Mosteiro de Arouca refúgio para moças castas, viúvas e damas nobres sem pretendentes

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Mosteiro de Arouca

Mosteiro de AroucaNo Mosteiro de Arouca, fim de semana, as mulheres foram calmas e falavam baixinho, à semelhança das monjas que aí viviam há dois séculos e cujo quotidiano se reproduziu de sexta a domingo, numa encenação que envolveu 200 actores e figurantes.

Ocultas as linhas do corpo e os cabelos tentadores sob vestes pretas e brancas, largas e pesadas, as Senhoras Damas – que podiam chamar-se Auta ou Briolanja e eram muitas vezes Vaz Pinto ou Vasconcelos – circulavam sem pressa pelos claustros do mosteiro em sapatinhos elegantes em contraste com a restante austeridade do traje.

Afonso Veiga, que zelava pelo rigor do evento “Arouca, uma recriação histórica”, diz que essas “eram sempre meninas de posses”, porque no mosteiro “só podiam entrar senhoras de comprovada ascendência nobre – nada de sangue judeu, nem sangue negro”. Em alguns casos, as freiras eram realmente devotas – chamavam-se ”religiosas professas” – e seguiam a Regra de S. Bento, que determina que: “Sete vezes ao dia rezarás ao Senhor teu Deus”.

A maioria das monjas que frequentavam o mosteiro era, no entanto, secular. “Iam para o mosteiro devido a desgostos de amor, porque tinham enviuvado ou porque não havia quem casasse com elas”, conta Afonso Veiga, “e não tinham que seguir regras rígidas”. Tanto  ara as professas como para as seculares, o mosteiro era sempre prestigiante. O historiador afirma que esse era considerado “um espaço de reserva para onde as famílias nobres podiam mandar os seus «excedentes  familiares»”, mas garante que “ter uma filha no mosteiro de Arouca era um prestígio muito grande”.