Moçambique e Portugal criam empresa de construção de vagões já a pensar na área da indústria naval

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Moçambique e Portugal

Moçambique e PortugalPortugal e Moçambique assinaram terça-feira em Maputo um acordo que permite a construção de uma empresa luso-moçambicana de construção de vagões, a olhar já para outros acordos na área da indústria naval.

 O acordo foi assinado no final de uma visita a Moçambique do ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações de Portugal, António Mendonça, que o rubricou em nome do governo português, tendo do lado moçambicano o ministro dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula.
 Caberá a partir de agora à EMEF (Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, de Portugal) e à CFM (Caminhos de Ferro de Moçambique) a responsabilidade de dar os passos seguintes para constituir a empresa.

 Os ministros não disseram quando a empresa estará pronta, mas Paulo Zucula frisou que há pressa “porque o mercado está aí, a necessidade está aí”. e explicou que na África Austral estão a surgir grandes investimentos na exploração mineira, não só em Moçambique mas também em países como o Botswana, com grandes reservas de carvão, o Zimbabwé, a Zâmbia ou o Malawi, países que estão a investir em linhas-férreas e onde não se produzem vagões, sendo a África do Sul o único país da região que os constrói.
 “Nos próximos 40, 50 anos não penso que haverá problemas de mercado para vagões, só na África do Sul é que produzem e temos informações que os pedidos são tantos que eles próprios já estão congestionados”, disse Paulo Zucula.

 O ministro lembrou que “quem investe em Moçambique investe na SADC” (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral) e salientou que Portugal tem também uma “experiência secular” na indústria naval, sendo que Moçambique precisa desse ‘know-how’ (quase três mil quilómetros de costa).

 “Já conversámos sobre isso e estamos a caminhar no sentido de também podermos trabalhar juntos na indústria naval”, afirmou Paulo Zucula, acrescentando depois que Moçambique precisa de “tudo” o que Portugal pode oferecer nesta área, de estaleiros a montagem dos mais diversos tipos de barcos.

 “Há um espaço grande, não vamos fazer tudo hoje ou amanhã e só com Portugal, mas há aqui áreas como a dos estaleiros navais, portos e formação”, concluiu o governante.