Morreram 29 turistas alemães em acidente com autocarro na Madeira

0
45

O Governo português decretou na quinta-feira três dias de luto nacional em memória das vítimas do acidente com um autocarro de turismo na Madeira, que fez pelo menos 29 mortos.

 “O Conselho de Ministros aprovou hoje o decreto que declara os dias 18, 19 e 20 de Abril como dias de luto nacional, como forma de expressão de pesar e de solidariedade de toda a população nacional para com as vítimas, e suas famílias, do trágico acidente com um autocarro de turismo, na Região Autónoma da Madeira, que provocou a perda irreparável de vidas humanas”, lê-se num comunicado divulgado.

 Pelo menos 29 pessoas morreram na quarta-feira no acidente com um autocarro que transportava turistas alemães em Santa Cruz, na Madeira.

 Uma das vítimas morreu no hospital central do Funchal, onde deram entrada outros 27 feridos, dois dos quais portugueses – o condutor do autocarro e a guia turística.

 As vítimas mortais, 11 homens e 18 mulheres, são todas alemãs.

 Na quarta-feira, também o  governo da Madeira tinha decretado três dias de luto regional.

 “O Governo Regional reuniu-se hoje, extraordinariamente, tendo deliberado decretar  luto regional durante três dias, a partir de amanhã [quinta-feira], devido ao trágico acidente ocorrido neste final de tarde, no Caniço”, lê-se num comunicado enviado às redações pelo Gabinete da Presidência do Governo Regional da Madeira.

 

* Marcelo elogia  forma “muito rápida

e eficiente” como  investigação decorre

 

 O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse na sexta-feira, na Madeira, que a investigação relativa às circunstâncias do acidente que envolveu um autocarro, e provou 29 mortos, está a decorrer “de forma muito rápida e eficiente”.

 Numa declaração aos jornalistas à porta do Hospital dr. Nélio Mendonça, no Funchal, onde estão internados os feridos resultantes desse acidente – entre os quais dois portugueses – o Chefe de Estado foi questionado sobre a investigação em torno do que terá motivado o acidente.

 “Eu acompanho o que se passa, está a decorrer nos termos normais, sob responsabilidade da instituição que tem a seu cargo esse tipo de investigação, com a colaboração das autoridades competentes”, afirmou.

 Marcelo Rebelo de Sousa disse também que “isso está a correr de forma muito rápida e muito eficiente, e a seu tempo saberá as conclusões”.

 “Este é ainda o momento de testemunhar solidariedade, agradecer a capacidade de resposta dos muitos e das muitas que souberam estar à altura das circunstâncias e a excederem-se, e por outro lado manifestar uma determinação em relação ao futuro”, sustentou, referindo que “este é o significado do dia de hoje”.

 Antes, em visita ao local onde o autocarro se despistou, o Presidente já tinha sido questionado sobre a investigação, mas não quis pronunciar-se.

 “Há entidades que tratam disso. Não é essa a função do Presidente da República”, sustentou, adiantando que está no local “para acompanhar tudo o que se passa, mas sobretudo para prestar homenagem e testemunhar solidariedade, gratidão e determinação”.

 

* Presidente da República diz que deixa a ilha com missões cumpridas

 

 O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou, antes de deixar a ilha da Madeira, que cumpriu as missões a que se propôs nesta visita, entre as quais homenagear as vítimas mortais do acidente com um autocarro.

 O Chefe de Estado aterrou na Madeira na sexta-feira às 13:00, tendo-se dirigido logo de seguida para o local onde o autocarro turístico se despistou, na freguesia do Caniço, concelho de Santa Cruz, onde depositou uma coroa de flores.

 De seguida, visitou os turistas alemães sobreviventes que se encontram hospedados num hotel junto ao local do acidente e foi também ao hospital falar com as vítimas que ainda estavam internadas, entre as quais se encontram dois portugueses – o motorista do autocarro e a guia -, e respectivas famílias.

 Marcelo Rebelo de Sousa participou depois numa cerimónia de homenagem aos que morreram, que decorreu na Igreja Presbiteriana do Funchal, deslocando-se de seguida para a Sé Catedral, onde participou numa cerimónia católica.

 Depois, a convite do Bispo do Funchal, D. Nuno Brás, o Presidente da República integrou uma procissão religiosa, que saiu daquela igreja e terminou no mesmo local.

 No final, quando se dirigia ao Palácio de São Lourenço para jantar com o representante da República, o Chefe de Estado falou aos jornalistas e fez um balanço deste dia.

 “O balanço que faço é o de que, por um lado tive oportunidade de cumprir a primeira missão, que era a missão de homenagear aqueles que nos deixaram, falar com os familiares, visitar os feridos”, afirmou, indicando que a segunda missão foi agradecer “o trabalho excepcional das instituições todas”.

 “Tendo cumprimentado todas, de alguma maneira cumprimentei de forma mais especial o pessoal do hospital, mas é evidente que foi um esforço colectivo, que envolveu todas as instituições, todas, que souberam estar à altura das responsabilidades”, salientou.

 Marcelo apontou também que, ao participar nas duas cerimónias religiosas, uma luterana e a outra católica, conseguiu mostrar “a abertura de espírito de Portugal e da Madeira” e “juntar aqui maneiras diferentes de sentir, de viver, num dia que, para muitos que têm uma formação cristã, é muito significativo, para outros, em qualquer caso, é um dia de respeito por aquilo que se estava, de alguma maneira, a homenagear”.

 “E saí daqui com uma grande determinação, como saio sempre da Madeira, que é realmente um povo muito determinado, um povo muito afirmativo, muito realizador e muito corajoso. Portanto, estão cumpridas as missões a que me propunha para o dia de hoje”, vincou.

 Questionado sobre a data da trasladação dos corpos dos 29 turistas alemães para o seu país de origem, Marcelo considerou que “o embaixador alemão estava a tratar disso”.

 “Ele está muito esperançado de que seja uma realidade desbloqueada rapidamente, apesar de estes serem dias, como sabem, dias em que isso não é muito fácil, este fim de semana longo, mas, até aí a Madeira tem estado à altura das circunstâncias”, vincou.

 Sobre o socorro a todos os envolvidos no acidente, o Presidente notou que “foi excepcional e reconhecido pelo Presidente alemão, também pelo embaixador alemão, que ainda cá está e fica para amanhã [sábado]”.

 Indicando que também aqueles que ficaram feridos “elogiaram a forma como realmente houve capacidade de responder a uma situação gravíssima de emergência”, Marcelo Rebelo de Sousa vincou que “houve um juízo global muito favorável relativamente à excepcional capacidade de resposta de todas as instituições que intervieram”.

 Questionado ainda sobre o apuramento de responsabilidades, o Presidente disse que “isso está a acontecer naturalmente”.

 “E, portanto, em si mesmo nunca tive dúvidas sobre isso”, rematou.

 

Santos Silva representa Governo e acompanha homólogo alemão

 

 O ministro português dos Negócios Estrangeiros desloca-se na quinta-feira à Madeira para manifestar a solidariedade do Governo para com as vítimas do acidente com um autocarro, que fez 29 mortos, e acompanhar o homólogo alemão.

 Augusto Santos Silva esteve acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Maas, que viajou para a Madeira com uma equipa de médicos, psicólogos e funcionários consulares para “falar com os afectados e agradecer a ajuda” portuguesa.

 O Ministério dos Negócios Estrangeiros lamentou na quarta-feira à noite o “terrível acidente” que vitimou mortalmente 29 turistas alemães, apresentando “sentidas condolências” às famílias, ao povo e Governo da Alemanha.

 “Lamentamos profundamente o terrível acidente que ceifou vidas na Região Autónoma da Madeira. Apresentamos sentidas condolências às famílias atingidas e ao Povo e ao Governo da Alemanha”, pode ler-se numa publicação na página oficial da rede social Twitter do Ministério.

 Heiko Maas agradeceu também o apoio dos “amigos portugueses” pela “grande preocupação e disponibilidade durante estas horas difíceis, em particular às equipas de salvamento locais”.

 

Costa expressa pesar às famílias das vítimas e a Angela Merkel

 

 O primeiro-ministro, António Costa, transmitiu, em nome do Governo português, as “sentidas condolências” às famílias das vítimas do acidente com um autocarro turístico na Madeira e exprimiu o seu pe-sar à chanceler alemã, Angela Merkel.

 Foi com profundo pesar que tomei conhecimento do trágico acidente na Madeira. A todas as famílias envolvidas transmito, em nome do governo português, as mais sentidas condolências”, escreveu o líder do executivo, numa mensagem à qual a agência Lusa teve acesso.

 António Costa enviou também “uma palavra de consternação e apoio aos madeirenses e refere que já enviara uma mensagem à chanceler germânica.

 “Também já tive a oportunidade de transmitir o voto de pesar à chanceler Angela Merkel, nesta hora difícil”, acrescentou.

 

Parlamento Europeu cumpre minuto de silêncio

 

 O Parlamento Europeu cumpriu na quinta-feira, na sessão plenária, um minuto de silêncio em memória das vítimas do acidente de autocarro em Santa Cruz, na Madeira.

 “Estamos muito comovidos pelo acidente horrível que aconteceu na ilha da Madei-ra”, declarou o vice-presidente do Parlamento Europeu Rainer Wieland na sessão plenária, em Estrasburgo, França, e que era a última do mandato.

 Falando em nome da assembleia europeia, o responsável endereçou os “sinceros pêsames” à família das vítimas e agradeceu “às autoridades que prestaram assistência” no local.

 Rainer Wieland pediu, depois, um minuto de silêncio aos eurodeputados, que se preparavam para iniciar uma ronda de votações.

 O único eurodeputado português a intervir após esse minuto de silêncio foi José Inácio Faria, que realçou que esta “foi uma tragédia que Portugal jamais esquecerá”, sendo também “um dos mais graves acidentes ocorridos na Madeira”.

 “O acidente ocorreu num período que, para nós, portugueses, é muito importante, a Quaresma”, notou José Inácio Faria, lamentando as vítimas.

 

* Feridos regressam à Alemanha

 

 

 A operação de transferência dos 12 feridos alemães internados no Hospital do Funchal para o aeroporto da Madeira rumo à Alemanha terminou às 10:45 da manhã de sábado, tendo durado 02:03 horas. O avião com os alemães partiu às 12:00 horas do aeroporto Cristiano Ronaldo.

 Os feridos seguiram num avião hospital da Força Aérea alemã com destino a Colónia.

 A primeira ambulância da operação partiu às 8:42 horas do Hospital rumo ao Aeroporto da Madeira, num percurso de cerca de 20 minutos.

 Entretanto, a maior parte dos feridos que entrou no Hospital já teve alta, ficando, agora, internados apenas os dois portugueses e uma turista alemã que não seguiu para a Ale-manha por motivos clínicos, segundo a Direcção Clínica do Hospital Central do Funchal Dr. Nélio Mendonça.

 

* Miguel Albuquerque antecipa regresso de férias no Dubai

 

 O presidente do Governo Re-gional da Madeira, Miguel Albuquerque, antecipou o regresso à ilha de uma viagem particular que estava a fazer com a família ao Dubai e chegou domingo à região.

 “O presidente chega domingo e vem na data que foi possível arranjar pois, em princípio, deveria ficar uma semana no Dubai”, referiu a mesma fonte.

Miguel Albuquerque tem sido criticado por não ter regressado à Madeira por ocasião do acidente que envolveu o autocarro com turistas alemães no Caniço, em Santa Cruz, que causou 29 mortos e 27 feridos, entre os quais dois portugueses naturais da ilha.

 O vice-presidente do Governo Regional, Pedro Calado, tem representado Miguel Albuquerque desde o dia do acidente.