Moçambique e Maláui debatem agenda comum de Defesa e Segurança

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Segundo anunciou o Governo moçambicano, a agenda da XIII Sessão da Comissão Conjunta Permanente de Defesa e Segurança (CCPDS) destaca “os últimos desenvolvimentos políticos e de segurança com impacto nos dois países”, Moçambique e Maláui, o que refere-se num comunicado o Ministério de Defesa Nacional de Moçambique, citado pela Agência de Informação de Moçambique (AIM).

  Moçambique foi representado pelo ministro da Defesa, Jaime Neto e pelo ministro do Interior, Amade Miquidade.

  Os conflitos armados no Norte em Cabo Delgado e no Centro de Moçambique são os que centraram maior atenção na actualidade sub-regional.

* Fronteiras com Maláui

  As fronteiras entre Moçambique e o Maláui foram também notícia, com frequência, devido a casos de emigração ilegal.

  Uma das situações que chocou o Mundo ocorreu em Março deste ano, quando 64 etíopes foram encontrados mortos dentro do contentor de um camião oriundo do Maláui. Em Outubro, a justiça moçambicana condenou a oito e nove anos de prisão dois dos sete réus do caso.

  A comissão conjunta é um fórum criado pelos dois países com o objectivo de “dinamizar a cooperação bilateral, procurar soluções para problemas comuns e garantir maior aproximação e confiança” nas áreas de Defesa e Segurança.

  A violência armada em Cabo Delgado está a provocar uma crise humanitária com cerca de 2 mil mortes e 500 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos suficientes – concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

  No Centro, conflitos com guerrilheiros dissidentes da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), oposição, já provocaram 30 mortos no último ano.

* Moçambique e Tanzânia fecham acordo para combater terrorismo

  Comandante-geral da polícia de Moçambique anunciou a assinatura de um memorando de entendimento com as autoridades da Tanzânia que visa partilhar informação e reforçar as patrulhas para travar a insurgência terrorista.

  “Estamos certos que o memorando que assinámos com a República da Tanzânia para reactivar pontos fundamentais para a garantia da ordem e segurança pública do país vai marcar a diferença. A Tanzânia está pronta a trabalhar connosco e nós também estamos prontos para colaborar”, afirmou Bernardino Rafael, comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), durante uma conferência de imprensa em Mtwara, sul da Tanzânia.

  “Reunimos com as Forças de Defesa e Segurança da Tanzânia, trocámos informações em relação ao terrorismo, sobre a fronteira do rio Rovuma e a travessia dos terroristas”, afirmou. “Acordámos para que trabalhássemos em conjunto no sentido de controlarmos a fronteira. As forças de defesa moçambicana precisam de saber informações sobre os terroristas que

actuam na nossa pátria amada que é Moçambique”, acrescentou.  Segundo Bernardino Rafael, o objectivo é trabalhar em conjunto com as populações que estão ao longo do rio Rovuma para denunciarem a possível movimentação ou travessia dos terroristas de um lado ao outro.

* Moçambicanos entre os terroristas

 

  Bernardino Rafael esteve reunido com o homó-logo Simon Sirro que lhe deu conta da detenção de um grupo de centenas de terroristas e colaboradores, no qual se incluem alguns moçambicanos.

  “Informaram-nos que, depois do ataque de Kitaya, detiveram 562 terroristas ou colaboradores de terroristas”, anunciou o responsável da polícia moçambicana.

  “Queremos trabalhar também com os moçambicanos [detidos] para que eles nos digam o que pretendem fazer com o nosso país”, asseverou Bernardino Rafael.

  A polícia da Tanzânia deu conta da detenção de um número não especificado de pessoas que estava na iminência de se juntar aos militantes islâmicos que têm semeado o terror no Norte de Moçambique. “Prendemos pessoas vindas de Kigoma, Mwanza e de outros lugares”, informou na altura o chefe da polícia Simon Sirro aos repórteres, referindo que os detentos, na maioria jovens, confirmaram a intenção de viajar para Moçambique.

* Cooperação ao mais alto nível

  O presidente reeleito da Tanzânia, John Magufuli e o primeiro-ministro moçambicano, Carlos Agostinho do Rosário, encontraram-se no início de Novembro em Dodoma para falar sobre a importância da cooperação bilateral e regional no combate ao “terrorismo”.

  Segundo afirmou o governante moçambicano na altura à imprensa, “a paz e a estabilidade são determinantes para o desenvolvimento nos dois países e toda a região”.

  Na ocasião, o primeiro-ministro avançou que os dois países estão conscientes de que devem estar juntos na luta pela estabilidade, paz e progresso.

Polícia da Tanzânia prende grupoque reforçaria fileira

terrorista em Cabo Delgado

  Inspector-geral da Polícia da Tanzânia disse que jovens detidos saíram de cidades do noroeste do país vizinho a Moçambique. Simon Sirro informou que ataque em aldeia tanzaniana em outubro contou com ajuda de moradores.

  A polícia da Tanzânia informou que prendeu um grupo de pessoas suspeitas de “planear juntar-se a militantes islamistas” em Moçambique.

  A notícia de que os responsáveis pelos ataques em Cabo Delgado estão a transitar pela fronteira Norte de Moçambique foi confirmada pela primeira vez em Outubro, quando cerca de 300 homens armados levaram a cabo um ataque a uma aldeia no sul Tanzânia.

  “Prendemos pessoas vindas de Kigoma e Mwanza”, transmitiu o inspector-geral da polícia tanzaniana, Simon Sirro, a repórteres, sem revelar o nome de uma terceira localidade. As duas cidades reveladas na declaração publicada pela agência Reuters ficam no noroeste da Tanzânia, às margens do lago Vitória e próximas às fronteiras com Ruanda e Burundi.

  “Eles disseram que iam para Moçambique. Eles querem juntar-se a esse grupo [radical islâmico]. O objectivo desse grupo é mau. Eles deviam parar este comportamento insano. Se não pa-rarem, vão acabar mortos ou enfrentar medidas legais”, afirmou Sirro.

  O chefe da polícia não especificou o número de detidos, mas salientou que “muitos tanzanianos, muitos jovens” foram levados sob custódia.

  Sirro expôs que a polícia tinha descoberto que algumas moradoras locais estavam envolvidas no ataque de Outubro, ao ajudar homens armados a identificarem as casas que incendiaram. Segundo o inspector-geral da polícia tanzaniana, algumas das pessoas que ajudaram no ataque também foram detidas.

  O chamado “Estado Islâmico” reivindicou o ataque de Outubro numa mensagem num dos seus canais do Telegramas em 15 de Outubro. O grupo radical islâmico afirmou que os seus combatentes atacaram um quartel do exército na aldeia um dia antes, causando mortes e tomando armas e munições.