Naval estragou festa de despedida a Liedson em Alvalade

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Naval estragou festa de despedida a Liedson em Alvalade

Naval estragou festa de despedida a Liedson em AlvaladeO Sporting empatou em casa, diante do último classificado, e não fora a participação de Liedson, que envergou pela última vez a camisola verde e branca, teria saído derrotado, sem apelo nem agravo, de um confronto onde ficou patente o total desnorte da formação leonina.

 Uma equipa sem rumo, desorganizada, desconcentrada e incapaz de dominar as suas próprias emoções, quanto mais um adversário que, apesar de modesto, colheu o justo prémio da postura exibida no terreno de um teórico grande.
 No início da partida tudo parecia, porém, favorável à ambição dos anfitriões.

 Carlos Mozer apresentava uma defesa em linha, muito subida, que desafiava os leões ao jogo directo para as costas dos laterais, provocando um futebol aberto e repartido, que deveria favorecer a formação orientada por Paulo Sérgio, estruturada em idêntico sistema táctico. O técnico, percebendo que poderia tirar partido dos referidos espaços, abdicou cedo (28′) de um dos médios de combate, Zapater, fazendo entrar Diogo Salomão para extremo-esquerdo e colocando Postiga como número 10, no apoio directo a Liedson. A recompensa chegaria logo a seguir, fruto de uma excelente jogada do miúdo Salomão, de um óptimo trabalho de Postiga e do irrepetível e inesgotável instinto matador de Liedson, que devolveu para o golo, na re-carga, um primeiro remate do 23.

 A vantagem leonina permitia o cenário idílico com que Alvalade sonhava, a despedida do Levezinho com a glória que o seu trajecto no Sporting reclamava, mas as bancadas e o próprio 31 foram traídos pela incompetência colectiva.
 No final da primeira parte, em apenas três minutos, a Naval deu a volta ao marcador, gra-ças a uma série de desconcentrações inadmissíveis em alta – baixa ou média – competição: primeiro, um penálti estúpido de Evaldo, e, depois, a displicência de todo o sector defensivo ofereceram dois golos a Fábio Júnior e Michel Simplício.

 A segunda parte trouxe um retrato claro e triste da realidade verde e branca. O Sporting procurava o empate, mais com o coração do que com a cabeça, perdia-se em quezílias entre os seus próprios jogadores e encontrava na equipa de arbitragem a expiação de todos os seus pecados, isto enquanto os visitantes mantinham a compostura e até ameaçavam aumentar a vantagem.

 Quando faltava apenas meia hora para o final, a fortuna decidiu dar mais uma oportunidade ao desamparado leão, materializada num penálti caído do céu, que Postiga converteu: estava assegurado o empate e criado o ambiente para salvar a face com a vitória que se exigia. Puro engano. Os erros sucediam-se, as discussões continuavam e a falta de rigor não podia deixar de ser penalizada: aos 69′, Godemèche cobrou a dívida da incompetência alheia e voltou a colocar a equipa da Figueira da Foz na frente do marcador.
 Numa noite em que devia ser de festa e de homenagem a um avançado que fica na história do clube, o golo da Naval pôs a nu os verdadeiros sentimentos dos adeptos.

 Esgotada a paciência e instalada a sensação de vergonha nas bancadas de Alvalade, o coro estendeu-se pelo estádio, com uma exigência clara, expressa em termos impublicáveis: a demissão de Paulo Sérgio e Costinha.
 Quando o jogo já se aproximava do final e a derrota assumia estatuto de inevitável, voltou a valer ao Sporting, durante a quase inofensiva pressão do desespero, e pela última vez, o carácter do Levezinho, que aproveitou um ressalto para fazer o empate.

 Depressa chegou, porém, o apito final, que selava o fim desta tragédia apenas atenuada pelo talento de quem já faz parte do passado.
 A dimensão da incompetência ainda não tinha, contudo, atingido o seu auge: o Sporting tinha guardado para o fim um acto de homenagem a Liedson, esse sim manchado pelo momento escolhido. Só por imenso respeito ao avançado os sportinguistas foram capazes de engolir, por alguns momentos, a revolta, para um adeus sentido a um homem que marcou uma era.
 Agora, num clube sem líder, sem Direcção, sem rumo e sem equipa, também já não há matador…

FICHA DE JOGO:
 Encontro no Estádio José Alvalade, em Lisboa.
 Resultado:
 Sporting – Naval 1.º Maio, 3-3.
 Ao intervalo: 1-2.
 Marcadores:
 1-0, Liedson, 33 minutos.
 1-1, Edvaldo, 43 (g.p.).
 1-2, Michel Simplício, 45+1.
 2-2, Hélder Postiga, 60 (g.p.).
 2-3, Godemèche, 67.
 3-3, Liedson, 90.
 Equipas:
 Sporting: Rui Patrício, Abel (Cristiano, 86), Daniel Carriço, Polga, Evaldo, Pe-dro Mendes, Zapater (Diogo Salomão, 28), André Santos (Matías Fernandez, 75), Vukcevic, Hélder Postiga e Liedson.
 Naval 1.º Maio: Salin, Carlitos, Gomis, João Real, Camora, Manuel Curto, Marinho (João Pedro, 64), Edvaldo (Giuliano, 64), Godemèche, Michel Simplício e Fábio Júnior (Previtali, 83).
 Árbitro: Bruno Esteves (Setúbal).
 Ação disciplinar: cartão amarelo para Liedson (28), Camora (35), Evaldo (42) e Abel (61).
 Assistência: cerca de 25.000 espectadores.