Negociações de paz em Moçambique retomadas após pausa de duas semanas

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As negociações de paz em Moçambique entre o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido de oposição, foram retomadas na terça-feira em Maputo, após um interregno de duas semanas.

 "Este foi apenas um primeiro encontro com uma das partes [a delegação da Renamo] e amanhã [quarta-feira] teremos o encontro com a outra parte [o Governo moçambicano]", disse à imprensa momentos após a reunião Mario Raffaelli, coordenador da equipa de mediação internacional, escusando-se a dar detalhes sobre o encontro de terça-feirta, que durou menos de uma hora.

 Após suspensão das negociações a 30 de Setembro, proposta pelos mediadores internacionais para permitir às partes consultas e elaboração de propostas visando a superação do impasse que se verifica em torno da cessação dos confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado da Renamo, as conversações deviam ter sido reatadas a 10 de outubro.

 O adiamento das negociações aconteceu depois do homicídio de Jeremias Pondeca, membro da delegação da Renamo no diálogo político e conselheiro de Estado, atingido a tiro na manhã de 8 de Outubro, quando fazia exercícios físicos na praia da Costa do Sol, na marginal de Maputo

 Na sessão de terça-feira, os mediadores internacionais e a delegação da Renamo observaram um minuto de silêncio em memória de Pondeca.

 A morte de Pondeca, também conselheiro de Estado, segue-se a uma série de vários as-sassínios de membros da Renamo e da Frelimo, sobretudo nas zonas onde se registam confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado do principal partido de oposição.

 Além da exigência do maior partido de oposição de governar em seis províncias onde reivindica vitória eleitoral e a cessação imediata dos confrontos, a agenda do atual processo negocial integra a despartidarização das Forças de Defesa e Segurança, incluindo na polícia e nos serviços de informação do Estado, e o desarmamento do braço armado da Renamo e sua reintegração na vida civil.

 A região centro e norte de Moçambique tem sido palco de confrontos entre o braço armado do principal partido de oposição e as Forças de Defesa e Segurança e denúncias mútuas de raptos e assassínios de dirigentes políticos das duas partes.

 As autoridades moçambica-nas acusam a Renamo de uma série de emboscadas nas estradas e ataques em localidades do centro e norte de Moçambique, atingindo postos policiais e também assaltos a instalações civis, como centros de saúde ou alvos económicos e comboios da empresa mineira brasileira Vale

 A Renamo acusa por sua vez as Forças de Defesa e Segurança de investidas militares contra posições do partido.

 

* Presidente moçambicano condena assassínio de membro da delegação da Renamo nas negociações de paz

 

  O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, condenou o assassínio do membro da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) nas negociações de paz e conselheiro de Estado, Jeremias Pondeca, exigindo às autoridades o esclarecimento do caso.

 "O Presidente da República condena o acto praticado e insta às autoridades competentes a esclarecê-lo", lê-se num comunicado da Presidência moçambicana.

 Jeremias Pondeca, um dos membros da Renamo nas negociações de paz com o Governo e também conselheiro de Estado de Moçambique, foi assassinado no  em Maputo, mas o seu corpo só foi identificado no dia seguinte na mor-gue do Hospital Central, com a ajuda dos familiares.

 No comunicado, o Presidente moçambicano destaca que Jeremias Pondeca "prestou uma contribuição valiosa" como conselheiro de Estado, apresentando condolências ao maior partido de oposição em Moçambique pela perda.

 "O Presidente da República, em seu nome e em nome do Conselho de Estado, apresenta as mais sentidas condolências à família enlutada", acrescenta o documento.

 De acordo com as autoridades moçambicanas, testemunhas disseram que Pondeca foi alvejado a tiro por quatro desconhecidos, que se transportavam numa viatura Toyota Runx, e o seu corpo foi abandonado na praia da Costa do Sol.

A morte do membro do maior partido de oposição acontece num momento em que Moçambique atravessa uma crise política e militar, marcada por confrontos no centro do país entre o braço armado da Renamo e as Forças de Defesa e Segurança, além de denúncias mútuas de raptos e assassínios de dirigentes políticos das duas partes.

 Alguns dos ataques foram assumidos pelo líder da oposição, Afonso Dhlakama, que os justificou com o argumento de dispersar as Forças de Defesa e Segurança, acusadas de bombardear a serra da Gorongosa, onde presumivelmente se encontra.

 Os governos de Portugal, França e EUA e a União Europeia (UE) já condenaram a morte de Jeremias Pondeca, encorajando o Governo e a Renamo a perseguirem a via do diálogo para o fim da crise política e militar.