Mudanças climáticas: Conferência de Durban regista progressos

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Mudanças climáticas: Conferência de Durban regista progressos

A secretária executiva da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, Christiana Figueres, que participa em Durban na cúpula da ONU sobre o clima, comemorou os progressos registados na reunião e disse acreditar na possibilidade de novos consensos.

 Figueres afirmou que as diversas partes representadas no encontro criaram seis grupos de trabalho para discutir uma proposta relativa à assistência aos países em desenvolvimento em lidar com o aquecimento global. Para ela, a proposta é de grande significado, em especial aos países africanos.
 No mesmo dia, Su Wei, vice-chefe da delegação chinesa e negociador-chefe daquele país para a questão do clima, destacou que economias emergentes como China e Índia estão em fase de processo rápido de industrialização e urbanização. Conforme o princípio da "responsabilidade comum, mas diferenciada", não é justo que esses países assumam metas de redução de emissões de poluentes como se já fossem nações plenamente desenvolvidas. Os EUA e a União Europeia devem ser os primeiros a reduzir as suas emissões de gases do efeito estufa.

 Entretanto, a África do Sul recorreu a ‘método zulu’ para negociações climáticas. Assim, a presidência da Conferência do Clima convocou ‘indabas’ para as negociações.
 A secretária da ONU para Mudanças Climáticas Christiana Figueres, comentou na sexta-feira o facto dos anfitriões sul-africanos terem convocado duas “indabas” para que os países possam discutir saídas para os impasses nas negociações.
 “Indabas” são as reuniões dos anciãos zulus, em que eles usam a sua sabedoria para decidir ou persuadir sobre determinado assunto em debate.
 De acordo com Figueres, podem ser especialmente úteis quando algum dos membros  não vê o motivo de participar em alguma actividade ou processo.

 “Indaba”, portanto, é um nome usado para as consultas informais que vêm acontecendo na COP 17 na tentativa de fazer com que mais de 190 países presentes em Durban consigam chegar a algum consenso.
 Uma das grandes questões em agenda é como se resolverá a renovação – ou não – do Protocolo de Kyoto, único acordo vigente que obriga parte dos países desenvolvidos a reduzirem as suas emissões de gases-estufa, e que expira em 2012.
 Os Estados Unidos não ratificaram o acordo e, portanto, não opinam a respeito. A União Europeia, por sua vez, admite assumir um novo compromisso, mas condiciona isso à criação de um pacto mais amplo, que inclua em médio e longo prazos todos os países, incluindo os em desenvolvimento.

 Esses haviam ficado de fora do Protocolo de Kyoto porque se assumiu que, por serem menos industrializados, têm menos responsabilidade nas mudanças climáticas, já que emitiram menos carbono na atmosfera ao longo de suas histórias.
 Mas agora, dos seis maiores emissores de carbono do planeta, três são emergentes (China, Índia e Brasil), e os países comprometidos com o Protocolo de Kyoto não somam um terço do total de carbono lançado na atmosfera. Por isso, argumentam os países desenvolvidos, é necessário pensar também em compromissos para controlar os gases-estufa nas nações mais pobres.

 “Se as nossas economias simplesmente parassem de funcionar, não resolveria”, disse na sexta-feira o negociador europeu Artur Runge-Metzger, apontando que os países desenvolvidos sozinhos não dão conta dos cortes considerados necessários pelos cientistas para que a temperatura média do planeta chegue a no máximo 2 graus acima da era pré-industrial, que é o que ficou acordado como meta na COP 16, em Cancún.
 “Precisamos de uma nova perspectiva, um mapa de um novo acordo legalmente vinculante que inclua todos os emissores”, acrescentou o co-lega de delegação de Runge-Metzger, o polaco Tomasz Chruszczow.

 O discurso europeu é de que o que se está buscando não é tentar inviabilizar a renovação do Protocolo de Kyoto, mas sim partir para algo mais abrangente e ambicioso.
 “As nossas emissões são menores que em 1990 e o nosso PIB só cresce. Isso mostra aos outros países que não é preciso ter medo”, observou o europeu, destacando que assumir compromissos para cortar as taxas de carbono não significa necessariamente  comprometer o crescimento económico.

 Outro debate importante na COP 17 é a respeito do “fundo verde”, que deve financiar acções de adaptação às mudanças climáticas e redução de emissões em países em desenvolvimento.
 Um dos impasses é quem deverá gerenciar os recursos. Os Estados Unidos não querem que o dinheiro fique centralizado por um organismo da ONU, por exemplo.

 Eles querem que cada país possa decidir como levantar os valores e onde aplicá-los.
 De acordo com o negociador-chefe americano, Jonathan Pershing, isso é importante para os EUA pois o país deve em grande medida usar recursos privados de empresas.

 A questão, no entanto, preocupa os países em desenvolvimento, pois se ficar ao critério do doador o destino do dinheiro do “fundo verde”, algumas nações poderiam acabar desprivilegiadas por questões políticas alheias às negociações climáticas.

* Milhares saem  às ruas e pedem acordo climático

 Mais de cinco mil manifestantes saíram às ruas de Durban,  sede da COP 17, conferência climática da Organização das Nações Unidas. Os participantes da marcha pediram aos diplomatas, reunidos desde segunda-feira, um acordo para a redução das emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pela elevação da temperatura no planeta.
 No protesto, os activistas seguravam faixas que mostravam frases como “a mudança climática está me matando”. Os corpos de alguns manifestantes estavam pintados com símbolos representando o uso da energia nuclear no mundo.
 Os manifestantes concentraram-se em frente ao local da conferência da ONU, onde pretendiam entregar aos participantes da COP 17 um manifesto que pedia um acordo climático comum.