O pior que se pode fazer é ignorar que a emigração existe e atravessa um dos maiores picos de sempre

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O pior que se pode fazer é ignorar que a emigração existe e atravessa um dos maiores picos de sempre

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, afirmou sexta-feira que o pior que se pode fazer é ignorar a existência do fenómeno da emigração nacional, que atravessa um dos maiores picos de sempre.

 “O pior que podemos fazer é fazer de conta de que ela não existe”, afirmou o secretário de Estado durante uma sessão de esclarecimento a trabalhadores do sector da construção sobre “Trabalhar no Estrangeiro” no Marco de Canavezes, no âmbito da campanha desse mesmo nome feita em parceria com o Sindicato da Construção de Portugal, com a Segurança Social e com as autoridades laborais.
 Perante uma plateia de mais de 20 pessoas, José Cesário reconheceu que se está a assistir a “uma das maiores ondas de emigração de sempre”, lembrando, ainda assim, que “o português sempre emigrou”, citando os 30.000 cidadãos que saíram do país durante os primeiros anos da década de 1990, momentos de crescimento económico.
 José Cesário alertou para os riscos que qualquer emigrante corre, conhecendo o secretário de Estado “alguns a quem aconteceram coisas inimagináveis”, não só no sector da construção, mas também na agricultura, hotelaria e outros.
 O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas apelou a que as pessoas se informassem antes de sair do país e admitiu que há falhas no atendimento em países estrangeiros: “Há consulados que são actuantes, mas outros? Que Deus nos ajude!”
Segundo José Cesário há hoje 92 câmaras municipais com gabinetes de apoio ao emigrante, que podem dar apoio aos trabalhadores que estiveram no estrangeiro de modo a que possam reclamar as reformas a que têm direito pelos anos passados no exterior.
Quando interpelado por um membro do público, um trabalhador de 58 anos que pe-diu ao Governo mais esforços para trazer até aos desempregados as ofertas de trabalho no estrangeiro, José Cesário deu os exemplos de “dezenas largas” de enfermeiros que foram para França e Alemanha e o caso “estranho” de centenas de aplicadores de estores pedidos pela Suíça ainda no mês passado.
 Por outro lado, também se dá o caso contrário, como o do Luxemburgo, de onde chegou o pedido para que se passe a palavra: “Não venha para cá mais ninguém”.

* Madeira: Ex-emigrantes e luso-descendentes estão a regressar à Venezuela
          
 A cônsul interina da Venezuela na Madeira diz que se registou este ano um aumento de 40% nos pedidos de vistos de ex-emigrantes e luso-descendentes que optaram por regressar àquele país em comparação com o ano passado.
 Mariela de Gouveia adiantou à Lusa que o número de trâmites de vistos naquele consulado no Funchal aumentou de nove em 2011 para 23 no primeiro trimestre deste ano, enquanto na emissão de passaportes, comparando o mesmo período, se registou um crescimento de 175 para 215.
 “Estes indicadores permitem falar de um aumento de trâmites consulares na ordem dos 40%”, sublinhou.
 Admitindo que o retorno dos luso-descendentes está a causar “alguma preocupação”, a diplomata salientou que muitos destes cidadãos, “porque gozam de dupla nacionalidade, decidiram voltar a emigrar não só para a Venezuela, como outros estão a tomar outras opções, como consequência da crise”, escolhendo outros destinos, casos do Reino Unido e de Moçambique.
 “Mas podemos avaliar pelo aumento percentual dos pedidos de vistos, por grupos familiares, que é um indicador de que a população lusa está em grande parte regressando à Venezuela”, adiantou.
 Para Mariela de Gouveia, “a situação que maior peso tem nesta decisão é o desemprego e muitos dos agregados familiares, em que um dos elementos é natural da Venezuela, deixaram lá familiares que agora estão dispostos a estender a mão e a ajudar”.
 No princípio do ano os pedidos para regressar eram “sobretudo do cabeça de casal, mas como em junho acabaram as aulas, o período escolar, aparecem mais casos de famílias que querem partir, pelo que assistimos à emigração em grupo”, adiantou a cônsul interina na Madeira.
 A diplomata sublinhou que os vistos são válidos apenas por um ano, devendo os cidadãos regularizar a sua situação junto das autoridades na Venezuela.
 “Estas pessoas vão em busca de outras oportunidades”, afirmou, admitindo que o número até possa aumentar, sobretudo depois das eleições presidenciais na Venezuela, que se realizam a 17 de Outubro de 2012, tendo em conta “os comentários que as pessoas fazem, revelando que estão expectantes para tomar esse tipo de decisão”.
 Confrontado com a situação, o presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, considerou que este retorno de ex-emigrantes e luso-descendentes que haviam regressado à Madeira se deve a “escolhas pessoais”.
 Por seu turno, o responsável pelo Centro das Comunidades Madeirenses, Gonçalo Nuno dos Santos, afirmou à Lusa que se regista “uma maior procura de informação” por parte das pessoas que pretende emigrar.
Gonçalo Nuno dos Santos salientou que aqueles serviços têm por responsabilidade “alertar para os perigos de embarcar numa emigração não planeada”, mas que, “fora o apoio informativo, não controla as situações” dos que decidem deixar a região.