Novo Presidente interino do Zimbabwé promete relançar a economia e combater a corrupção

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Emmerson Mnangagwa prometeu na sexta-feira promover o investimento estrangeiro e combater a corrupção, no discurso de tomada de posse como Presidente provisório do Zimbabwé.

“A cultura do governo tem de mudar e tem de mudar imediatamente”, disse o novo Presidente, referindo-se aos 37 anos de poder do seu antecessor, Robert Mugabe.

Mnangagwa, 72 anos, líder da ZANU-PF desde o penúltimo domingo, tomou posse na sexta-feira como Chefe de Estado num estádio de Harare prometendo lealdade à Constituição e à República do Zimbabwé.

Após o juramento, o Chefe de Estado provisório disse que está empenhado em relançar a economia do Zimbabwé e procurar investimento para o país, que se encontra em crise profunda e sujeito a sanções internacionais.

O novo Presidente prometeu indemnizar os agricultores que perderam as terras depois das decisões de Mugabe e que provocaram a instauração de sanções económicas internacionais contra o Zimbabwé.

Mesmo assim, não forneceu detalhes sobre assunto limitando-se a dizer que as medidas que foram tomadas sobre as terras e os agricultores “não podem ser alteradas”.

Emmerson Mnangagwa afirmou também que vai respeitar a realização de eleições “democráticas” marcadas para 2018 acrescentando que o país vai conseguir “renovar-se” após os 37 anos de Robert Mugabe no poder.

O novo chefe de Estado frisou que o “país não deve permanecer refém do passado” apesar de ter afirmado que o Zimbabwé deve prestar “tribu- to” a Robert Mugabe, numa parte do discurso que não foi aplaudida pelos milhares de pessoas que se encontravam presentes no estádio, onde decorreram as cerimónias.

Mnangagwa acrescentou que aceita o poder de forma “profundamente humilde”, após a série de acontecimentos que começaram com uma acção militar no dia 14 de novembro e que culminaram terça-feira, quando Mugabe apresentou a demissão, na mesma altura em que o Parlamento se preparara para iniciar um processo de destituição através de uma moção de censura.

Presentes na cerimónia encontravam-se, entre outros, os Chefes de Estado de Moçambique, Botswana e Zâmbia.

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma não se encontrava presente porque recebia a visita oficial do novo presidente angolano.

 

* Ex-PR Chissano classifica mudança no Zimbabwé como momento histórico

 

O ex-Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, classificou a mudança política no Zimbabwé como “um momento importante na história de África”.

“É um momento importante na história de África, um exemplo de que os povos africanos devem saber confiar nas suas próprias forças e saber resolver os seus problemas”, referiu.

Joaquim Chissano falava aos jornalistas à margem de uma conferência internacional sobre conhecimento a decorrer em Maputo.

O antigo chefe de Estado considera que “a democracia funcionou”.

Chissano recordou um telefonema que recebeu há dias, de alguém que lhe dizia temer pela vida de Mugabe.

O antigo Presidente moçambicano discordou: “Conheço aqueles zimbabwianos e são pessoas que vão respeitar Mugabe, não vão fazer mal nenhum”.

Joaquim Chissano considera que Mugabe tomou “a decisão certa neste momento. Podia ter feito há mais tempo, mas a situação que conheço não era tão fácil”, concluiu.

Mugabe, de 93 anos, demitiu-se na terça-feira ao fim de 37 anos no poder, na sequência do levantamento dos militares contra ele, depois de ter destituído o vice-Presidente e seu aliado de longa data, Emmerson Mnangagwa.