NATO e Rússia iniciam era de cooperação na Cimeira de Lisboa

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Cimeira de Lisboa

Cimeira de LisboaA NATO aprovou sábado, em Lisboa, o processo de transição no Afeganistão e iniciou uma nova relação com Moscovo, numa cimeira que, segundo José Sócrates, marcou a passagem da organização para uma era de cooperação.

 “Um período difícil de tensão está passado”, proclamou o Presidente russo, Dmitri Medvedev, que não colocou completamente de parte uma futura adesão russa à NATO. O seu homólogo norte-americano, Barack Obama, salientou que a NATO sai reforçada de Lisboa e com capacidade para enfrentar os desafios de segurança no século XXI: “Viemos a Lisboa com uma tarefa chave, que era revitalizar a nossa Aliança para estar ao nível dos desafios dos nossos tempos. Foi isso que fizémos”.
 Anders Fogh Rasmussen, secretário-geral da NATO, e o Presidente afegão, Hamid Karzai, assinaram em Lisboa um acordo que formaliza o processo de transição no Afeganistão, entre 2011 e 2014, que culminará com a entrega total da responsabilidade pela segurança do país aos pró-prios afegãos. Mas o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu que o processo deve desenrolar-se com base “em realidades e não em calendários”, defendendo que “não há atalhos para a paz”.

 Quanto à cooperação entre a Aliança e a Rússia, Rasmussen disse que se estenderá ao nível da defesa antimíssil e considerou que Lisboa “foi um verdadeiro ponto de viragem”, onde as duas partes ajudaram a “enterrar os fantasmas do passado”, numa alusão à Guerra Fria.
 O primeiro ministro espanhol, José Luís Rodríguez Zapatero, resumiu os dois dias de trabalho: “Assistir a esta cimeira, ouvir os EUA, a Rússia, a Alemanha, a Polónia a trabalhar na mesma direcção, a cooperar nos grande assuntos da segurança colectiva internacional, representa um acontecimento histórico”.

 Os líderes da NATO também aprovaram um plano de redução dos efectivos da estrutura da organização e adiaram a decisão sobre o “mapa geográfico” dos quartéis até Junho de 2011. A esse propósito, José Sócrates manifestou “total confiança de que Portugal manterá um comando da NATO”.
 A cimeira decorreu sob fortes medidas de segurança e sem violência nas ruas, ao contrá-rio do ocorrido noutras cidades em anos anteriores, apesar de dezenas de milhares de pessoas se terem manifestado em Lisboa para protestar contra a NATO.

* Partidarismo republicano é única razão para impedir novo tratado START – Obama

 Os Estados Unidos veem o tratado START com a Rússia como importante para a segurança nacional do país, mas o “partidarismo” em Washington está a impedir a sua ratificação, afirmou em Lisboa o Presidente norte-americano.
 “Não há nenhuma razão para não fazer [a ratificação no Se-nado]. O facto é que Washington se tornou num lugar muito partidário. Esta é uma área clássica em que temos de ultrapassar o partidarismo”, afirmou o Presidente norte-americano na conferência de imprensa de encerramento da Cimeira da NATO em Lisboa.

 “É altura de o fazer, e a minha esperança é que é isso que vai acontecer”, disse Obama.
 “Ninguém vai marcar pontos nas eleições de 2012 com este assunto (…) é algo que devemos fazer porque ajuda a manter a América segura”, adiantou Obama sublinhou que o tratado tem apoio dos aliados europeus dos Estados Unidos, das forças armadas norte-americanas, dos conselheiros de segurança nacional e secretários da Defesa e geneRais de administrações republicanas e democratas e inclusivamente do presidente do comité de relações externas do partido republicano.
 Segundo o Presidente norte-americano, dizem que “é do interesse da nossa segurança nacional, é um assunto que tradicionalmente teve apoio bipartidário”.

* Sócrates expressa “satisfação” pelo “sucesso” do encontro

 O primeiro-ministro, José Só-crates, expressou a sua “satisfação” pela forma como decorreu a cimeira da NATO, que classificou de “sucesso” diplomático, e de “sucesso para a Nato” e para Portugal.
 “Quero expressar a minha satisfação pela forma como correu esta cimeira da NATO. Esta cimeira da NATO foi um sucesso, um sucesso diplomático, um sucesso para a NATO e um sucesso também para o nosso país”, afirmou José Sócrates, em conferência de imprensa.

 O chefe de Governo agradeceu o “trabalho” do ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, e do ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, na preparação e organização da cimeira.
 José Sócrates sublinhou a aprovação do novo conceito estratégico da Aliança Atlânti-ca, que “adapta a NATO às novas realidades e ao novo tempo”, que “moderniza a or-ganização da NATO”.

* Berlusconi “satisfeito e comovido” com
resultados da cimeira aliada

 O primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi, manifestou a sua “satisfação e comoção” com os acordos obtidos em torno do Afeganistão e no reforço da parceria com a Rússia durante a cimeira da NATO em Lisboa.
 Durante uma conferência de imprensa onde fez um balanço das conclusões da cimeira aliada, Berlusconi disse que estava aberta possibilidade de cooperação com Moscovo após a resolução dos obstáculos colocados pela Turquia, e “incluindo na cooperação global do sistema antimíssil”.
 O chefe do executivo italiano revelou que vai reunir-se com o Presidente russo Dmitri Medvedev, no dia 3 de Dezembro em Sochi [estância russa no leste do mar negro]. Uma cimeira bilateral, informou, destinada a efectuar o balanço “deste trabalho co-mum”.
 Antes, o primeiro-ministro italiano vai participar na cimeira UE-África em Tripoli e na cimeira da OSCE, prevista para Astana, capital do Cazaquistão, a 1 e 2 de Dezembro.

 Numa referência ao novo conceito estratégico, Berlusconi sublinhou a “passagem da tradicional defesa dos países membros da Aliança Atlântica a um empenho pela segurança global” e destacou o “período de transição” programado para o Afeganistão.
 A formação do Exército e polícia afegãs foi o primeiro aspecto sublinhado pelo chefe do executivo transalpino, antes de revelar que a Itália respondeu ao apelo do secretário geral da NATO e do Presidente dos EUA, Barack Obama, e prometeu “o envio de 200 instrutores que vão formar forças militares e policiais no Afeganistão”.

 Berlusconi destacou ainda a contribuição italiana, e frisou que após os Estados Unidos e o Reino Unido, a Itália é o terceiro país com maior presença no Afeganistão, com 4.230 militares.
 Ao abordar a anunciada fase final do período de transição, com conclusão prevista para 2014, Berlusconi disse que foi garantido ao Afeganistão “um apoio que vai prosseguir do ponto de vista comercial e económico”. Mas alertou para a necessidade de o país se tornar numa “verdadeira democracia” e consiga “derrotar a Al Qaida e outras forças terroristas”.

 A aposta na preservação do “prestígio da Itália no plano internacional” foi outro aspecto enfatizado por Berlusconi. Recordou que o país é o sexto contribuidor das Nações Unidas e o terceiro contribuidor da União Europeia (UE). E que em termos de envolvimento militar na NATO, a Itália “está em igualdade com a Alemanha e a França”. Porque a importância de um país no palco internacional também deriva “do que faz em termos concretos, em termos militares”.
 O projecto de uma “defesa comum europeia” foi ainda recordado por Berlusconi, que neste aspecto considerou a Europa “um pigmeu comparado com as forças militares dos Estados Unidos, Rússia ou China” e que “se acomoda sempre às decisões dos outros”.

* Aliança e Moscovo vão cooperar ao nível da defesa antimissile – Rasmussen

 A NATO e a Rússia vão cooperar ao nível da defesa an-timíssil, disse em Lisboa o secretário-geral da Aliança Atlântica, Anders Fogh Ras-mussen.
 O responsável da NATO adiantou que se irá além das “consultas” e declarou-se “muito contente” por o Presi-dente russo, Dmitri Medvedev, ter aceite o convite da organização para uma cooperação.

 Rasmussen precisou que a colaboração será inicialmente ao nível da protecção das tropas no terreno, podendo depois dar resposta à protecção territorial.
 Rasmussen falava no final do Conselho NATO-Rússia, após a cimeira da NATO em Lisboa.

* Quinze militares  da GNR no reforço de formadores para o Afeganistão

 Quinze dos 40 militares portugueses que vão reforçar a formação das forças de segurança no Afeganistão serão da GNR, anunciou o ministro da Administração Interna, Rui Pereira.
 Em conferência de imprensa à margem da Cimeira da NATO, em Lisboa, Rui Pereira referiu que a GNR está disponível para ajudar a “capacitar a Polícia afegã para cumprir a sua missão no futuro”

 No âmbito do reforço da participação portuguesa, disse, está previsto o envio de 15 militares da GNR, que acontecerá na rotação da próxima Primavera.
 O ministro da Defesa, Santos Silva, tinha anunciado sexta-feira que vai propor o envio de mais 40 formadores para a missão da ISAF no Afeganistão e que esta nova força in-cluirá militares da GNR.