Novas medidas de austeridade

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Novas medidas de austeridade

Novas medidas de austeridadeO congelamento das pensões e cortes nas reformas acima dos 1.500 euros são uma “calamidade”, alertaram representantes dos reformados que acusaram o primeiro-ministro de “cinismo e hipocrisia” ao ter prometido que nunca mexeria nas pensões.

 Um dia após a concentração de reformados em frente à residência oficial de primeiro-ministro, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, anunciou que, no próximo ano, as pensões vão ficar congeladas e as reformas acima dos 1.500 euros serão alvo de cortes.
 O presidente da Federação das Associações de Reformados do Distrito de Lisboa, Joaquim Augusto dos Santos, lamenta a decisão, lembrando que, com as medidas agora anunciadas, “vai haver um si-gnificativo agravamento do custo de vida dos reformados”.
 “O congelamento das reformas mais baixas é uma calamidade”, alertou. “Não sei como é que as pessoas vão sobreviver. Isto é muito dramático”, desabafou.

 Joaquim Augusto dos Santos sublinhou ainda que estes cortes e congelamentos poderão afectar mais pessoas para além dos próprios pensionistas: “antigamente eram os filhos que ajudavam os pais mais velhos, mas hoje muitos estão no desemprego ou têm trabalhos precários e por isso ainda são ajudados pelos pais”.
 “As palavras de José Sócrates mostram um verdadeiro cinismo e uma hipocrisia perfeita”, acusou por seu turno o presidente da Confederação Nacional de Reformados Pensionistas e Idosos (MURPI), Casimiro Menezes, lembrando que, na altura em que foram anunciados os cortes salariais, o primeiro-ministro “disse que os reformados nunca seriam afetados”.

 Casimiro Menezes recordou que esta é a segunda “má notícia” do ano para os pensionistas: “O Orçamento de Estado de 2012 já previa uma penalização para todos os rendimentos incluindo as re-formas e agora ainda vêm agravar mais a situação”.
 A medida anunciada sexta-feira prevê que a partir de 2012 seja aplicada uma taxa para as pensões entre 1.500 e 2.000 euros e outra taxa fixa gradual até a um máximo de 10 por cento.

 Teixeira dos Santos recusou estabelecer um prazo limite para a cessação desta “contribuição especial”, indicando apenas que se manterá “enquanto for necessário para assegurar o cumprimento” das metas orçamentais.

* Parceiros sociais surpreendidos com novas medidas de austeridade anunciadas pelo governo
          
 Os parceiros sociais que se reuniram em sede de Concertação Social manifestaram-se surpreendidos com as novas medidas de austeridade anunciadas pelo ministro das Finanças.
 Fernando Teixeira dos Santos apresentou um novo pacote de medidas de austeridade com reforço das medidas ain-da este ano e novas a aplicar para assegurar as metas do défice de 3 por cento em 2012 e 2 por cento em 2013.
 As medidas apresentadas pretendem atingir uma poupança adicional de 0,8 por cento do PIB este ano, de 2,5 por cento em 2012 e 1,2 por cento em 2013

 “Esta conferência de imprensa (do ministro das Finanças) surpreende o país todo. Sinto-me surpreendido e analiso a situação como uma pressão de Bruxelas”, disse o secretário-geral da UGT à saída da reunião de Concertação Social dedicada à competitividade da economia.

 “Sabemos que o Governo está submetido a uma forte pressão de Bruxelas e por isso registamos que o Ministério das Finanças faz um PEC quatro não anunciado. Vamos analisar, mas não aceitaremos coisas que violem a declaração subscrita na quarta-feira pelos parceiros sociais”, disse Proença.
Igualmente surpreendido ficou o dirigente da CGTP, Arménio Carlos, o presidente da Confederação do Comércio Português e o presidente da Confederação Empresarial Portuguesa, António Saraiva que aliás criticou a estratégia de comunicação do Governo.