Mundo lusófono tem tudo para se constituir como potência global

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Mundo lusófono tem tudo para se constituir como potência global

O primeiro-ministro português considerou que o mundo lusófono tem tudo para se constituir uma potência global e afirmou haver entusiasmo dos presidentes do Brasil, Angola e Moçambique com a ideia de uma “aliança de prosperidade recíproca”.

 “Imaginem só o potencial humano, empresarial, político, económico, social e cultural que temos aqui em reserva”, afirmou na sexta-feira Pedro Passos Coelho, durante um jantar com empresários num hotel do Rio de Janeiro.
 “Tive, por isso, oportunidade, há alguns meses já de falar, com a presidente Dilma, com o presidente Eduardo dos Santos, com o presidente Guebuza, entre outros, e todos nós, entusiasmados, concordámos sobre as inúmeras vantagens de estabelecer uma aliança de prosperidade recíproca para os nossos empresários e cidadãos, assente numa sólida relação política, social e empresarial”, acrescentou.
 Segundo o primeiro-ministro Passos Coelho, os países de língua portuguesa têm “disponibilidade de capitais, de recursos, de conhecimentos técnicos e humanos únicos em muitos setores de actividade”, ou seja, têm todos os ingredientes para construírem um “grande mercado”.
 Passos Coelho apontou ainda que cada país lusófono “é uma porta de entrada para uma comunidade maior” e defendeu que, tendo os portugueses sido “pioneiros da globalização”, não faz sentido que desperdicem “os maiores proveitos da actual globalização”.
 Em particular quanto às relações com o Brasil, o primeiro-ministro advogou que está a ser construída “uma verdadeira aliança estratégica”, assinalando que escolheu o Brasil para a sua primeira visita fora da Europa, assim como Dilma Rousseff escolheu Portugal para a sua primeira visita fora do continente americano.
 Neste jantar com empresários promovido pela Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro, estiveram, segundo a organização, cerca de 200 pessoas. O ex-deputado e dirigente do PSD Agostinho Branquinho, que actualmente é administrador da Ongoing Brasil, foi um dos presentes.
 Antes, o primeiro-ministro visitou o Real Gabinete Português de Leitura, onde defendeu que a língua portuguesa deve ser vista “também como um factor global em termos de geopolítica” e apontou o Acordo Ortográfico como expressão de “uma visão estratégica” que deve ser prosseguida.
 O Real Gabinete Português de Leitura é uma biblioteca criada no século XIX por um grupo de portugueses residentes no Brasil, sediada num edifício de estilo neomanuelino, no centro do Rio de Janeiro.
 Durante a sua visita a esta biblioteca pública, Pedro Passos Coelho destacou o facto de Portugal ter sido “durante treze anos, a parcela europeia de um Império” que tinha o Rio de Janeiro como capital. “Essa situação não tem paralelo na história das nações e continua a constituir-se como um factor de grande interesse e inspirador de reflexões mais vastas”, disse.
 Por outro lado, a propósito do papel que “a diáspora portuguesa” pode ter face à situação nacional, Passos Coelho considerou que os portugueses e luso-descendentes es-palhados pelo mundo são “um dos melhores cartões de visita” de Portugal.
 “Mostram a todo o mundo a raça de que somos feitos, a maneira como nunca desistimos de projectos que parecem difíceis”, elogiou.
 Em seguida, o primeiro-ministro alegou que Portugal está finalmente a encarar de frente os seus problemas e a seguir a direcção certa para os resolver: “Sempre ganha-mos tempo quando fazemos o que é preciso, e nós estamos a fazer o que é preciso para colocar Portugal num caminho de crescimento justo”.

* Passos Coelho satisfeito com interesse da América Latina em Portugal

 O primeiro-ministro Passos Coleho faz um balanço positivo da sua viagem de seis dias à América do Sul, que terminou ontem, domingo, salientando o interesse que encontrou pelos produtos e bens portugueses.
 Nesta visita à América do Sul, que teve como principal objectivo reforçar as relações económicas de Portugal com o Peru e a Colômbia, realizaram-se encontros com empresários, em que estiveram representadas dezenas de empresas portuguesas.
 “O Peru e a Colômbia são dois países e dois mercados muito importantes para os investidores portugueses”, disse Pedro Passos Coelho. “Todos sabemos que, nesta fase, as exportações e o investimento realizado por empresas portuguesas em mercados em franco crescimento e que oferecem segurança e confiança podem ser determinantes para esta fase de recuperação económica do nosso país”, acrescentou.
 Na sexta-feira, a Direcção-Geral do Orçamento divulgou que o défice do Estado rondou os 2,700 biliões de euros nos cinco primeiros meses do ano, mais 35% do que em igual período do ano passado, fruto não só da queda da receita fiscal, mas também do aumento da despesa.
 No sábado, Passos Coelho garantiu que o Governo está “a analisar com muita atenção aquilo que se passa do lado da receita, de modo a avaliar em que medida é que pode estar em causa o objectivo do défice” de 4,5% para este ano, reiterando que este vai ser cumprido.
 “É cedo para estar a falar em quaisquer medidas de austeridade”, concluiu, à margem da conferência com o Presidente colombiano, Juan Manuel Santos.
Neste périplo pela América Latina,“encontrámos, não apenas governos comprometidos com a abertura aos capitais portugueses e aos produtos e bens portugueses, como também os empresários portugueses manifestaram um interesse muito relevante em contactar com os seus homólogos”.
Ao longo desta visita, Passos Coelho apelou à entrada de capital estrangeiro em Portugal, que apresentou como um país que pode abrir portas para o mundo lusófono. Por outro lado, apontou como fundamental o aumento das exportações e do investimento das empresas portuguesas em mercados fora da União Europeia, sobretudo no actual contexto económico nacional.
Durante a viagem, Passos Coelho esteve acompanhado pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, e pelo presidente da AICEP, Pedro Reis.
 “Apostámos muito na diplomacia económica e creio que esta viagem mostrou que a aposta que fizemos em colocar a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) na coordenação dos Negócios Estrangeiros está já hoje a dar os seus frutos”, declarou, em Bogotá. Segundo o primeiro-ministro, “isso é reconhecido pelos próprios empresários, que mostram uma grande satisfação pelo facto de terem agora apenas uma entidade a que se dirigir, que está integrada em toda a rede diplomática e na mesma tutela”.
Questionado sobre a ausência do ministro da Economia nesta viagem, o primeiro-ministro defendeu que Álvaro Santos Pereira “está a fazer um trabalho muito importante para Portugal” e recusou que este esteja à margem da diplomacia económica. “Há um trabalho conjunto muito importante entre a AICEP, os Negócios Estrangeiros e o Ministério da Economia. Portanto, não estamos de costas voltadas uns para os outros, estamos a trabalhar em conjunto”, afirmou.