Missões católicas vão disponibilizar espaços para consulados darem apoio social

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Missões católicas vão disponibilizar espaços para consulados darem apoio social

As missões católicas portuguesas nas comunidades mais remotas da Europa vão disponibilizar espaços para que os funcionários consulares possam atender às necessidades sociais dos emigran-tes, anunciou o director da Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM).

 Esta é uma conclusões de uma reunião promovida pela OCPM e pela Cáritas Portuguesa, que juntou em Lisboa capelães e representantes das Cáritas na Suíça, Luxemburgo, França, Alemanha, Holanda e Reino Unido e na qual foi discutido o problema da nova vaga de emigração portuguesa, adiantou o frei Francisco Sales.
 Depois de no primeiro dia da reunião o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, ter defendido que os técnicos de acção social dos consulados saiam dos seus postos e vão ao encontro das comunidades, a OCPM deu um primeiro passo para concretizar essa intenção.
 A proposta, explicou o responsável, passa pela "abertura das missões que estão mais longe dos consulados para que a sede das missões funcione como local de atendimento para resolver as situações sociais, procurando os meios necessários para responder com medicamentos, alimentação, informação sobre emprego, ou mesmo repatriamento".
 A OCPM vai também elaborar um estudo sobre as necessidades reais das capelanias para apresentar um orçamento a José Cesário, que na sua intervenção manifestou dispo-nibilidade do Governo para apoiar as missões no terreno.
 Integrar assistentes sociais nas próprias missões católicas, agilizar a comunicação no terreno entre a Cáritas e as capelanias para que melhor se conheça a realidade e mobilizar os emigrantes que já estão integrados para que se responsabilizem pelo acolhimento e acompanhamento de novos emigrantes são outras propostas que sairam da reunião.

 Da parte da Cáritas Portuguesa, explicou por seu lado o presidente, Eugénio Fonseca, o trabalho passa sobretudo pela divulgação da informação aos eventuais candidatos à emigração, seja através da distribuição nas paróquias do material informativo que o governo se prepara para lançar, seja promovendo a dinamização e revitalização dos gabinetes de apoio ao emigrante que existem nas autarquias.
 Eugénio Fonseca comprometeu-se ainda a sensibilizar para este problema os parceiros das Cáritas europeias na conferência regional da Europa que se reúne entre 8 e 13 de Maio em Varsóvia.
 Nos dois dias da reunião de Lisboa, os capelães identificaram o desemprego nos países de destino, a falta de informa-ção dos emigrantes sobre as dificuldades que enfrentam e o desconhecimento da língua como as principais dificuldades no terreno.
 "O desconhecimento leva à exploração por parte de redes organizadas. Estas redes são organizadas por portugueses que recrutam outros portugueses para trabalho sazonal sem oferecer quaisquer condições de vida aos trabalhadores", pode ler-se nas conclusões do encontro.
 Por outro lado, os sacerdotes concluem que os emigrantes se sentem ressentidos com Portugal e evitam o regresso, principalmente quando não atingiram os objectivos pretendidos.
Um aumento dos casos de pobreza é o resultado, com os sacerdotes do Luxemburgo, Suíça e Reino Unido a registar alguns casos de portugueses sem casa, a viver em carros, abrigos sociais ou com familiares.