O ser português significa ser da melhor fibra que há!

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O ser português significa ser da melhor fibra que há!

Este ano, o dia 22 de Maio marcará o décimo oitavo aniversário da abertura da “Ex-po ’98”. Ora, a que propósito é que isto vem? Bem, estava eu uma bela tarde depois de sair do serviço, a “navegar” no sítio da Internet “YouTube”, onde vários vídeos e filmes são postados e, numa das pesquisas relacionadas com o tema de “Portugal” onde eu estava a matar saudades da pátria, uma das “sugestões” que me foi feita pelo “YouTube” foi justamente um vídeo sobre a Exposição Mundial de Lisboa 1998, oficialmente designada como “Exposição Internacional de Lisboa de 1998” ou simplesmente a “Expo 98” como é mais popularmente conhecida.

 Ora, cliquei nos ditos vídeos – porque com o “YouTube” nunca é apenas um – e voltei a maravilhar-me com a maior e mais bela exposição mundial de sempre que foi feita por portugueses e em Portugal!

 Lembro-me perfeitamente da Expo’98 – como se fosse ontem – e foi algo verdadeiramente maravilhoso porque para mim, um recém-adolescente de 13 anos de idade, o Parque dos Oceanos, local onde ocorreu a exposição, era um mundo fantástico e mágico.

 Milhões de portugueses e estrangeiros ocorreram ao que é hoje o “Parque das Nações”, os números oficiais apontam 11 milhões de visitantes, o que pode ser traduzido num número superior à população de Portugal. A zona escolhida para o recinto da exposição foi a antiga Doca dos Olivais, onde também atracavam hidroaviões.

 No final dos anos oitenta e princípios da década de noventa, aquela era uma zona urbana fortemente degradada. Os cinquenta hectares eram local de fábricas altamente poluentes e industrias pesadas, matadouros, zona de despejo de entulho e lugar de acumulação de contentores velhos. Basicamente, uma enorme e repugnante fossa a céu aberto!

 A transformação que teve lugar naquela zona de Lisboa foi inacreditável, com os sistemas de água, zona ribeirinha, solos e de mais coisas, a serem recuperadas. De notar que o solo daquela área continha metais pesados e elementos radioactivos, bem como forte presença destes nas águas.

 Hoje, quem passeia por aquela zona nem se dá conta da transformação e do pro-cesso de salvação da qual foi alvo aquela parte da capital portuguesa. A única coisa que ficou, como lembrança do que era aquela zona e mostra o contraste do que é hoje, foi a torre da refinaria da Petrogal.

 É preciso notar, que os organizadores e responsáveis por este projecto, tiverem um enorme cuidado para que o que aconteceu em Sevilha com a Expo’92 não se repetisse, portanto todos os equipamentos do recinto foram desenhados para desempenharem outras funções e serem polivalentes.

 Ao mesmo tempo que se estava a construir a Expo’98, foram lançadas grandes obras públicas que são hoje referencias arquitectónicas e de engenharia a nível mundial, falo claro da Ponte Vasco da Gama, da estação de comboios e metropolitano, autocarros e táxis que é a Gare do Oriente e uma nova linha de metropolitano que liga S.Sebastião da Pedreira no coração de Lisboa àquela zona junto ao Tejo.

 Foi para celebrar os 500 anos dos Descobrimentos que a ideia nasceu e veio da cabeça de António Mega Ferreira e de Vasco Graça Moura. Não foi uma brincadeira, foram obras que ficaram para gerações futuras. A exposição em si foi a melhor de sempre, subordinada ao tema “os Oceanos: um património para o Futuro”, foi montra da relação do planeta e de todos os países com os “Sete Mares”.

 O parque estava dividido em duas partes, a área Internacional Norte e a Sul, referencia aos Hemisférios do planeta. No Sul, a minha paixão e prazer foi ver o pavilhão da África do Sul, minha terra natal. A relação estreita e única entre Portugal e a África do Sul, todos os recursos e possibilidades marinhas que oferece e claro, a forte herança e história dos Descobrimentos Portugueses. Tema este aliás, muito forte e que serviu de fio condutor a toda a exposição. Lembro-me com especial carinho do Pavilhão de Macau, então ainda colónia portuguesa.

 Passear pela Expo’98 era o mesmo que passear num livro de história, da gloriosa e magnifica história e contributo de Portugal ao Mundo e à Humanidade, coisas aliás que estávamos a aprender na escola. Foi uma obra similar aos próprios Descobrimentos, algo grandioso e muito, muito especial.

 A mascote, o “Gil” reflecte esse mesmo tema, o nome em homenagem ao navegador Gil Eanes. Ainda temos lá em casa os nossos bilhetes, diários e passes ilimitados, que na altura o meu avô perdeu a cabeça e gastou cinquenta contos na altura por cada passe ilimitado. Mas como diria a minha avó, “uma vez não são vezes” e valeu bem a pena.

 Pavilhões vários como o do Futuro, Conhecimento dos Mares e claro, o maior aquário do Mundo, o Oceánario de Lisboa, o então denominado Pavilhão dos Oceanários, que contém animais de todos os mares. Ainda hoje, é uma das fortes atracções turistas de Portugal.

 Pavilhões como o dos Açores e Madeira e o de Portugal, mostraram ao planeta quem somos e do que somos feitos. Anos mais tarde, em 2004, mostrámos ao mundo outro aspecto do nosso carácter: a paixão. Paixão por futebol e por fazer uma coisa bem feita. Falo claro, do Euro 2004. Ainda hoje é uma referência para a FIFA e para a UEFA e responsáveis do Mundial 2010, estiveram em Portugal para aprender e ver o que de melhor oferecemos ao “des-porto-rei”.

 Estádios revolucionários, como o de Braga, inovadores como o do Algarve e simplesmente imponentes como o Estádio da Luz. Novamente, o país arregaçou as mangas e quando o trabalhado estava completo, viu-se a obra e o Mundo adorou-a! O marketing foi do melhor e conseguiram através do seleccionador, en-redar o país em torno da se-lecção e mais importante, da bandeira.

 Era rara a casa ou apartamento que não tivesse uma bandeira de Portugal pendurada na janela. Em termos tecnológicos foi um cam-peonato pioneiro, na venda e emissão de bilhetes, em termos de segurança e no que respeita também à organização.

 Isto porque foi o primeiro campeonato europeu em que a federação do país e a UEFA colaboraram em todos os aspectos do evento. Foi um mês brutal que deu outro sabor ao Verão naquele ano, a segurança foi da melhor mas também os adeptos todos porta-ram-se muito bem.

 Foi uma altura em que quando Portugal jogava e marcava golo, era um abraço aqui, um abraço ali, abraços a toda a gente e abraçava quem nunca vi. Camisolas, cachecóis, bandeiras, tudo esgotou!

 Lindo e uma imagem única foi a procissão de barcos, pescadores e pessoas que seguiram no dia da final Portugal, desde Alcochete até ao Estádio da Luz. Nunca se tinha visto um tal apoio e euforia pelo nosso país.

 Ainda hoje, quando recordo esses momentos, não posso deixar de evitar umas lágrimas que vêm seu eu querer! Julgo que com estas duas grandes obras, foram a meu ver, mais duas epopeias tal como os Descobrimentos. Feitos que mais ninguém fez e que mais tarde apenas podem ser imitados.

 Redescobrimos, tanto com a Expo’98 como com o Euro 2004, o brilho e o orgulho da nossa Nação. Um povo espalhado pelos cinco Continentes que é capaz de proezas únicas, um povo que é capaz do extraordinário.

 A poeira da revolução, o legado da ditadura, as constantes crises económicas, sociais e políticas ofuscaram a luz de Portugal, que não têm igual no Mundo. Quando o avião sobrevoa Lisboa e se vislumbra a Ponte 25 de Abril, o Cristo-Rei de braços abertos e as sete colinas da capital, só quem não sabe o que é, é que não se arrepia.

 É verdade que temos muita preguiça, perde-se muito tempo a discutir inanidades e a política absorve muitas das energias vitais ao povo, que a maior parte do tempo anda cabisbaixo a olhar para os sapatos e com o chapéu na mão, num tom de “desculpe sôtor, qualquer coisinha!”

 Não, caramba! Somos uma gente que deu novos Mundos ao Mundo, que da poesia canta os seus feitos e tem mais património material e imaterial da Humanidade do que aquele que pode contar.

 Em Portugal por vezes levamos tempo a levantar a cabeça, mas quando o fazemos o Mundo toma nota. E disto tudo só posso tirar uma conclusão, de entre o coração in-suflado de orgulho e patriotismo e por entre as lágrimas de emoção, ante a grandeza de Portugal: ser Português é muito, muito especial e é bom que se tenha consciência e orgulho disso! Amo-te Portugal!

MICHAEL GILLBEE