Mota-Engil África ganha mega-contrato de 2,6 biliões de euros nos Camarões

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Mota-Engil África ganha mega-contrato de 2,6 biliões de euros nos Camarões

O Grupo português Mota-Engil continua a ganhar grandes contratos internacionais e a sua cotação na Bolsa de Londres é já uma certeza. O contrato garantido no final da penúltima semana passada, na ordem dos 2,6 biliões de euros, nos Camarões – um novo mercado para a empresa – vai alavancar de forma substancial a capitalização bolsista da ‘sub-holding’ especializada no continente africa-no.

 O Diário Económico avançou que um dos cenários-base em cima da mesa atribui à Mota-Engil África um valor próximo dos quatro biliões de euros, o que representa mais de três vezes a capitalização actual de toda a Mota-Engil.

 O processo está quase concluído, faltando apenas a autorização do regulador holandês, em Amesterdão, onde a nova Mota-Engil África foi sediada, para avançar com a cotação nos mercados internacionais. Para isso não é exigida a autorização específica  por parte da CMVM – Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários de Lisboa ou da sua congénere britânica.

 Na penúltima sexta-feira, a Mota-Engil anunciou ao mercado que tinha garantido o maior contrato em valor ao longo da sua existência, de cerca de 70 anos, ao assegurar a adjudicação de uma empreitada num novo mercado geográfico em África, os Ca-marões, no valor de cerca de 2,6 biliões de euros.

 "Na sequência da comunicação ao mercado efectuada pela Sundance Resources Ltd, entidade cotada na Aus-trália, a Mota-Engil informa a adjudicação do contrato de engenharia, ‘procurement’ e construção (EPC) por aquela empresa, no montante de 3,5 mil milhões de dólares (aproximadamente 2,6 mil milhões de euros), à sua subsidiária Mota-Engil Engenharia e Construção África, SA", re-velava o documento enviado à CMVM.

 De acordo com o documento, o contrato inclui a construção de 580 quilómetros de linhas ferroviárias e um porto de águas profundas na República dos Camarões.

 No projecto, está prevista a construção de 510 quilómetros de linha férrea desde a mina, em Mbalam, República dos Camarões, até ao terminal, em Lolabe, na costa oes-te do país, assim como de um ramal ferroviário com extensão de 70 quilómetros, para ligação à mina em Nabeba, na República do Congo.

 Está ainda incluída neste contrato adjudicado à Mota-Engil a construção de um terminal portuário de águas profundas (navios "China-max"), e dos respectivos estaleiros.

 "O contrato enquadra-se no projecto de minério de ferro Mbalam-Nabeba (um dos mais relevantes projectos de infra-estruturas do país e da região), localizado em Mbalam, a cerca de 485 quilómetros a leste da cidade costeira de Kribi, na República dos Camarões, abrangendo ainda a zona de Nabeba na República do Congo", adianta o referido comunicado da Mota-Engil.

 Os responsáveis da construtora portuguesa revelam que, de acordo com a Sundance, "todas as condições precedentes deverão estar observadas até meados de 2015, altura a partir da qual deverá arrancar a construção, que decorrerá durante um período de cerca de 42 meses, iniciando-se entretanto o desenvolvimento do projecto de execução e a realização de trabalhos preliminares".

 "Após concluídas, as infra-estruturas servirão de escoamento da produção daquele projecto, de que a Sundance Resources Ltd é concessionária", acrescenta o documento em questão.

 A Mota-Engil sublinha que "esta adjudicação, cuja estruturação do financiamento é coordenada pelo Standard Bank, é bem ilustrativa da capacidade do grupo para, no âmbito do desenvolvimento dos seus negócios em África, se afirmar como "solutions provider" e, deste modo, participar activamente no desenvolvimento integrado de toda a região Sub-Sahariana".

 A Sundance Resources Ltd é uma empresa internacional de mineração, que está focada em tornar-se um produtor de referência mundial, através do desenvolvimento deste projecto de minério de ferro na zona Mbalam-Nabeba, no centro-oeste da África.

 A Mota-Engil considera que este investimento irá liderar "o desenvolvimento da próxima grande província de minério de ferro do Mundo".

 Além deste contrato, a Mota-Engil estará perto de fechar contratos no valor de 2,2 biliões de dólares no México, noticia a imprensa local.

 

* Mota-Engil África na Bolsa de Londres

 

 Segundo noticiava ontem o Diário Económico, para ter acesso preferencial às acções da Mota-Engil Africa os investidores terão de deter títulos da construtora portuguesa até hoje. A oferta das novas acções da Mota-Engil Africa acontecerá três dias depois, na sexta-feira, informou a empresa em comunicado.

 Esta operação será acompanhada de uma outra oferta, dirigida a investidores institucionais. O montante reservado para investidores qualificados poderá aumentar se a parcela dirigida ao retalho não for subscrita na totalidade.

 A Mota-Engil Africa será cotada na Bolsa de Londres com um capital disperso (‘free flot’) mínimo de 25%, informa o mesmo documento.

A administração da unidade africana promete "uma política progressiva de dividendos" com a distribuição entre 50% e 75% do lucro.

 O ‘board’ da Mota-Engil Africa deve ser liderado pelo actual CEO da Mota-Engil, Gonçalo Moura Martins, juntamente com David Hobley e Francisco Seixas da Costa como gestores não executivos, destaca o BPI numa nota divulgada ontem.

 A dispersão da Mota-Engil Africa está a ser coordenada pelo Standard Bank. BESI, Millennium investiment banking, Caixa BI, BPI, Nau Securities, BNP Paribas e Finantia também participam.

 As acções da Mota-Engil subiam ontem 1,68% para 5,99 euros.