Ministro português na India para estreitar laços com países emergentes da Ásia/Pacífico

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Ministro português na India para estreitar laços com países emergentes da Ásia/Pacífico

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, participa esta semana, na Índia, numa reunião com homólogos de países da Europa e da Ásia, durante a qual pretende “estreitar laços com países emergentes da Ásia-Pacífico”.

 Ministros dos Negócios Estrangeiros reúnem-se hoje, segunda-feira, e terça-feira, em Nova Deli, na 11.ª reunião da ASEM, o principal fórum informal de contacto entre a Ásia e a Europa, que tem como tema “ASEM: Uma ponte de parceria para o crescimento e o desenvolvimento”, anunciou à Lusa fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

 À margem do encontro, o ministro Rui Machete manterá contactos com representantes da comunidade portuguesa residente na capital indiana, composta por cerca de 40 pessoas. No total, há cerca de 300 portugueses na Índia.

 O fórum é encarado pelo ministro como “uma excelente oportunidade para estreitar laços com países emergentes da Ásia-Pacífico, países que têm assistido a um crescimento económico relevante”, disSe à Lusa fonte do MNE.

 O ministro dos Negócios Estrangeiros pretende, neste encontro, “mostrar Portugal como um país exportador e também com excelentes oportunidades de investimento”.

 Rui Machete tem como objetivo mostrar, no sector das exportações, “a força de Portugal nos sectores tradicionais, mas também em outras áreas, como as energias renováveis, as novas tecnologias, a biotecnologia e até as ciências do mar”.

 O governante intervirá na sessão plenária inaugural, subordinada ao tema “Crescimento Económico e Desenvolvimento Sustentável: Desafios e Oportunidades na Ásia e na Europa”.

 Durante esta visita, o ministro vai ainda reunir-se com os seus homólogos da Índia, da Coreia do Sul, da Nova Zelândia e da Suíça, e também com a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros de Singapura e o secretário dos Negócios Estrangeiros da Austrália.

 

* Relações comerciais Portugal/Índia

 

 O embaixador português em Nova Déli afirmou ontem à Lusa que as relações entre Portugal e a Índia estão “muito abaixo do potencial” em termos económicos, mas regista-se um crescente interesse dos portugueses naquele mercado.

  “Politicamente, não há nada para resolver entre Portugal e a Índia. Culturalmente, há toda uma tradição. Em termos económicos, estamos muito abaixo do potencial”, disse Jorge Roza de Oliveira, durante um encontro do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português com elementos da comunidade portuguesa em Nova Déli.

 Na capital indiana, vivem actualmente perto de 40 portugueses, cerca de metade do total de emigrantes nacionais em todo o país.

 “Começa a haver uma presença física de empresas portuguesas” em território indiano, mas não se observa “uma corrida” das empresas indianas para investir em Portugal, o que o embaixador explica com o “embate” que a Índia está a sentir com a crise financeira.

 A Agência Portuguesa para o Investimento e Comércio Ex-terno (AICEP) também está na Índia para incentivar as relações comerciais, procurando “ajudar as empresas portuguesas na sua tarefa de exportação” e para “dar a conhecer Portugal como destino de investimento, numa localização privilegiada entre os Estados Unidos e a Europa e enquanto membro da União Europeia”, disse à Lusa o delegado da agência na Índia, João Rodrigues.

 O investigador em estudos asiáticos Constantino Xavier explicou que a Índia vê a Europa como “uma fortaleza” impenetrável, em contraponto aos Estados Unidos, devido ao seu sistema de vistos, oportunidades profissionais e políticas de imigração.

 A Efacec, produtora de material eléctrico, é uma das poucas empresas portuguesas que está na Índia, onde chegou em 2011, desenvolvendo actualmente oito projectos neste país.

 “Um mercado muito difícil, extremamente competitivo. Os grandes ‘players’ mundiais estão cá há décadas”, referiu Guilherme Assis, responsável pela operação da empresa portuguesa na Índia, onde tem três fábricas e emprega 160 trabalhadores – dos quais seis são portugueses.

O antigo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e atual embaixador da União Europeia, João Cravinho, está na Índia desde 2011 e deverá permanecer por mais dois anos.

 “Como ponto de observação da globalização, este é um posto extremamente privilegiado”, declarou à Lusa.

 Esta foi a primeira vez que o ministro Rui Machete se encontrou com uma comunidade portuguesa no estrangeiro, no âmbito das suas deslocações oficiais sozinho, ou seja, sem acompanhar o primeiro-ministro ou outro membro do Governo.