Ministro da Defesa quer articular com companhias aéreas saída de pilotos da FAP

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Ministro da Defesa quer articular com companhias aéreas saída de pilotos da FAP

O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, defendeu, na base aérea de Sintra, uma maior "articulação com as companhias aéreas nacionais" com vista a evitar a saída de pilotos da Força Aérea Portuguesa (FAP).

 "Articular o recrutamento com a TAP e com a SATA significa aumentar a capacidade de planeamento da Força Aérea Portuguesa. Significa melhorar a capacidade de projetar atempadamente a formação de novos pilotos, capazes de substituir aqueles que saem", afirmou o ministro, na cerimónia dos 62 anos da FAP.

 Para Aguiar-Branco, que falava na base área de Sintra, "nada explica que o processo de recrutamento das companhias aéreas continue a deixar a FAP numa situação crítica, quando é possível reforçar a coordenação entre todos os intervenientes".

 O ministro acrescentou que o princípio também deve "ser aplicável às companhias aéreas privadas", e prometeu reforçar "o orçamento do ramo [militar] de modo a aumentar as horas de voo e a acelerar a formação de novos pilotos comandantes".

 Embora salientando que a responsabilidade de resolver o problema "é de todos", o titular da Defesa Nacional revelou que pediu à FAP a indicação de "soluções permanentes que contribuam para a redução do êxodo de pilotos".

 Por ocasião do Dia da Força Aérea e das comemorações do Centenário da Aviação Militar, Aguiar-Branco reconheceu que há muito que a FAP "deixou de ter capacidade para ser competitiva ou concorrer financeiramente com as ofertas salariais das companhias aéreas comerciais".

 Nos últimos anos saíram 275 pilotos da FAP – "uma média de 19 pilotos por ano", notou o ministro -, com particular prejuízo para o destacamento da Madeira, onde o efectivo ficou reduzido a seis pilotos em 2007 e a saída de sete pilotos em 2013 afetou os níveis de prontidão desta esquadra.

 O ministro quantificou o investimento na formação de um piloto em "cerca de 260 mil euros", pelos cinco anos na Academia Militar e sem a qualificação para aeronaves específicas, mas recusou culpabilizar quem sai quando "um copiloto da TAP ganha mais que o Chefe de Estado Maior da Força Aérea".

 Apesar desta realidade, José Aguiar-Branco recusou que se trate apenas de um "problema salarial" e apontou que a permanência na FAP passa também por "uma questão de motivação e de valorização profissional".

 O Chefe de Estado Maior da Força Aérea (CEMFA), José Oliveira, manifestou satisfação pelos resultados operacionais, apesar das dificuldades orçamentais. Mas não deixou de apontar as limitações de meios humanos e materiais que podem prejudicar a "prontidão" para dar resposta ao que é pedido à FAP.

 Em 2013, a FAP cumpriu 16.456 horas de voo, o que "corresponde a um valor muito próximo do regime de esforço" que tinha sido programado, mas infelizmente inferior ao necessário, adiantou o CEMFA.

 As 86 missões de busca e salvamento, as 360 missões de evacuação sanitária e transporte de órgãos humanos, as 91 missões de fiscalização na zona económica exclusiva e missões no âmbito da Proteção Civil foram algumas das atividades salientadas por José Oliveira.

 As missões no Afeganistão, no Mediterrâneo e em África mereceram também destaque do CEMFA, assim como a participação em exercícios da NATO e o início do processo de venda de 12 aviões F-16 à Roménia, com a componente de formação de pilotos e mecânicos.