Moeda única está viva e nem sequer está ligada à máquina

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Moeda única está viva e nem sequer está ligada à máquina

O antigo ministro da Economia Daniel Bessa afirmou que o euro “está vivo e nem sequer está ligado a máquina nenhuma”, mas sublinhou que “há razões para estar preocupado” com o futuro da moeda única.

 “O euro está vivo, nem sequer está ligado a máquina nenhuma”, referiu o economista, frisando que “o euro não se despenhou nos mercados cambiais”.

 “Há euros nas mãos dos chineses, dos russos, os árabes todos têm euros, particulares, empresas, bancos centrais pelo mundo adiante, toda essa gente tem euros”, referiu, considerando que “se o mundo estivesse assim tão apreensivo relativamente ao futuro do euro, seria de admitir que se despenhasse, que as pessoas começassem a vender os seus activos em euros e começasse a comprar outra coisa qualquer”, como dólares, francos suíços ou ienes.

 “Há razões para estar preocupado [em relação ao futuro do euro], mas não vejo uma fuga, muito menos maciça”, disse ainda.
 Lembrou que o euro, quando apareceu, se trocava por 1,16 dólares e agora já se troca por mais de 1,30.
 “É verdade que já esteve mais alto, também já esteve muito mis baixo, não acho que haja manifestação nenhuma de uma fuga ao euro. Agora que há razões para estar preocupado, há”, disse Daniel Bessa, sublinhando que não se sabe se o euro “está para ficar”.

 O antigo ministro falava na Universidade do Minho, em Braga, à margem da conferência “As seguradoras e o desafio da poupança”, promovida pela Associação Portuguesa de Seguradores.

* Miguel Cadilhe diz que fim da moeda única seria “insensato” e “absurdo”

 O antigo ministro das Finanças Miguel Cadilhe afirmou que o fim do euro seria “insensato” e “absurdo”, classificando ainda como um “erro” Portugal pensar em abandonar a moeda única.
 “Seria insensato pensar em acabar com o euro, um absurdo, um erro. Não ponho sequer essa hipótese”, referiu.
 Cadilhe acrescentou que seria igualmente um “erro” Portugal pensar em abandonar o euro.

 “Eu não estive a favor da entrada de Portugal na zona euro, há muitos anos, quando isto estava no início, porque achei que a moeda única seria demasiado forte para a nossa estrutura produtiva e que Portugal não estava preparado, que íamos sofrer com isso, ter um excessivo défice externo e problemas de competitividade. Mas agora que estamos lá, seria um erro da nossa parte pensar em abandonar o euro”, referiu.
 Miguel Cadilhe falava na Universidade do Minho, em Braga, no decorrer da conferência “As seguradoras e o desafio da poupança”, promovida pela Associação Portuguesa de Seguradores.

* “Sem euro a Europa deixa de existir  no panorama
internacional” – Teixeira dos Santos

 O ex-ministro das Finanças Fernando Teixeira dos Santos alertou que “sem euro a Europa deixa de existir no panorama internacional”, considerando que “faltam ainda as soluções para a resolver a crise” atual.

 Na sessão de abertura da conferência “Portugal 2012: Os desafios do Orçamento do Estado”, que decorreu no Porto, Teixeira dos Santos defendeu que “sem euro a Europa deixa de existir no panorama internacional”, e que o fim da moeda única “é a desagregação da Europa e é o retirar voz à Europa numa economia global cada vez mais polarizada entre a China e os Estados Unidos”.
 “Creio que as decisões do Conselho são decisões relevantes no âmbito da prevenção de crises e de termos um sistema que reforce a nossa capacidade de prevenir crises do género daquela que estamos a viver, mas faltam ainda as soluções para resolver a crise que estamos em curso”, alertou.

* Moeda única não está em crise, alguns Estados-membros sim – Schäuble

 O ministro das finanças ale-mão, Wolfgang Schäuble, sublinhou a estabilidade do euro, garantindo que este “não está em crise”, numa cerimónia em Berlim para assinalar os 10 anos da sua introdução em papel moeda.
 Na opinião de Schäuble o que existe “não é uma crise do euro, mas sim uma crise e problemas numa série de Estados membros”.
 Posto isto, para o ministro das finanças alemão “é necessário que haja coerência suficiente entre os Estados-membros, e também competitividade suficiente”.
 Na cerimónia, o ministro defendeu também a substituição, há uma década, do marco alemão-federal – na época uma das moedas mais fortes do mundo -, pelo euro.

 “Não foi uma decisão fácil, mas já então foi a decisão correta”, asseverou Schäuble, lembrando que a moeda única europeia “é estável, as taxas de inflação são baixas e o valor da moeda comum é estável”.

 O outro orador convidado para as celebrações foi o presidente do banco federal (Bundesbank) Jens Weidmann, que voltou a recusar uma maior intervenção do Banco Central Europeu (BCE) na ajuda aos países do euro com problemas de refinanciamento nos mercados.
“A ideia de imprimir dinheiro tem de ser definitivamente posta de parte, porque com isso poríamos em risco a base mais importante de uma moeda estável, a independência de um banco central que está virado para o combate à inflação”, advertiu o ex-conselheiro da chanceler Angela Merkel.
 A referida independência “perde-se quando a política monetária é atrelada ao carro da política financeira e perde o controlo da evolução dos preços”, advertiu Weidmann.
 Simultaneamente, o presidente do Bundesbank exortou os responsáveis políticos a aplicar as decisões tomadas na recente cimeira europeia, lembrando que “um dos maiores erros do passado foi não se respeitarem compromissos”.

 Para que haja finanças sólidas, “é necessário”, acrescentou o banqueiro alemão, “uma constante autodisciplina, associada a estímulos adequados” a adotar por cada uma das economias nacionais.
 Por isso, “as ajudas mútuas devem ser o último recurso, no âmbito do pacto fiscal que foi aprovado, e só devem ser aprovadas sob rigorosas condições”.
 Weidmann pronunciou-se ainda contra a emissão dos chamados ‘eurobonds’, alegando que obrigações conjuntas dos países do euro anulariam o “efeito disciplinador” da subida dos juros para os países que se endividarem demasiado.

 O presidente do Bundesbank mostrou-se convicto, no entanto, de que o euro e a Europa “sairão reforçados da actual crise, se os políticos toma-rem as medidas adequadas”.

* Bundesbank diz que BCE não deve imprimir dinheiro para resolver crise do euro

 O líder do Bundesbank avisou que o Banco Central Europeu (BCE) não deve imprimir mais dinheiro com o objectivo de resolver a crise da dívida na zona euro, noticia a Associated Press (AP).
Num discurso em Berlim, Jens Weidmann, que lidera o banco central alemão (Budensbank), defendeu que “tem de se pôr de lado a ideia de que o problema [da crise da dívida nos países do euro] se resolve com a impressão de mais dinheiro”.

 Weidmann tem também assento no conselho de governadores, constituído por 23 membros, do BCE.
O presidente do Budensbank acrescentou que fazer do BCE o suporte para as finanças públicas irá custar a independência da entidade. Como também irá custar a sua credibilidade e a sua luta contra a inflação, salientou.