Noite Moçambicana na ACPP/Sporting de Pretória

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Noite Moçambicana

Noite MoçambicanaDecorreu em ambiente e assistência que terá ultrapassado as perspectivas mais optimistas, isto olhando à casa cheia que registava, tanto no salão nobre, como na discoteca para os jovens que decorreu nas instalações ao lado, destinadas ao restaurante e bar principal da colectividade, a festa que intitulada de “Noite Moçambicana”, fora levada a efeito este ano e pela primeira vez em conjunto pela ACPP e o Sporting Clube de Pretória.

 O programa preparado para o evento, com a dra. Elizabete Soares e como mestre-de-cerimónias na condução das actividades, abriu com um jantar de convívio tipo “self-service”, em que participaram mais de setecentas pessoas, entre as quais o embaixador de Moçambique, dr. Fernando Andrade Fazen-da, a ministra conselheira da nossa embaixada, dra. Gabriela Albergaria, assim como o secretário dr. Pedro de Almeida e a chanceler Carlota Amorim, os comendadores Estêvão e Manuela Rosa, o conse-lheiro da comunidade Silvério Silva, o presidente da Academia do Bacalhau de Pretória, Ivo de Sousa, e a presidente de “Os Lusíadas”, Paula de Castro, seguido de actuação dos artistas moçambicanos, Mr. John e a bailarina Lucília, terminando com um animado baile ao som da discoteca “Sounds GR-8”, que em animação se prolongou até bastante tarde.
 Nos discursos alusivos à festa que se vivia, abertos por Elizabete Soares, que começando por saudar o grande número de presenças, viria a salientar ser absolutamente fantástico o misto de calor humano de várias culturas e diversas nacionalidades, mas todos juntos a celebrar esta noite uma cultura única que orgulhosamente partilhamos, o inigualável espírito africano.

 Moçambique, prosseguiu a presidente do Sporting de Pretória, é para tantos de nós o país onde nascemos, onde crescemos e onde ainda hoje vamos frequentemente sempre que a saudade nos obriga, tendo para com o embaixador Fernando Fazenda palavras de estímulo pelo facto de ter aceite o convite e marcar presença nesta grandiosa festa moçambicana, o mesmo acontecendo em relação à dra. Gabriela Albergaria, dr. Pedro de Almeida e Carlota Amorim da nossa embaixada, para juntos celebrarmos com orgulho as nossas raízes moçambicanas, tendo em seguida o presidente da casa anfitriã, Mário Ferreira, dirigido em inglês, dadas as diversas nacionalidades presentes, a sua mensagem e agradecimentos aos que colaborando com a organização do evento, ali confraternizavam, aproveitando para na sua intervenção, voltar a focar a importância das colectividades de Pretória se unirem, pois só juntos numa única agremiação poderemos fazer coisas maravilhosas, como ali fora demonstrado apenas pelas duas que promoveram a festa que ali decorria.
 Depois do dr. Pedro de Almeida se referir ao cariz da celebração, que envolvia dois povos pela mesma língua e cultura, apelando nesse sentido aos jovens para falarem português em suas casas e com os amigos, fazendo-lhes ver essa vantagem na actualidade, foi o embaixador de Moçambique, dr. Fernando Fazenda, a encerrar os discursos, nestes termos:

 “Queria em primeiro lugar manifestar a minha gratidão pelo convite que me foi enviado para poder estar aqui com esta família alargada, em que falamos em viva voz esta ligação que existe entre Moçambique e Portugal.
 Referindo-se a Raúl Solnado, o cómico que viveu em Moçambique e infelizmente já nos deixou, aquilo que ele falava de Moçambique eram de facto experiências ali vividas e fazem parte dessa grande cultura que a todos hoje nos liga, e é devido a estes grandes homens, em que também se enquadra o saudoso “Parafuso”, que de facto mantemos vivas a chama e esperança que nos faz viver e vencer obstáculos na certeza de que aquilo que será difícil hoje, vai ser a razão da vitória no amanhã.

 Muito obrigado por este abraço Portugal/Moçambique, e o exemplo que hoje damos ao mundo, de que os povos nasceram para viverem juntos, está aqui bem patente e valorizado esse sentido, entre nós irmãos angolanos e sul-africanos, e por isso este abraço que vos deixo, estende-se a todos nós aqui reunidos em perfeita convivência.
 Vivo em Pretoria há mais de quatro anos, mas felizmente que hoje conheci este lugar, que não é só dos portugueses, é também meu, assim como as restantes colectividades que aqui existem, abertas também para todos nós, e que muitas vezes por des-conhecimento nunca tivémos oportunidade de gozá-las e aproveitá-las, e nesse sentido afirmar em relação aos jovens, a importância da língua que em comum temos que honrar e amar, porque só assim é que nos dignifica e identifica.

 O meu apelo neste momento, apesar de reconhecer que por um lado lhes faz falta o inglês, é uma mais valia para as portas deste mundo, que por vezes podem permanecer fechadas, mas que podemos abri-las com os conhecimentos de uma língua que é muito nossa, e não pode nem deve morrer”, intervenção esta várias vezes interrompida pelos fortes aplausos da assistência a essas palavras de grande significado, e que traduzem a amizade que deve prevalecer entre dois povos, apenas separados pela distância entre territórios.
 Em vez de participarem no anunciado concurso de dança “marrabenta”, os presentes optaram por se divertir à grande em danças típicas de Moçambique, ali recordadas em grande folia até madrugada.