Nova chefe da Polícia no Rio de Janeiro, filha de portugueses está há um mês no cargo

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Rio de Janeiro

Rio de JaneiroA nova chefe de Polícia Civil do Rio de Janeiro, a luso-descendente Martha Rocha, completa um mês à frente da corporação como a primeira mulher a comandar 150 delegacias no Estado e comemora êxito das detenções efectuadas.

 “Tenho um jeito muito pessoal de lidar com os meus colegas. O que a gente quer agora é trabalhar, o mês passou rápido e estamos a olhar para o futuro. Tivémos um mês com muito êxito, com excelentes prisões”, afirmou Martha Rocha à imprensa.
 Filha de portugueses, Martha Rocha, de 51 anos, foi professora primária antes de entrar na Polícia, onde já trabalha há mais de duas décadas.
 A luso-descendente tem agora o desafio de lidar com 12 mil agentes policiais em 150 delegacias espalhadas por todo o Rio de Janeiro, um dos Estados mais violentos do país.
 O combate à máfia das máquinas de jogo que explora os lucros dos equipamentos electrónicos na prática de jogos de azar tem sido um dos focos da nova chefe.
 O uso destas máquinas no Brasil é considerado crime, que pode ser punido com penas entre os três meses e um ano de prisão simples e multa.
 Martha Rocha resolveu “fechar o cerco” à máfia deste jogo ilegal ao determinar que os donos de estabelecimentos comerciais surpreendidos com estas máquinas nos seus bares serão presos em flagrante e poderão perder a licença de funcionamento.
 “Eu, como chefe de Polícia e filha de um dono de padaria, quero alertar os comerciantes que estão a incorrer no Artigo 336 do Código Penal brasileiro por usufruir da percentagem do lucro recebido e será autuado na prática de contrabando”, avisou a chefe da Polícia.
O balanço que a luso-descendente faz de um mês no cargo é positivo e mostra que não está para brincadeiras e, que apesar da delicadeza, da maquilhagem e dos saltos altos, a delegada tem ‘pulso firme’ para comandar uma corporação composta maioritariamente por homens.
 Martha Rocha promoveu um pequeno-almoço numa das pastelarias mais tradicionais no Rio de Janeiro no tempo em que o Brasil ainda era uma colónia.
 No evento participaram mais de 100 delegadas e agentes femininas em homenagem ao dia internacional da mulher.
 Na ocasião, Martha Rocha destacou o êxito das detenções efectuadas neste último mês, como o caso de grupos que promoviam sequestros relâmpago, um turista japonês que forjou o roubo da sua bagagem para receber o dinheiro do seguro internacional e um grupo que se dedicava ao câmbio ilegal.
 Um caso também determinante neste primeiro mês de actuação foi a emblemática prisão e desarticulação de uma dupla de burlões cujas vítimas eram imigrantes portugueses no Rio de Janeiro.
 A nova chefe prendeu em flagrante, no último dia 9 de Março, as duas pessoas que se faziam passar por representantes do consulado de Portugal no Brasil.
Uma das mulheres detidas, portuguesa, frequentava estabelecimentos de imigrantes lusos, apresentava-se como representante do consulado português no país e prometia o reconhecimento de dupla nacionalidade, reformas em Portugal e resolução de pro-blemas de imóveis no país de origem.