O conhecimento local pode ser combinado com os avanços tecnológicos à disposição de Portugal

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É minha convicção que no âmbito económico o conhecimento local pode ser combinado com os avanços tecnológicos à disposição de Portugal

John da Silva, administrador do Grupo Cosira – uma das maiores empresas de engenharia metalo-mecânica da África do Sul e com projectos em vários países do continente africano com uma mão de obra de cerca de 2.500 trabalhadores -, contactado pelo Século de Joanesburgo/Diário de Notícias da Madeira sobre o I Encontro de Gerações que o Banif promove a 3 de Março na África do Sul, com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, dr. Paulo Portas, respondeu assim ao inquérito:

 – Qual a importância da realização na África do Sul, com uma representativa comunidade portuguesa, de uma iniciativa congregadora como é o I Encontro de Gerações?
  “Eu creio que a iniciativa I Encontro de Gerações na África do Sul, onde vive uma tão larga população histórica de luso-descendentes é vital para, em primeiro lugar, cimentar laços mais estreitos entre Portugal e a África do Sul num nível político, económico e social; e, em segundo lugar, desenvolver um entendimento de ambições, oportunidades e desafios que enfrenta a comunidade emigrante portuguesa na África do Sul, que tem mantido sempre fortes raízes culturais na preservação da nossa herança portuguesa. É importante couraçar com sustentabilidade estas iniciativas de modo a facilitar futuros foruns onde podem ser desenvolvidas e exploradas oportunidades para benefício de ambas as comunidades”.

 – Como acha que as autoridades portuguesas deveriam olhar para as legítimas aspirações e pretensões da comunidade portuguesa da África do Sul?
  “Eu penso que as autoridades portuguesas deveriam dedicar tempo para comprender plenamente tanto as aspirações como as necessidades da grande comunidade luso-africana porque a África do Sul, em particular, tem uma população luso-descendente vibrante e de sucesso em muitos sectores da nossa indústria que imprimiu uma marca indelével não apenas na África Austral mas também em muitos outros países do continente africano. É minha convicção que num âmbito económico o conhecimento local pode ser combinado com os avanços tecnológicos à disposição de Por-tugal e da vasta comunidade europeia para criar comandos de vantagem competitiva para a nossa comunidade.

A nível social será de grande alcance se pudermos reforçar e desenvolver posteriormente um senso de identidade cultural na presente e futuras gerações, isso só poderá ser conseguido criando novos e consolidando e apoiando os actuais centros de formação e recreio na África do Sul”.
 – Face ao conhecimento que tem da África do Sul, considera que Portugal tem feito tudo que está ao seu alcance para manter uma relação ideal com este grande país?

  “Pessoalmente não tenho sido exposto a tantos acordos entre Portugal e a África do Sul quer num nível político quer sócio-eco-nómico, no entanto, eu considero que muito mais pode ser feito para explorar as vantagens que Portugal tem em possuir uma tão larga população luso-descendente na África do Sul como seja desenvolvendo e apoiando a criação de estruturas nomeadamente a Câmara de Comércio Portuguesa-Sul-Africana onde a ‘opinião de líderes de negócios’ de ambos os países tenham um forum para colaborar efectivamente”.