Novos acordos entre Portugal e a Venezuela rondam os 800 milhões de euros

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Novos acordos entre Portugal e a Venezuela rondam os 800 milhões de euros

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, revelou em Caracas que os novos acordos assinados com a Venezuela rondam os 800 milhões de euros, destacando que os trabalhos da Comissão Mista de Acompanhamento Bilateral decorreram com “o pé direito”.

 “Assinámos um conjunto de contratos cujo valor potencial não será inferior a 800 milhões de euros e que abrangem quer no sector da fileira agro-alimentar, quer no sector das telecomunicações e electricidade, quer no sector de tecnologias de educação”, disse, ao referir-se aos cinco acordos estabelecidos.

 Para o Ministério dos Negócios Estrangeiros a reunião da Mista de Acompanhamento Bilateral (Cmab) serviu também “para resolver alguns temas pendentes, nomeadamente alguns atrasos de pagamentos que às vezes colocam problemas de tesouraria às empresas, nomeadamente no setor farmacêutico mas não só”.

 “Resolveu-se o que havia a resolver e há uma agenda muito importante para a Comissão Mista em Lisboa, a 18 de Junho”, frisou, fazendo alusão à segunda parte dos trabalhos que terão lugar no próximo mês em Portugal.

 Em declarações à Agência Lusa e à RTP explicou que estão sobre a mesa novos “projectos” para concluir em Lisboa, “na área da construção de habitação, tanto na área social como para a classe média, na área das energia, da eletricidade e do melhor funcionamento da rede eléctrica na Venezuela, ligados às energias alternativas, de desenvolvimento, de fornecimentos na área alimentar, onde as nossas exportações são muito fortes”.

 Frisou ainda que estão em negociações projectos para a “instalação de fábricas, por exemplo, para matérias de construção, cerâmicas e

outros, na área de turismo pela primeira vez, também em sectores das indústrias da cultura”.

 “Tem aqui alguns exemplos de uma agenda muito preenchida que os dois governos e sobretudo as empresas vão trabalhar até Lisboa e eu penso que começámos com o pé direito e vamos continuar em Lisboa”, frisou.

 Paulo Portas voltou a insistir que as relações bilaterais entre Portugal e a Venezuela são “uma prioridade” na política externa portuguesa.

 “É mesmo uma prioridade, desde logo porque estão aqui 400.000 portugueses e o nosso primeiro dever é fazer tudo para que eles sejam bem tratados. Depois porque há centenas de empresas a tratar este mercado e a Venezuela é o nosso segundo maior cliente na América Latina”.

 “Num só dia de trabalho, assinar contratos na ordem dos 800 milhões de euros como valor potencial, e ter uma agenda que se cifra em valores muito elevados que vamos tentar fechar total ou parcialmente em Lisboa, significa oportunidades para as empresas portuguesas ganharem aqui mercado, defender postos de trabalho em Portugal, conseguir no mercado externo aquilo que está mais difícil no mercado interno”, disse.

 Frisou ainda que “isso também permite, como em vários sectores se vai notar, que empresas portuguesas se juntem a empresas venezuelanas e tentem ganhar os mercados regionais aqui à volta”.

 “A todos os títulos, manter esta boa relação com a Venezuela é importante. Trazer mais empresas para a Venezuela ainda é mais importante, e isso implica uma regra sem quebra, respeito pela soberania de cada país”, concluiu.

 

* Presidente da Venezuela envia mensagem de “amizade” a lusos  e elogia cooperação bilateral

 

 O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou  uma mensagem de “carinho e amizade” à comunidade portuguesa radicada no país, ao mesmo tempo que elogiou a cooperação bilateral.

 “Muito trabalho. Trabalho todo o dia. Primeiro demos as boas vindas a Paulo Portas, o nosso amigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal e através dele enviando uma mensagem de amizade, de carinho, a toda a comunidade portuguesa aqui na Venezuela, que como se sabe estão em todo o país, todos os Estados (regiões), sempre trabalhando, sempre disciplinados, com o seu trabalho muito produtivo”, disse.

 Nicolás Maduro falava aos jornalistas no âmbito de um encontro com Paulo Portas, que teve lugar no palácio presidencial de Miraflores, na sequência dos trabalhos da 8.ª reunião da Comissão Mista de Acompanhamento Bilateral, Portugal – Venezuela.

 Explicou que “foi tremenda a jornada que teve o ministro dos Negócios Estrangeiros (venezuelano), Elias Jaua com a equipa da Comissão Mista”.

 “Portugal e a Venezuela (estão) unidos no desenvolvimento económico, na cooperação comercial, energética, industrial, tecnológica, financeira. Trabalhando juntos, Portugal e a Venezuela, estamos (praticamente) no mesmo continente, só nos separa o mar das Caraíbas e o Atlântico, mas no final somos os mesmos, estamos irmanados”, disse.

 

* Paulo Portas visitou túmulo de Hugo Chávez, “amigo de Portugal”

 

 O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas, iniciou a sua deslocação à Venezuela com uma visita ao Quartel da Montanha, em Caracas, onde re-pousam os restos do falecido Presidente venezuelano Hugo Chávez, um “amigo de Portugal”.

 “Quis fazer aqui uma visita porque, como é sabido em todo o mundo, seja qual for a perspectiva doutrinária, o Presidente Chávez teve muita relevância na política da América Latina e como eu disse no dia da sua morte, foi amigo de Portugal. Este é um gesto que tem esse significado”, disse Paulo Portas a jornalistas.

 O chefe da diplomacia portuguesa encontrava-se em Caracas numa visita de dois dias.

 Paulo Portas disse que teve “a sorte de trabalhar muito de perto” com o então ministro das Relações Exteriores e agora presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

 “Conhecemo-nos no Peru há dois anos e fizémos muitos esforços em comum. A nossa relação é muito pragmática, muito directa, muito focada”, disse.

 Vincou ainda que “Portugal e a Venezuela podem ajudar-se mutuamente, não só porque há aqui muitos portugueses que são respeitados, e nós queremo-los respeitados, mas também porque muitas empresas fazem parcerias com empresas venezuelanas”.

 “Há muitos setores a nossa relação económica está a crescer muito e isso é uma prova de confiança”, frisou Paulo Portas.