Ministro Rui Machete duvida que União Europeia apoie sanções militares contra a Síria

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Ministro Rui Machete duvida que União Europeia apoie sanções militares contra a Síria

O ministro português dos Negócios Estrangeiros disse na sexta-feira que será difícil a União Europeia chegar a uma posição comum sobre a resposta aos ataques químicos na Síria e não acredita que a organização apoie uma sanção militar.

 Rui Machete falava à agência Lusa em Vilnius, capital da Lituânia, no final do primeiro dia da reunião informal de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, que terminou com mais de uma hora de atraso devido às intervenções dos ministros francês e alemão, que chegaram ao início da tarde directamente da reunião do G20, em São Petersburgo, na Rússia.

 O chefe da diplomacia portuguesa disse existirem divi-sões entre vários países europeus em relação à resposta a dar ao regime sírio, perante um caso “muito complexo” e que “muda a todas as horas”.

 “É muito difícil ter uma posição para um problema que é muito complexo e muito delicado, em que há as questões de garantir a legitimidade da resposta da União Europeia e de garantir a coesão dos membros da União Europeia perante uma situação que é complexa face ao Direito Internacional, politicamente muito difícil, e em que se está a manifestar de uma maneira clara a oposição entre os Estados Unidos, de algum modo a União Europeia, e a Rússia e a China do outro lado”, declarou.

 Segundo Rui Machete, o mais difícil será retirar consequências do reconhecimento de um ataque com armas químicas, já que “não há dúvidas” disso entre os Estados-membros e “também não há grandes dúvidas que tenha sido atribuído a Damasco”.

 “O problema depois é como legitimar isso face à posição do Conselho de Segurança,

que está bloqueado”, apontou o ministro português dos Negócios Estrangeiros.

 “A opinião não é exactamente igual na intensidade do empenhamento dos diversos membros da União europeia, portanto, [no fim da reunião informal] vai certamente dizer-se que há um ataque de armas químicas, que havia um armazenamento ilegal de armas químicas, entende-se que o culpado é o Governo sírio, mas dessa condenação a retirar-se a ideia de que deve haver uma sanção militar através de uma intervenção dos Estados Unidos e da França, aí provavelmente não se chegará tão longe”, acrescentou.

 A reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, que decorreu no edifício da Galeria Nacional de Arte, em Vilnius, prolongou-se por mais de três horas.

 O encontro informal dos chefes da diplomacia europeia terminou sábado com uma reunião em que esteve presente o secretário de Estado norte-americano, John Kerry.

 

* Síria: Maioria de europeus e norte- americanos contra intervenção militar  – sondagem

          

 A maioria dos europeus e dos norte-americanos são contrários a uma intervenção militar na Síria, revela o inquérito internacional “Transatlantic Trends 2013”, com 80% dos portugueses questionados a rejeitarem uma acção militar contra Damasco.

 A sondagem decorreu entre 3 e 27 de junho, antes do alegado ataque de 21 de agosto com armas químicas nos arredores de Damasco, atribuído às forças do regime. O inquérito será divulgado na íntegra a 18 de setembro.

 De acordo com o estudo, os entrevistados foram inquiridos sobre se os seus Governos deveriam ficar fora do conflito ou intervir.

 Uma maioria de dois terços dos inquiridos norte-americanos (62%) e mais de três quartos dos inquiridos europeus (72%) afirmou que preferia permanecer fora do conflito. Estas respostas representam um crescimento de 7 pontos percentuais no caso dos inquiridos norte-americaNos, e de 13 pontos percentuais nos europeus, em relação aos resultados de 2012.

 A sondagem foi conduzida pela “TNS Opinion” nos Estados Unidos, Turquia e em 11 Estados membros da União Europeia: Alemanha, Eslováquia, Espanha, França, Itália, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, Roménia e Suécia.

 Relativamente a uma intervenção na Síria, nos EUA apenas um em cada três entrevistados é favorável (30%, representando uma queda de 5 pontos percentuais em relação a 2012); na Europa a percentagem favorável a uma acção militar é menor (22%, ou seja, menos 10 pontos percentuais face a 2012).

 Por sua vez, 72% dos entrevistados na Turquia disseram que o seu país deveria ficar fora do conflito sírio (um crescimento de 15 pontos percentuais em relação a 2012), enquanto apenas 21% é favorável à intervenção (um decréscimo de 11 pontos percentuais).

Os inquiridos portugueses responderam que Portugal deve ficar fora do conflito e não intervir (80%, o que representa um aumento de 12 pontos percentuais face a 2012).

 Quanto aos desenvolvimentos recentes no Médio Oriente e norte de África, os inquiridos tiveram de escolher uma de entre duas afirmações: “A estabilidade é mais importante, mesmo que isso signifique aceitar um governo não democrático” ou “A democracia é mais importante, mesmo que conduza a um período de instabilidade”. A maioria na Europa (58%) e uma grande parte nos Estados Unidos (47%) escolheu a democracia sobre a estabilidade.

 A maioria dos entrevistados na Turquia (57%) respondeu preferir a democracia no Médio Oriente e Norte de África; 25% disse preferir a estabilidade, e 18% dos inquiridos disseram que não sabiam ou não responderam.

 De referir também que os portugueses se dividiram nesta questão, com 47% a preferir a democracia, e outros 47% a preferir a estabilidade governamental. Seis por cento dos inquiridos não responderam.

Dois anos e meio após o início do conflito na Síria, que segundo as Nações Unidas já provocou mais de 110 mil mortos, os Estados Unidos e a França procuram formar uma coligação para um intervenção militar contra Damasco, após acusarem o regime sírio de um presumível ataque com armas químicas que provocou centenas de mortos nos arredores de Damasco em 21 de agosto.

 A “Transatlantic Trends 2013” é uma sondagem anual de opinião pública, conduzida pelo German Marshall Fund of the United States (GMF) e pela Compagnia di San Paolo (Turim, Itália), com o apoio da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), da Fundação BBVA (Espanha), da Fundação Communitas (Bulgária), do Ministério dos Negócios Estrangeiros sueco, e do Barrow Cadbury Trust (Reino Unido).