Ministra da Saúde de Timor-Leste garante primeiras vacinas em Abril

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A ministra da Saúde timorense disse que Timor-Leste espera receber as primeiras vacinas contra a covid-19 em Abril, estando a analisar as fontes de financiamento para além dos 20% oferecidos por um mecanismo internacional.

Odete Belo explicou aos jornalistas que a equipa técnica criada para preparar o plano de vacinação está a analisar que nível de apoio haverá dos parceiros de desenvolvimento e que valor o executivo terá de destinar ao programa.

  Numa primeira fase, disse, o Governo vai dar prioridade à vinda dos 20% iniciais, devendo ainda levar a cabo uma campanha de informação a toda a população para que tomem a vacina voluntariamente.

  “A estimativa é que, dos 20% iniciais, cerca de 3 pontos percentuais se destinam às equipas da linha da frente”, referiu.

  Odete da Silva Viegas, coordenadora geral da comissão responsável pelo combate à covid-19, explicou à Lusa que a equipa técnica ainda está a finalizar o plano de vacinação, que espera pos-sa ser apresentado na próxima semana ao Conselho de Ministros pela responsável da equipa técnica, a vice-primeira ministra Armanda Berta.

  “As vacinas vão ser dadas aos timorenses. No que se refere a estrangeiros que residem em Timor-Leste, a decisão cabe ao Conselho de Mi-nistros”, disse Odete Viegas.

  Timor-Leste necessita, só para esta primeira fa-se, de quase 530 mil doses.

  Segundo explicou Odete da Silva, a estimativa é de que os 20% iniciais abranjam 263 mil pessoas, com cerca de 39.450 (3 pontos percentuais) a corresponder a equipas da linha da frente e 65.750 (cinco pontos percentuais) a pessoas com doenças crónicas.

  Cerca de 105.200 (oito pontos percentuais) correspondem a pessoas com mais de 60 anos e os restantes (52.600) a pessoas de uma “segunda linha da frente”, como professores, padres e outros, explicou.

  “A previsão é de que possamos completar esta vacinação entre Abril e Junho”, disse.

  Roy Trivedy, coordenador residente das Nações Unidas em Timor-Leste, reiterou hoje à Lusa que 20% das vacinas serão fornecidas gratuitamente através do Covax, fundo multilateral da Organi-zação Mundial de Saúde (OMS) que visa a vacinação em cerca de 90 países.

  “Os primeiros 20% serão fornecidas gratuitamente pela Covax, mas é necessário que sejam transportadas e a Unicef apoiará nessa questão. Nesta altura ainda não sabemos de onde exactamente virão as vacinas”, referiu.

  Estimativas iniciais apontam para que essas doses venham para Timor-Leste em duas fases, com um primeiro lote de cerca de 130 mil doses a chegar em abril.

  Para preencher os requisitos além dos 20% das vacinas necessárias, o Governo australiano disponibilizou um fundo de cerca de 500 milhões de dólares australianos (317,5 milhões de euros) para apoiar o acesso à vacina no Sudeste Asiático e Pacífico.

  A Iniciativa de Acesso à Vacina Covid-19 e de Segurança de Saúde, anunciada recentemente pelo Governo australiano, ajudará a “adquirir as restantes doses necessárias para ajudar Timor-Leste e o Pacífico a alcançar cobertura total de vacinação” no país.

  A Embaixada explicou à Lusa que o programa, que pretende dar ainda um “contributo significativo para responder às necessidades da população do sudeste asiático”, ajudará ainda na “distribuição e entrega” das vacinas da covid-19.

  Recorrerá igualmente a “especialistas para ajudar a preparar, avaliar, introduzir e administrar as vacinas, monitorizando ainda a sua segurança”, explicou.

  “Quaisquer vacinas fornecidas através desta iniciativa terão cumprido padrões australianos ou internacionais de segurança e eficácia e ser adequadas ao contexto de Timor-Leste”, referiu ainda.

  A Austrália está já em negociações com o Governo timorense para “identificar setores prioritários para assistência técnica no planeamento para a aquisição, acesso e entrega das vacinas de covid-19”, estando a trabalhar ainda com

outros parceiros, incluindo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Unicef.

  No caso de Timor-Leste, a vacinação recorrerá à vacina AstraZeneca, por ser considerada “a vacina mais apropriada” para o país, dado que pode ser preservada em frigoríficos, entre dois a oito graus centígrados.

Desde o início da pandemia, Timor-Leste registou 77 casos confirmados da doença, dos quais 53 já recuperados, sendo que não se registou ainda qualquer caso de sintomas graves e a quase totalidade dos infectados estavam assintomáticos.

  Há actualmente 24 activos, dos quais 23 no centro de isolamento de Vera Cruz e um no enclave de Oecusse-Ambeno.

  Em quarentena e auto-quarentena estão cerca de 410 pessoas.