Ministro Nuno Crato diz que cortes na Educação são inevitáveis

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Ministro Nuno Crato diz que cortes na Educação são inevitáveis

Ministro Nuno Crato diz que cortes na Educação são inevitáveisO ministro da Educação afirmou que os cortes na Educação são “inevitáveis” e que há que estar preparado para “uma grande redução da despesa”, mas remeteu o anúncio para o primeiro-ministro e o titular das Finanças.

 “Nós vamos ter cortes na Educação, como vamos ter em todas as áreas. Isso é inevitável”, admitiu o ministro da Educação, Nuno Crato, em declarações aos jornalistas no final de um jantar na Universidade de Verão do PSD, que decorreu em Castelo de Vide.
 Adiantando que o primeiro-ministro e o ministro das Finanças “vão falar ao país sobre esses problemas”, Nuno Crato escusou-se a revelar qual será o orçamento do Ministério da Educação.

 O ministro da Educação reconheceu, contudo, que há que estar preparado para “uma grande redução da despesa”, porque o País enfrenta uma “situação económica muito difícil”.
 “Isso vai ser público dentro em breve. Isso vai ser conhecido. Eu não quero adiantar”, acrescentou.
 O Conselho de Ministros aprovou o Documento de Estratégia Orçamental, que enumera as “grandes linhas orientadoras do processo de consolidação orçamental a médio prazo da economia portuguesa”.

 O documento, que foi apresentado em detalhe na quarta-feira em conferência de imprensa, descreve “as principais opções que permitirão alcançar uma meta próxima do equilíbrio orçamental em 2015”.
 Segundo um comunicado do Conselho de Ministros, disponível no portal do Governo, “o esforço a realizar, do lado da despesa e do lado da receita, será na proporção de 2/3 e 1/3, respectivamente”, sendo que “estas opções têm um carácter transversal e sectorial e enquadram as medidas que serão concretizadas no Orçamento do Estado a apresentar já para 2012”.

* Ministro não receia contestação docente mas diz que avaliação não é problema central

 O ministro da Educação disse não ter nenhum “temor” da contestação dos professores por causa da avaliação, adiantando que as negociações estão a correr “muito bem”, mas avisou que este não é o problema central do sector.
 “Não tenho nenhum temor da contestação dos professores. Nós estamos neste momento nas negociações sindicais com toda a calma, com todo o empenho e as negociações estão a correr muito bem”, disse Nuno Crato aos jornalistas no final de um jantar na Universidade de Verão do PSD, que decorre em Castelo de Vide até domingo.

 Recusando a ideia de ‘braço de ferro’ e reiterando que a proposta apresentada pelo Ministério é “uma proposta aberta” e que está a ser feito um “grande esforço” de diálogo, Nuno Crato advogou, contudo, que a avaliação dos professores “não é o problema central” da Educação.
 “Não vamos transformá-lo no problema central da Educação. Estamos a trabalhar para um modelo que é um modelo que nos parece justo, não burocrático, que permita uma avaliação mais fiável possível dos professores, que seja um modelo formativo, que ajude todos nós a progredir”, sublinhou, admitindo ter “grandes esperanças” que as negociações com os sindicatos “se concluam bem”.

Antes, na intervenção que fez aos ‘alunos’ da Universidade de Verão do PSD, Nuno Crato já tinha defendido esta ideia, apontando a aprendizagem como o problema principal da Educação: “Está-se na escola para aprender”, frisou.
 Por isso, defendeu, “o que conta não é número de anos que se está na escola. O que conta é de facto o que se aprende na escola”.
 Recusando “mentir sobre aquilo que de facto se aprende na escola”, porque há que ser “realista”, Nuno Crato advogou que não basta aumentar o número de anos de escolaridade ou combater o abandono escolar.

 “Sobretudo, nós temos que melhorar o ensino, porque se os jovens tiverem um ensino para não aprenderem, isso de pouco serve. Por isso, nós temos que melhorar a qualidade do ensino”, defendeu.
 Por isso, acrescentou, e como existem “milhões de problemas”, é necessário escolher as coisas fundamentais, como estruturar melhor os currículos e “encadear as coisas umas nas outras”, porque “ninguém aprende as coisas de forma desestruturada”.

 Gracejou, a propósito, dizendo que “haverá uns génios que aprendem de forma desestruturada, mas a escola não é feita para os génios, é feita para pessoas como nós”, apontando ainda a necessidade de dar prioridade às disciplinas fundamentais como o português e a matemática.
 “Temos que trabalhar para melhorar os currículos, melhorar a formação dos professores e melhorar a avaliação”, declarou, insistindo na importância da avaliação, porque se as pessoas não são avaliadas, não são desafiadas e não progridem tanto quando poderiam.

 Na sua intervenção, e quando se fala em cortes orçamentais em todos os setores, Nuno Crato notou ainda que “vale a pena investir na Educação”, argumentando que “estudar vale a pena para ganhar mais dinheiro”, que “o futuro do país faz-se com pessoas mais qualificadas” e que “a Educação liberta”.

O ministro da Educação deixou ainda uma nota sobre o ensino universitário, reconhecendo a existência de “algumas irracionalidade” no sistema.
 “Temos que racionalizar todo o ensino superior”, preconizou, defendendo que os alunos têm que ser informados sobre o que está inerente a cada opção que fazem quanto aos cursos, nomeadamente ao nível de saídas profissionais.