Morreu comandante de barco sul-africano retido no porto do Lobito

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Morreu comandante de barco sul-africano retido no porto do Lobito

O comandante sul-africano de um barco retido há praticamente um mês no porto do Lobito morreu naquela região do sul de Angola devido a problemas de saúde, afirma a família, citada pela imprensa da África do Sul.

 De acordo com a filha do comandante, de 68 anos, este morreu na penúltima sexta-feira, na sequência de um acidente vascular cerebral sofrido dias antes, quando, juntamente com a restante tripulação estava retido no barco Bluegate, sobrevivendo já na altura com água da chuva e farinha de milho.

 "Já é muito mau ele morrer sozinho, quando podia nem sequer ter acontecido. Se estivesse na Cidade do Cabo (cidade sul-africana) ou noutro qualquer local, ainda podia estar vivo. Foi enviado para um hospital sem as adequadas condições médicas", afirmou a filha do comandante Olivia Gilbert, citada no jornal "Independent online".

 Além do comandante da embarcação, Angus Gilbert, que já estava internado num hospital local, a tripulação integra outros quatro marinheiros de nacionalidade sul-africana, juntamente com um ganês e um queniano.

 Nas redes sociais tem havido forte mobilização no apoio a estes marinheiros, nomeadamente para tentar fornecer alimentos e garantir o seu repatriamento.

 A Lusa noticiou anteriormente que o Governo sul-africano estava a interceder junto das autoridades angolanas para apoiar a tripulação desta embarcação, retida no porto do Lobito devido a um diferendo envolvendo o armador.

 Este caso tem merecido forte interesse na comunicação social da África do Sul e fontes do Governo do país reconhecem que o diferendo com o armador do Bluegate, entre outros problemas, envolve o pagamento de taxas devidas ao Estado angolano.

Com base nos testemunhos dos familiares dos marinheiros, o Bluegate partiu a 02 de março da África do Sul. Tinha como destino o porto de Lagos, na Nigéria, onde deveria ter chegado no passado dia 23 de Março, embora a tripulação tenha alertado o arma-dor, nigeriano, para a insuficiência de mantimentos e combustíveis.

 Seguiu-se uma tentativa, frustrada, para abastecer na Namíbia acabando o comandante do barco por desviar o rumo para o porto do Lobito, devido à falta de combustível para continuar a viagem.

 Gorada foi também a possibilidade de reabastecimento, em Angola, devido ao desentendimento entre o fornecedor angolano e o armador, pelo que os sete marinheiros ficaram sem qualquer apoio e sem poderem sair do barco, face à falta de autorização legal.