No “Calisto’s” Academia-Mãe fez primeiro almoço depois da data do 50.º aniversário da fundação

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Na quinta-feira 14 de Junho, juntaram-se no restaurante português “Calisto’s”, no sul de Joanesburgo, oito compadres e comadres da Academia-Mãe do Bacalhau.

 O almoço foi patrocinado pelo proprietário e fundador do “Calisto’s”, Jorge Calisto. Este que foi o primeiro almoço realizado pela tertúlia depois do aniversário de fundação a 10 de Junho de 1968, ano em que a Academia completou 50 anos de existência.

 O número reduzido de presenças ecoou o primeiro almoço oficial da tertúlia em que apenas quatro compadres estavam em torno da mesa, eles Durval Marques, Rui Pericão, Ivo Cordeiro e José Ataíde; ideia nascida num jantar oferecido ao jornalista do “Primeiro de Janeiro” do Porto, Manuel Dias no Hotel Moulin Rouge, em Hillbrow.

 A razão de escassa presença neste importante almoço foi a recepção dada em casa do compadre Francisco-Xavier de Meireles, que exerce as funções de cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, uma recepção que colidiu com o convívio semanal da tertúlia e que se contrapôs à dita vontade de coordenação de datas e eventos para que não haja coincidência de acontecimentos na Comunidade lusa, levada a cabo pelo compadre Meireles. Isto causou um desgosto muito grande aos compadres e comadres da Academia-Mãe que contava ter uma forte afluência a este almoço como meio de angariação de fundos da tertúlia que é o suporte da Sociedade Portuguesa de Beneficência e do Lar Rainha Santa Isabel.

 Todavia e pese embora esta desfeita, o ambiente vivido no almoço foi de festa.

 Os convivas foram recebidos com entradas de chouriço as-sado, cubinhos de queijo, azeitonas e fígados guisados tudo acompanhado de pão português. O ambiente caseiro e tipicamente português com a decoração e disposição do “Calito’s” ajudou em muito a combater o frio que se fazia sentir no exterior e a conferir um ar ainda mais familiar e especial ao repasto.

 Após as entradas, pelas 13h30 o compadre presidente José Contente fez soar o ba-dalo e deu as boas-vindas a todos em torno da mesa. Enalteceu a vontade de estar presente no almoço e lembrou o gesto do patrocínio da refeição pelo dono do restaurante, que tinha propositadamente demolhado e preparado mais de trinta postas de bacalhau. Pediu ao compadre Jorge “Maradona” Rodrigues que desse o “tom” do “Gavião de Penacho”.  O presidente desejou um bom apetite a todos.

 Devido ao número reduzido de presenças, foi acordado entre todos, após proposta do presidente, ser dispensado o cargo de “carrasco” na tarde.

 A verdade é que ninguém prevaricou e ninguém mexeu nos telemóveis, falou de negócios, política ou religião. Foi um convívio salutar e divertido, com muitas gargalhadas.

 Falou-se alargadamente da Beneficência e no trabalho nela desenvolvido. A preocupação de todos é legar aos mais idosos e necessitados da Comunidade portuguesa um lugar de excelência e repouso sem igual. Algo que, na opinião de todos, está a ser cumprido.

 O primeiro prato foi servido, o prato de caldo-verde. A sopa estava excelente, com o caldo a saber muito bem a batata mas bastante fluido, a couve perfeitamente cortada e escaldada e os pratos de sopa adornados com duas rodelas de chouriço.

 O compadre Manuel de Arede pediu a palavra e dirigiu-se a todos. Como é tradição, o presidente levantou-se, soou o badalo e deu a palavra ao compadre. O compadre  Are-de ergueu-se e afirmou “caro compadre Carlos Silva, José Luís Rodrigues, comadre Ana-liza Lousada, compadre presidente José Contente, compadre “Maradona”, compadre Tony Silva… hoje estou muito triste e esta mágoa que sinto não vai passar nunca. Aquilo que eu faço pela Academia e pela Beneficência é de coração e com esta colisão de eventos feita pelo nosso compadre Meireles, não se faz. Nós que mudámos o nosso almoço a seu pedido para acomodar o secretário de Estado, a recepção feita ao embaixador, isto a nós é uma bofetada que não merecemos.

 Mas, para que a Academia não saia prejudicada, porque aquilo que fazemos aqui é ajudar os que menos podem, vou eu pagar as 23 cadeiras vazias aqui em torno da me-sa, o preço do restaurante é 125 randes e esse é o meu donativo de hoje.

 Porque a Academia não pode sair prejudicada nunca de ma-neira nenhuma. Muito obrigado, tenho dito”, concluiu o compadre de Arede.

 Mereceu um forte aplauso e um pronto “Gavião de Penacho”.

  O prato principal foi servido, o de bacalhau. O “fiel amigo” foi servido assado, com bata-tas assadas e rodelas de cebola por cima com muito alho laminado. O peixe esteve bem demolhado e assado na perfeição com o bacalhau a “lascar que nem um mimo”, de cor e sabor intenso e tempero na medida certa. O bacalhau foi muito apreciado e elogiado por todos em torno da mesa.

 A seguir ao prato principal, o compadre Michael Gillbee pediu a palavra para partilhar um sentimento. “Cara comadre e caros compadres”, começou por afirmar.

 “Hoje, é a primeira vez que nos reunimos depois do nosso aniversário a 10 de Junho. Estamos neste espírito do Dia de Portugal e aqui, com oito ou oitenta em torno da mesa, não importa, estamos a celebrar aquilo que somos, portugueses. A comer a nossa comida, com o bacalhau, o caldo-verde, vinho português e estamos a falar Português. Temos ali a bandeira de Portugal e da África do Sul, porque também somos sul-africanos e que queria só partilhar com todos estes sentimentos muito bons de estarmos juntos a celebrar, semanalmente, quem somos”.

 Todos concordaram com o que foi dito e cantou-se um “Gavião de Penacho” em co-memoração da data de funda-ção da tertúlia e ao espírito nela criado, Amizade, Portu-galidade e Solidariedade.

 As sobremesas foram servidas, leite creme e os cafés foram levados para a mesa.

 O presidente colocou em cima da mesa os digestivos whiskey e vinho do Porto. O almoço foi encerrado com um forte “Gavião de Penacho”.

 O próximo almoço realiza-se a partir das 13horas no “Nan-do’s Central Kitchen”, na 10A Victoria Rd, Lorentzville, Joanesburgo