Nascer e viver para a portugalidade

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Fundado em Junho de 1963, em simultâneo com as comemorações do Dia de Portugal, O Século de Joanesburgo entra neste mês de Julho no seu 57.º ano de publicação.

  Nascemos para a portugalidade. As nações serão tanto mais fortes e respeitadas quanto melhor os seus cidadãos tiverem a consciência da sua identidade, da sua língua e dos valores que os caracterizam como elementos de um povo que acrescenta progresso e desenvolvimento à humanidade e que, como tal, quer ser preservado na plataforma internacional.

  Porque a corrente de globalização que vivemos não significa, teoricamente, abdicação – mas, antes, entendimento, convivência, parceria e solidariedade -, para eternizar-mos a portugalidade impõe-se cada vez mais a necessidade de uma afirmação cultural da nação portuguesa, explorando a dimensão da diáspora e a sua forma de estar no mundo, apesar do pequeno Estado que Portugal é na Europa, continente que projecta um caminho de convergência política e económica.

  No futuro, a grandeza da imagem de Portugal dependerá seguramente da capacidade de afirmação das suas comunidades, do grau de interactividade que o País for capaz de gerar com elas e da projecção que vier a ser alcançada pelos países de língua oficial portuguesa no seio da comunidade internacional.

  Com o Mundo a tomar o caminho da globalização e a ter ao seu serviço uma rede de autoestradas de informação em desenvolvimento acelerado à escala universal, a única forma da nossa identidade sobreviver às pressões de uma colonização cultural avassaladora, por parte das grandes potências económicas, reside na capacidade que tivermos de prosseguir, individual e colectivamente, o propósito de cultivar os nossos valores, as nossas tradições e as nossas convicções sobre a

postura correcta de viver em sociedade. Essa cultura de valores, a preservar, herda-se e transmite-se em família, leva-se para a escola e para os postos de trabalho e exerce-se nos ambientes associativos das nossas colectividades.

  É com este continuado espírito de apoio à causa lusíada e de crítica àqueles que sobre ela adormecem, que O Século de Joanesburgo entra com esta edição no seu 57.º ano de publicação.

  Não há dúvida de que sem o nosso jornal, fundado em Junho de 1963 pelo Comendador António Braz, continuado pelo Comendador Horácio Roque e hoje presidido pela Comendadora Paula Caetano, a evolução da Comunidade ao longo de todos estes anos teria sido muito diferente. Seriam muito menos conhecidas as suas actividades culturais, económicas, sociais, religiosas, escolares, desportivas e recreativas. Com o jornal, a Comunidade ganhou maior coesão social. Sem ele, os eventos associativos não seriam o que são e também as cerimónias públicas não seriam tão participadas. Através dele, os leitores informam- se dos acontecimentos da actualidade e os anunciantes publicitam os seus produtos e serviços. Pelos anúncios que são publicados, arranjam-se empregos e concretizam-se transacções comerciais, das mais pequenas às de maior dimensão. Movimentam-se milhões e milhões de randes, com o jornal a desempenhar a função de elo de ligação entre os mercados da oferta e da procura. Há cinquenta e seis anos que Comunidade e Jornal passaram a ser exemplo vivo do que é o pulsar interactivo numa sociedade organizada.

  Nesse sentido e no respeito pelas ideias de cada um, sem arregimentamentos unitários ou projectos controleiros, pugnamos pela existência de muitas vozes e todas elas bem fortes e não apenas por uma voz única e fraquinha.

  Nesta caminhada e no âmbito da nossa missão de informar, continuaremos a privilegiar – dentro do idealismo humanitário que nos anima – a divulgação de todas as acções de cooperação e de solidariedade, acarinhando os movimentos de apoio a carenciados e a instituições de bem-fazer.

  Arauto da serenidade nos tempos difíceis da transição política na África do Sul e defensor de uma visibilidade da Comunidade Portuguesa que corresponda ao seu valor real, ao nível de todas as estruturas da sociedade sul-africana, O Século de Joanesburgo, ao celebrar mais um aniversário, aposta no progresso económico e social da África do Sul e não quer ser tímido na previsão de um maior aproveitamento das potencialidades regionais quando se vislumba, na sequência da democratização dos países da região, uma crescente cooperação económica entre os Estados deste subcontinente, onde a Língua Portuguesa é a 2.ª mais falada.

  Não nos demitiremos dos propósitos que levaram à criação do nosso jornal e a defesa da lusofonia é um deles. É em português que continuaremos a defender os interesses da nossa comunidade, a divulgar os seus êxitos e anseios, a relatar a sua vivência, a reportar as suas iniciativas, a promover os valores da sua cultura e a incentivar as relações comerciais entre as comunidades de expressão portuguesa.

  Há 56 anos, completados com a publicação desta edição, que O Século de Joanesburgo está convosco, num encontro inicialmente mensal e actualmente semanal que é a renovação da nossa grandeza e da nossa esperança num destino comum.

  Nenhuma edição mais própria do que esta, a de hoje, para saudarmos todos os falantes da nossa Língua, os nossos Leitores e Anunciantes, e agradecermos a colaboração amiga e dedicada de todos os que nos têm acompanhado nesta longa e feliz caminhada.

  1. VARELA AFONSO