Novo disco da portuguesa Mai Kino é “um exercício em vulnerabilidade”

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A portuguesa Mai Kino, radicada em Londres, lança no final deste mês o novo EP, “Dopamine”, quatro anos depois do disco de estreia, refletindo a evolução na música, neste “exercício em vulnerabilidade”, como o classifica em entrevista à Lusa.

O novo disco será disponibilizado no final do mês de Julho, a par de um vídeo para o último ‘single’, “Dopamine”, numa coletânea que inclui ainda “Lungs”, “Talk” e “Swim”.

Quatro anos depois de “The Waves”, o novo EP revela uma evolução que se nota por ser agora “uma pessoa diferente”, o que se reflete “na amplitude de experiências que estão incluídas” no novo trabalho de estudo, afirma Mai Kino.

“É um EP com um maior espetro de emoção e experiências. Sonicamente, tem canções mais intimistas e outras mais energéticas, como o próximo ‘single’, ‘Dopamine'”, conta.

Catarina, uma jovem que “prefere” manter público apenas o ‘alter ego’ musical, afirma que pouco sentiu o confinamento na capital britânica, por ter estado “sempre a trabalhar e a preparar os lançamentos” que se avizinham.

“Com a ‘Lungs’ aconteceu uma coisa interessante. A canção foi escrita bastante antes [da pandemia de covid-19], mas é incrível a quantidade de paralelos entre o significado, a letra e as imagens [que evoca] e o que se tem passado no mundo. Pareceu-me a altura certa e não podia estar mais contente com a receção”, conta a música.

“Lungs” aborda uma sensação de sonho e alienação que Mai Kino encontrou no mundo a fazer frente à pandemia de covid-19, que lhe trouxe meses com “uma espécie de calma interior”, apesar de ter consciência do que se passava no mundo.

“Estou quase sempre perdida no meu mundo interior. Há sempre algo meio surreal e enevoado na minha vida, por isso veio encaixar-se”, acrescenta.

Em 2019, quando esteve no Primavera Sound, no Porto, explicou que escreve canções a partir da vida e das experiências que vai tendo. “Eu sempre me senti um bocadinho um ‘alien’. Como se vivesse numa bolha no meio do resto do mundo”, comparou, então, em entrevista à Lusa.

Agora, “Dopamine” retrata o espetro emocional de “sentir demasiado e não sentir o suficiente, e é um universo mais amplo internamente”.

“Continuo a explorar os contrastes, entre o visceral e futurista, mas também as gravações de campo. [Por exemplo] em ‘Lungs’, que tem uma sonoridade muito eletrónica, quase futurista, há um sonzinho no refrão, mais agudo, que gravei de uma caixa de música, que comprei em Berlim, e que toca uma canção da Edith Piaf”, explica.

Esse uso de “sons reais”, que chega a “objetos do quotidiano ou mais inesperados”, como o simples acariciar de uma folha de papel, com a mão, permite-lhe trabalhar o som como uma exploração espacial.

Esse trabalho continua, depois, no vídeo, com o ‘videoclip’ de “Lungs” realizado pelo artista visual britânico George Jasper Stone, que criou uma série de esculturas digitais que acompanham a música.

“Há [no vídeo] um encontro que é abstrato mas evoca algo visceral, mas com elementos muito futuristas. A ideia foi criar um ambiente quase intrauterino, ou então debaixo de água. Coisas em constante metamorfose, como se quisessem transcender-se”, comentou.

No final de julho, este “exercício sobre potencial dormente” fará parte de um EP que conta, entre os produtores, com David Wrench, conhecido pelo trabalho com FKA Twigs ou The XX.

Com a pandemia de covid-19, as “saudades do palco” vão continuar, pelo menos durante os próximos meses.

O ano de 2020, no entanto, até começou bem para Mai Kino, com um concerto esgotado no londrino The Waiting Room, depois de um convite da promotora Eat Your Own Ears. Foi porém forçada a cancelar nova atuação, em maio, em Londres.

Por causa da covid-19, teatros, cinemas e salas de concerto estão fechados desde meados de março, quando o governo britânico decretou um confinamento para travar a pandemia covid-19.

A terceira fase do plano de ‘desconfinamento’, iniciada este fim de semana, no Reino Unido, ainda não prevê a reabertura das salas de espetáculo.