatro principais ramos de negócio da multinacional – uma entidade gestora de fundos financeiros nos Estados Unidos, uma divisão de serviços financeiros em África e um banco sul-africano – seriam mais lucrativos como entidades separadas.

 A Old Mutual Ltd, a entidade financeira para África da Old Mutual Plc, listou na passada terça-feira na bolsa de valores de Joanesburgo cerca de 5 biliões de acções, escreveu a agência britânica Reuters. As acções foram vendidas a 29.39 randes a unidade durante a sessão, valorizando a empresa em cerca de 145 biliões de randes [$10.7 biliões].

 De acordo com a Reuters, a Old Mutual Ltd, que agora é a entidade-mãe do que resta da Old Mutual Plc, manterá uma presença na bolsa de valores londrina com listagens secundárias nas bolsas de valores do Malawi, Namíbia e Zimbabwé.

 Centenas de funcionários da Old Mutual Ltda, com vuvuzelas de cor verde e tambores, festejaram nas ruas de Joanesburgo o acontecimento.

 “A nossa entrada na bolsa de valores como entidade independente, permite-nos valori-zar o investimento dos accionistas e criar um ramo de negócio com um foco estratégico na África sub-saariana”, disse o director executivo da Old Mutual Ltda, Peter Moyo.

 A Old Mutual, que foi a primeira sociedade mutualista com 166 membros a ser criada na África do Sul, no século 19, havia já vendido a sua entidade norte-americana de gestão de fundos financeiros e na segunda-feira listou também, mas em separado, o ramo de investimentos no Reino Unido, com a nova designação ‘Quilter’.  

 Segundo a Reuters, a reestruturação do grupo anglo-sul-africano reflecte a tendência global dos conglomerados multinacionais em simplificarem os seus ramos do negócio, por vezes em resposta à pressão exercida por investidores actvistas.

 A norte-americana General Electric anunciou terça-feira a venda das suas actividades de negócio no ramo da Saúde e de uma participação na firma petrolífera Baker Hughes, para se concentrar no fabrico de motores aeronáuticos, unidades industriais de energia e nas renováveis.

 “Com esta reestruturação a Old Mutual oferece opções independentes de investimento através um veículo dedicado puramente aos mercados emergentes e outro que é puramente UK (Reino Unido)”, destacou Michael Treherne, gestor de fundos financeiros da Vestact.  

 De acordo com a Reuters, a sede do grupo em Londres será igualmente reestruturada ainda este ano – de um total de 120 funcionários, a multinacional vair reter 40 –  e o braço corporativo em África da Old Mutual irá vender parte da sua participação de 53 por cento no Nedbank, retendo cerca de 20 por cento naquele que é o quarto maior banco da África do Sul.

 O Nedbank é uma das quatro entidades seleccionadas pelo Governo português, à compra do Mercantile Bank, o banco da Caixa Geral de Depósitos (CGD) na África do Sul, segundo informação publicada no dia 15 de Junho, em Lisboa, em Diário da Repúbica.