Morreu Eusébio da Silva Ferreira

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Morreu Eusébio da Silva Ferreira

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, sublinho que a melhor forma de homenagear Eusébio "é seguir o seu exemplo", recordando a forma como o antigo futebolista trabalhou e lutou para alcançar tantas vitórias.

 "Portugal perdeu um dos seus filhos mais queridos: Eusébio da Silva Ferreira", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, numa declaração no Palácio de Belém, a propósito da morte de Eusébio.

 Pedindo para que se siga o exemplo de Eusébio enquanto desportista e enquanto ser humano, Cavaco Silva lembrou o "campeão que trabalhou e lutou para alcançar tantas vitórias" e como uma pessoa que manteve com os outros uma relação calorosa, de afecto e de respeito mútuo".

 Na declaração, o Presidente da República recordou a forma como ao longo da sua vida Eusébio conquistou o carinho e a estima de todos, por ser "um desportista de excepção, dos melhores do mundo, que tantas glórias trouxe a Portugal".

 Cavaco Silva, que esteve pela última vez com Eusébio em Outubro, num encontro

privado, destacou igualmente as qualidades humanas excepcionais do antigo futebolista, que tinha "uma humildade e uma afabilidade invulgares, uma simplicidade daquelas que são verdadeiramente grandes, que nada precisam de exibir porque já demonstraram ser os melhores."

 "Tinha um trasbordante amor pela vida, uma enorme alegria de viver, rodeado pelo afecto de todos os portugueses", acrescentou, confessando que Eusébio foi uma das personalidades mais cativantes que conheceu na sua vida.

 Os talentos de Eusébio como desportista, "que deram a alegria a milhões de pessoas, a gerações de inteiras", foram igualmente destacados pelo chefe de Estado, que lembrou a sua "arte" e a forma como dentro do campo se entregava com paixão para alcançar a vitória e representou a Selecção nacional com uma dedicação sem limites.

 "Todos recordamos o dia em que saiu do campo em lágrimas, chorando por Portugal.

 As lágrimas de Eusébio, nesse dia, são as nossas lágrimas, no dia de hoje. O país chora a sua morte. O país está oficialmente de luto", disse Cavaco Silva na declaração no Palácio de Belém, onde a bandeira de Portugal foi colocada a meia-haste, depois de terem sido decretados três de luto nacional.

 Em Março de 2008, Eusébio fez parte da comitiva oficial que acompanhou o Presidente da República na viagem a Moçambique, a convite do próprio chefe de Estado.

 Entre as várias condecorações com que foi distinguido, Eusébio foi agraciado com a Grã-Cruz Infante D. Henrique e a Ordem de Mérito.

 Eusébio da Silva Ferreira faleceu às 4:30 vítima de paragem cardiorrespiratória, disse à agência Lusa fonte do clube.

 O "Pantera Negra" foi eleito o melhor jogador do Mundo em 1965 e conquistou duas Botas de Ouro (1967/68 e 1972/73).  

 No Mundial Inglaterra de 1966 foi considerado o melhor jogador da competição, na qual foi o melhor marcador, com nove golos.

 Eusébio nasceu a 25 de Ja-neiro de 1942 em Lourenço Marques (actual Maputo), em Moçambique.

 

* Sampaio recorda "grande prestígio internacional" do ex-futebolista

 

 O ex-Presidente da República Jorge Sampaio manifestou uma "grande tristeza" pela morte de Eusébio, recordando-o como uma figura que "deu tudo o que tinha para elevar o nome de Portugal o mais alto possível".

 "Foi uma figura que teve um prestígio internacional, quando ainda havia poucas que o tivessem", sustentou o ex-Chefe de Estado, em declarações à RTP, na qual evidenciou a "grande dedicação" de Eusébio ao Benfica e à Selecção nacional.

 Para Jorge Sampaio, Eusébio "era uma daquelas pessoas que tinham um consenso geral de admiração, de agradecimento e de notoriedade".

O ex-Presidente lembrou ainda Eusébio como "um símbolo" para as diferentes gerações, sobretudo as mais antigas, como a sua.

 No Mundial Inglaterra de 1966 foi considerado o melhor jogador da competição Na mesma competição, Portugal terminou no terceiro lugar, a melhor classificação de sempre da Selecção lusa em Mundiais.

 

* Mário Soares  recorda "um grande futebolista" e "um homem bom"

 

 O ex-Presidente da República Mário Soares lamentou a morte de Eusébio, que classificou como "um grande futebolista" e "um homem bom e agradável".

 "Foi um grande futebolista, uma pessoa bem formada e fiquei sempre com a ideia de que era um homem muito modesto e muito simpático", sublinhou o ex-Chefe do Estado, em declarações à RTP.

 Soares recordou que nunca foi "grande amante do futebol", apesar de ter conhecido bem Eusébio, que qualificou como "uma pessoa simples, pouco instruído, mas uma pessoa que era muito agradável, nada vaidoso, apesar de ter sido um grande futebolista e um grande homem do futebol".

 "Era um homem bom, um homem agradável, com pouca cultura.

 Evidentemente, não se estava à espera que fosse um pensador, estava-se à espera que fosse um grande homem do futebol, o que foi", sustentou o ex-Presidente da República.

 

* O Presidente da FPF enaltece "figura ímpar" que sempre apoiou a selecção

 

 O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) assinalou "com pesar e consternação" a morte de Eusébio, que considerou "uma figura ímpar e incontornável do futebol português" e que apoiou a Selecção Nacional até ao fim.

 "Foi naturalmente com pesar e consternação que saúdo o falecimento do nosso Eusébio  uma figura ímpar e incontornável do futebol português que deixou e deixará para sempre a sua imagem ligada ao desenvolvimento da modalidade", declarou Fernando Gomes.

 Para o presidente da FPF, "a qualidade inigualável de Eusébio ficará para sempre na retina daqueles que tiveram oportunidade de o ver e as gerações vindouras lembrar-se-ão sempre do grande Eusébio", seja pelos jogos "no seu Benfica" ou na Selecção de Portugal.

 O responsável federativo disse também que Eusébio "sempre dedicou uma parte da sua qualidade e da sua interacção a apoiar a Selecção portuguesa", recordando o caso recente do jogo do “play-off” de apuramento para o Mundial2014, contra a Suécia.

 "O Eusébio não quis deixar de estar connosco. Sempre esteve com a Selecção e ficará sempre com a Selecção", disse Fernando Go-mes, para quem o antigo jogador do Benfica e da equipa das quinas "desapareceu fisicamente mas concerteza ficará connosco, a apoiar a Selecção, para todo o sempre".

 O responsável máximo da FPF disse que a entidade que dirige – que assinala este ano o seu centenário – "tinha previsto uma comemoração especial para Eusébio".

 "Infelizmente não vai ser possível fazê-lo em vida, mas a FPF não deixará de reconhecer e de valorizar a título póstumo aquilo que o Eusébio representou para o futebol português", afirmou.

 

* Damásio triste  com a morte de  "um embaixador  de Portugal"

 

 O ex-presidente do Benfica Manuel Damásio lamentou a morte do ex-futebolista Eusébio, que classificou de "figura mundial" e "um embaixador de Portugal" além fronteiras.

 "Hoje é um dia triste para Portugal e para todos os portugueses, independentemente de serem ou não benfiquistas, porque o Eusébio era uma figura nacional e mundial, que muito deu ao país", acentuou à agência Lusa o ex-presidente dos "encarnados" entre 1994 e 1997.

 Damásio expressou "muita mágoa" com o falecimento do "pantera negra", endereçou as condolências à família do ex-futebolista e elogiou o governo por ter decretado três dias de luto nacional em memória de "um embaixador de Portugal no mundo".

 "Espero que os benfiquistas façam, no próximo jogo, uma despedida como ele merecia, ali na sua casa, que encham o estádio em sua memória", concluiu o ex-presidente do Benfica.

 O “Pantera Negra” foi eleito o melhor jogador do Mundo em 1965 e conquistou duas Botas de Ouro (1967/68 e 1972/73). No Mundial Inglaterra de 1966 foi considerado o melhor jogador da competição, na qual foi o melhor marcador, com nove golos.

 Na mesma competição, Portugal terminou no terceiro lugar.

 

* A Memória do futebolista vai perdurar "para lá dos tempos"

– António Costa

 

 O presidente da câmara de Lisboa, António Costa, defendeu que Eusébio pertence ao clube daqueles que vão perdurar "para lá dos tempos", numa mensagem de homenagem ao futebolista.

 “Eusébio é uma daquelas personalidades que perduram para lá dos tempos. Esta é uma hora de lhe manifestar tributo e gratidão, certo que a sua memória perdurará, continuando parte integrante do imaginário português”, disse o autarca na mensagem enviada à agência Lusa.

 Afirmando que o futebolista foi “um dos grandes símbolos do desporto mundial e de Portugal”, António Costa lembrou que Eusébio conseguiu “romper o isolamento a que Portugal se tinha condenado nos anos 60”.

 O presidente da câmara lisboeta realçou ainda que “Lisboa teve o privilégio de ter sido o palco principal da sua carreira” e prestou “sentida homenagem” à família, ao Sport Lisboa e Benfica e à Federação Portuguesa de Futebol.

 

* Luís Filipe Vieira  diz que "os mitos  nunca deviam partir"

 

 O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, considerou que a notícia da morte de Eusébio é chocante porque o ex-futebolista "tinha ganho em vida a condição de mito" e "os mitos nunca deviam partir".

 "Nunca estamos preparados para perder aqueles que nos são mais próximos, aqueles que por tudo o que fizeram, por tudo o que alcançaram, nos acostumamos a ver como imortais.

 Eusébio já tinha ganho em vida a sua condição de mito e por isso é que a notícia do seu desaparecimento mais choca, porque os mitos nunca deviam partir", comentou Luís Filipe Vieira na página oficial do Benfica na rede social Facebook.

 O máximo responsável encarnado referiu que "os 71 anos de Eusébio celebram o futebol, celebram o Benfica, celebram Portugal", mas também trazem à memória colectiva "alguém que sempre teve um enorme prazer pela vida".

 "É essa dedicação à vida que devemos recordar! Tenho por Eusébio uma profunda gratidão, porque vivi algumas das tardes mais fantásticas da minha vida a vê-lo jogar.

 Tenho uma profunda gratidão, ainda, por tudo o que fez pelo Benfica e pelo futebol português", acrescentou o presidente do clube da Luz.

 Para Vieira, "Eusébio nunca morrerá", justificando que "o seu exemplo vai continuar presente".

 O presidente dos encarnados recordou ainda que o clube – já sob a sua presidência – instituiu em 2008 a Eusébio Cup, uma Taça disputada num único jogo de pré-epoca no Estádio da Luz entre o Benfica e um clube convidado.

 "Felizmente, fomos a tempo de celebrar o seu talento e o seu legado em vida, com a Eusébio Cup e assim vamos continuar a fazê-lo. Obrigado por tudo o que nos deste!", concluiu Vieira na sua mensagem.

 

A FPF institui um minuto de silêncio nos jogos das suas competições

 

 A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) decretou  a observação de um minuto de silêncio em memória de Eusébio nos jogos das competições por si organizadas, entre as quais a Taça de Portugal.

 "Os jogos das competições organizadas pela Federação Portuguesa de Futebol que se realizaram no domingo foram antecedidos pela observação de um minuto de silêncio em memória de Eusébio da Silva Ferreira", refere a FPF numa nota emitida na sua página oficial na internet.

 

* "Moçambicanos estão tristes" – Coluna

 

 O antigo capitão do Benfica Mário Coluna disse que a morte de Eusébio, que "tinha como um filho", é triste para o futebol mundial e para Moçambique, uma vez que a "pantera" também "representava o desporto moçambicano".

 Quando chegou a Lisboa, em Dezembro de 1960, para jogar no Benfica, Eusébio da Silva Ferreira levava uma carta da sua mãe dirigida a Mário Coluna, em que esta pedia ao capitão moçambicano que tomasse conta do seu filho.

 "Saiu daqui com a autorização da mãe e eu como pai dele. Fui eu que o representei até ele ser maior de idade. Tinha-o como um filho, e, por isso, hoje é um dia muito triste", lamentou Mário Coluna.

 A jogar pela equipa portuguesa encarnada, Mário Coluna e Eusébio brilharam mundialmente na década de 1960, representando a conquista da Taça dos Clubes Europeus, em 1962, frente ao Real Madrid (5-3), no Estádio Olímpico de Amesterdão, na Holanda, um dos momentos mais importantes da carreira dos dois jogadores, naturais de Moçambique.

 Os dois jogadores partilharam ainda o terceiro lugar da Selecção de Portugal no Campeonato Mundial de Futebol de 1966, disputado na Inglaterra.

 

 Embora tenha passado grande parte da sua vida em Portugal, ao contrário de Mário Coluna, que regressou a Moçambique depois do período da independência, na década de 1970, Eusébio é tido pelo seu "pai" como moçambicano.

 "O Eusébio representava Moçambique no desporto, portanto, ele era moçambicano. Os moçambicanos estão tristes com esta notícia", concluiu Coluna.