Não há saída para a crise do euro sem uma solução federadora na Europa

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Não há saída para a crise do euro sem uma solução federadora na Europa

O ex-ministro socialista Luís Amado afirmou na sexta-feira que a "refundação do euro" passa por "soluções federadoras", sendo essencial ainda manter a estabilidade do eixo franco-alemão.

 Numa conferência na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, na sexta-feira à noite, Luís Amado sublinhou que a economia mundial não voltará a crescer de forma sustentada e sólida enquanto "a estabilidade da Europa não for garantida".
 O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros destacou que a crise europeia é complexa porque ocorre num contexto de mudanças de poder e de relações dentro da União Europeia, mas também de novas relações de poder da Europa com o resto do mundo.

* Ajuda externa: Luís Amado insiste na necessidade de “estabilidade social e governativa”

 O ex-ministro socialista Luís Amado insistiu na necessidade de estabilidade social e política na situação que o país atravessa, defendendo ainda um “grande compromisso” entre as forças políticas em relação às questões estratégicas nacionais.
 Luís Amado apontou os “aspectos mais críticos da situação portuguesa” e os “problemas que precisam de particular atenção”, durante uma conferência perante os alunos da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide.
 O ex-ministro de José Sócrates apontou, neste contexto, “o problema da estabilidade social”, “política” e “governativa”, dizendo que “é bom lembrar” que Portugal tem neste momento uma coligação no executivo.
 “Porque a um país dependente dos mercados, do financiamento de longo e médio prazo, não basta ter uma maioria, tem de ter um sistema político estável que garanta a estabilidade das responsabilidades que assumimos perante credores. Quem empresta dinheiro a 10 e a 20 anos quer saber se o Governo que vem a seguir vai pagar. Isso pressupõe que haja uma matriz de estabilidade muito mais alargada para um país com elevado endividamento como é nosso e com um problema de financiamento externo”, afirmou.
 Amado lembrou, a este propósito, que “o PSD precipitou a crise ao recusar o PEC”.
 “Vimos o que aconteceu a seguir. O pedido de resgate foi provocado por uma crise política. Também foi provocada pelo PSD. Eu não gostaria que o meu partido provocasse uma crise politica que agravasse as condições de estabilidade necessárias para garantir ao pais o financiamento de que tem absoluta necessidade ao longo dos próximos anos”, sublinhou
 Para Amado, uma “sociedade tão desequilibrada do ponto de vista externo”, como é a portuguesa, “exige uma estabilidade política ampla nas grandes questões estruturais”, que “devem ser o mais profunda e largamente acordadas”.
 É isso que deve acontecer, defendeu, em relação ao futuro de Portugal na Europa, para o qual deve “haver um grande compromisso”.
 “É muito importante que os principais partidos portugueses, sem excepção, se procurem entender sobre o modelo que favoreça a inserção de Portugal na nova arquitectura e realidade europeias que está em gestação”, acrescentou, referindo que os pactos orçamentais europeus deverão ser ratificados ao longo dos próximos meses por países como a Alemanha e a França.
 Para Luís Amado, outro dos “problemas” a que é preciso dar “especial atenção” é o a “distribuição da riqueza”, das “desigualdades”, da “pobreza”, que considerou “um problema de enorme sensibilidade”.
 “Quando o elevador social cai abruptamente e as pessoas entram em processo de empobrecimento, a questão das injustiças e das desigualdades é muito mais sensível do ponto de vista político. É preciso que o país faça uma gestão adequada deste problema das grandes diferenças das desigualdades e de rendimento”, reforçou.
 Quanto aos “aspectos críticos”, apontou que “é preciso garantir” o financiamento do Estado nos mercados “o mais rapidamente possível”.
 Na sua intervenção, o ex-ministro socialista elogiou a Universidade de Verão do PSD por “debater os problemas do país”, marcando “o calendário político”.
 Amado considerou que o país precisa disso mesmo, de debater os problemas do país e mobilizar-se para a sua solução, devendo sobretudo ser capaz de “estabelecer as ba-ses de um compromisso nacional, de uma narrativa para o futuro de Portugal”.

* Luís Amado diz que Governo
“tem cumprido” objetivos essenciais

 O ex-ministro socialista Luís Amado acredita que haverá “condescendência” da ‘troika’ em relação à derrapagem orçamental e diz que o Governo tem, “no essencial”, cumprido o se propôs, destacando que a credibilidade do país está em recuperação.
 Para Luís Amado, a derrapagem nas contas públicas em relação ao acordado com os credores internacionais é “relativamente controlada e já se esperava”.
 “Creio que haverá da parte dos responsáveis da ‘troika’ que avaliam a situação portuguesa relativa condescendência em relação a esse facto, que decorre da aplicação de um programa que, em alguma medida, tem uma responsabilidade directa na retracção excessiva da actividade económica, com consequências, necessariamente, ao nível do emprego, do consumo e das receitas fiscais”, disse aos jornalistas o antigo ministro dos governos de José Sócrates aos jornalistas, à chegada à Universidade de Verão do PSD, que decorreu em Castelo de Vide, Portalegre.
 Esta derrapagem, acrescentou, não exige “necessariamente mais sacrifícios”, considerando que “passa pela negociação das condições de ajustamento” que o programa de assistência financeira “tem de ter”.
 Para Luís Amado, não há alternativas aos sacrifícios que estão a ser pedidos aos portugueses.
 “Deixemo-nos de demagogias. O país tem problemas graves de desequilíbrio externo e não tem financiamento externo adequado pelas condições de mercado”, reforçou, sublinhando que “os sacrifícios são absolutamente indispensáveis”.
 Amado ressalvou que considera que não há outra alternativa em relação aos sacrifícios, “independentemente de reconhecer que o país precisa de se concentrar mais em tudo o que tem que ver com o crescimento e com o emprego”.
 Questionado sobre o desempenho do Governo PSD/CDS, após pouco mais de um ano de legislatura, o ex-ministro socialista respondeu que, “no essencial, o Governo tem procurado cumprir aquilo que decorre de um compromisso muito sério que o pais assumiu no seu conjunto com os credores e com quem garante o financiamento normal da economia portuguesa, que permite pagar salários e manter a actividade do Estado em condições aceitáveis”.
 “Sem esse compromisso nada será possível e, nesse aspecto, o Governo, no essencial, tem cumprido esse objectivo”, sublinhou, destacando ainda que “a imagem de credibilidade do país tem vindo a ser renovada”, o que é essencial para voltar a garantir o financiamento externo, o “objectivo prioritário” que deve ter Portugal neste momento.

* Amado diz que há coisas mais importantes que a RTP

 O ex-ministro dos últimos executivos socialistas, Luís Amado, considera que, neste momento, "o País tem coisas mais importantes para se preocupar" do que a questão da RTP.
 À entrada para a Universidade de Verão da JSD, onde era o convidado do jantar-conferência, o ex-governante  classificou como "inoportuna a introdução deste tema na agenda política", uma vez que apenas "introduz ruído", quando, no seu entender, era importante que a maioria e a oposição socialista procurassem encontrar o que os une relativamente à governação.
 Luís Amado preferia que "não se tivesse dado prioridade" a um tema que, além de considerar "desnecessário", ainda "é fraturante na sociedade portuguesa e suscita a oposição da esquerda, em especial do PS", lembrando que não é positivo para ninguém chegar ao ponto de um partido ter de afirmar que revogará uma medida que entretanto venha a ser tomada.
 Advogando a necessidade de um maior entendimento entre os chamados partidos do arco da governação, especialmente numa época em que o país se encontra numa situação de resgate externo, Amado insistiu que a polémica questão da RTP, porque se sabia à partida que iria provocar "fracturas" e "desgaste" entre maioria e oposição, "podia ter sido evitada".

* Luís Amado considerou reacção do PS à RTP excessiva

 Luís Amado considerou que o PS, como principal partido da oposição, ao tomar uma posição de "desfazer" a opção de concessão da RTP causa "desgaste" com o PSD e representa um "desvio de recursos".
 Desvalorizando a polémica em torno da estação pública, o ex-ministro defendeu que se deveria optar por uma "agenda positiva para resolver os problemas do país". "Tudo o que crie ruído é negativo", disse, acrescentando que a polémica é "inoportuna".
 Em relação à derrapagem orçamental, Luís Amado considerou que o problema "é controlado e superável".
 O ex-ministro e actual presidente não executivo do Banif defende que Portugal já merecia que a troika aliviasse as metas estabelecidas. "Creio que haverá por parte dos responsáveis das instâncias internacionais uma relativa condescendência", afirmou.